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Geração de empregos nos EUA decepciona, mas bolsas sobem mesmo assim

O dado ruim é compensado pela expectativa de que o dinheiro do Fed continue irrigando os mercados financeiros. E ajudou até o Ibovespa, que saiu do buraco e conseguiu fechar no positivo.

Por Juliana Américo, Tássia Kastner 3 set 2021, 18h23

Se a economia dos EUA vai bem, a bolsa sobe porque as empresas vão lucrar mais no futuro. E se ela vai mal? Sobe também, já que aí a expectativa é de que o Fed continuará a irrigar a economia com dólares para estimular o crescimento. E foi exatamente o que aconteceu no mercado financeiro hoje, uma reviravolta que conseguiu içar até o Ibovespa do buraco.

É que o departamento americano de trabalho divulgou o seu relatório de empregos, mais conhecido como payroll. E os dados foram decepcionantes: no mês de agosto, foram criados 235 mil postos de trabalho –  o resultado ficou muito abaixo da expectativa de 750 mil. Mesmo as projeções mais pessimistas falavam em números maiores, de 375 mil. Foi também a menor adição de vagas de trabalho no ano. Só nos últimos dois meses, foram criados quase 2 milhões de novos postos de trabalho.

Já a taxa de desemprego caiu para 5,2% no período – um pouco melhor que a expectativa, que era de 5,4%. Significa que a fila de desempregados está diminuindo. 

A primeira reação dos investidores foi negativa. As bolsas abriram em queda após esse dado, que mostrou os efeitos da variante delta da covid sobre a economia. Depois, o pessimismo foi passando. O lance é que a decisão do Fed de fechar a torneira que irriga dólares na economia depende justamente dos dados do payroll. São US$ 120 milhões todos os meses, há mais de um ano. E com essa derrapada do mercado de trabalho, esse volume de dinheiro tende a continuar entrando mais tempo.

No fim, a grana acaba sempre na bolsa. E foi isso que levou os principais índices a fechar no positivo. O Nasdaq fechou em alta de 0,21%, aos 15.363 pontos – rolou até novo recorde de fechamento. O S&P 500 ficou estável (-0,03%), aos 4.535 pontos. 

 

Reviravolta do Ibovespa

Por aqui, o Ibovespa pegou uma carona na virada do mercado americano e vai pro feriado no azul. Na semana, porém, a perda ronda os 3%. 

No pior momento, a bolsa brasileira chegou a registrar queda de 1% e até voltou para o patamar dos 115 mil pontos, mas conforme os indicadores americanos melhoraram, o Ibov também se equilibrou. E o final foi surpreendente: alta de 0,22%, aos 116.933 pontos.

Se a alta pode ser atribuída ao empurrãozinho lá de fora, o mesmo não dá para dizer da baixa. Investidores brasileiros ainda estavam digerindo o projeto de reforma do Imposto de Renda Ele passou pela Câmara, mas deve ser barrado no Senado. A parte que está causando mais bafafá é a cobrança de uma taxa de 15% sobre esses dividendos – que, hoje, são isentos.  

Outra questão que está pegando é o impacto dessa reforma nos cofres públicos. Em entrevista à GloboNews, o secretário especial de Tesouro e Orçamento do Ministério da Economia, Bruno Funchal, destacou que a reforma, do jeito que está, irá reduzir a arrecadação da União em R$ 20 bilhões por ano.

Já cálculos da Instituição Fiscal Independente (IFI), um órgão ligado ao Senado Federal, mostram que o custo deve ser de R$ 28,9 bi para a União em 2022 e chega a R$ 52,2 bi em três anos. Na prática, isso quer dizer que ficará ainda mais difícil fechar as contas públicas. 

Feriados

As bolsas americanas e brasileira agora só voltam a se encontrar na quarta-feira (8). A semana que vem começa com o feriado de Labor Day, o dia do trabalhador, no dia 06 lá nos EUA. Significa Wall Street fechada. 

Depois o feriado é aqui. O Ibovespa não abre no dia 07 de setembro, que é o Dia da Independência. A tradição de folgar nas pontes não vale para a bolsa, que vai funcionar normalmente na segunda-feira (provavelmente com volume menor de negócios, já que negócios são feitos por pessoas).

E a folga de terça-feira não deve ser nem um pouco tranquila. A expectativa é de que a data seja marcada por manifestações pró e contra o governo. Jair Bolsonaro, inclusive, radicalizou (de novo) suas falas em relação ao Supremo Tribunal Federal. 

O presidente afirmou que o “7 de Setembro será um ultimato para duas pessoas que precisam entender o seu lugar”, referindo-se aos ministros Alexandre de Moraes e Luís Barroso, do STF. “Mostraremos o que fazer a quem quiser jogar fora das quatro linhas da Constituição”, completou. 

O jeito é sair para o feriadão tentando não pensar em como vai ficar o mercado na quarta. E se você é dos sortudos que não vão nem olhar o pregão na segunda, não se preocupe. A VOCÊ S/A te conta tudo o que acontecer 😉

Maiores altas

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Magalu: 4,33%

Assai: 3,82%

Lojas Americanas: 2,94%

Fleury: 2,14%

BB Seguridades: 2,09%

Maiores baixas

Embraer: -3,78%

Banco Inter: -3,20%

Gol: -2,57%

PetroRio: -2,56%

Sabesp: -2,49%

Ibovespa: alta de 0,22%, aos 116.933 pontos

Em NY:

S&P 500: estável em -0,03%, aos 4.535 pontos

Nasdaq: alta de 0,21%, aos 15.363 pontos

Dow Jones: queda de 0,21%, aos 35.369 pontos

Dólar: estável em +0,03%, a R$ 5,1845

Petróleo

Brent: baixa de 0,58%, a US$ 72,61

WTI: baixa de 1%, a US$ 69,29

Minério de ferro: alta de 1,89%, US$ 144,71 no porto de Qingdao (China)

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