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O que fazer (e o que evitar) na hora de pedir um aumento de salário

Mesmo durante a crise é possível negociar uma remuneração mais robusta — a estratégia é caprichar na argumentação.

Por Karina Fusco 1 dez 2020, 11h59

Em 2021, segundo o guia salarial da empresa de recrutamento Robert Half, para 53% dos empregadores os salários não terão grandes variações. O congelamento das remunerações é reflexo da crise econômica. No trimestre encerrado em agosto, por exemplo, o número de pessoas desempregadas no Brasil atingiu o recorde de 14,4%, segundo o IBGE. Isso quer dizer que, em três meses, 1,1 milhão de profissionais ficaram sem trabalho. Como consequência, enquanto a economia não se recuperar, os contracheques ficarão mais magros. 

Contudo, nem tudo está perdido. E, algumas áreas conseguem se destacar mesmo durante o período de recessão. Segundo o 13º Guia Salarial da Robert Half, os setores de Tecnologia, Saúde, Agronegócio, Infraestrutura e Logística estão aquecidos – e neles algumas carreiras podem chegar a ganhar até 19% a mais no próximo. 

Quem não está nesses mercados – ou quer negociar ganhos melhores – deve se preparar, observando o momento ideal e a forma certa de colocar as cartas na mesa, como indicam os especialistas ouvidos pela VOCÊ S/A.

1. Faça um planejamento

Liste as atividades que você realizou com êxito no último ano, as conquistas que tiveram a sua participação, os novos conhecimentos adquiridos e as habilidades desenvolvidas. A ideia é construir um repertório. Para Mario Custodio, diretor associado responsável pela área de recrutamento executivo da Robert Half, o início do ano é o período mais recomendado para falar sobre o assunto. “Principalmente nas reuniões de planejamento e de feedback”, acrescenta Leandro Moreno Garcia, especialista em negociações salariais e professor de MBA da Fundação Getulio Vargas.

2. Demonstre comprometimento

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É indispensável colocar em evidência seu interesse pelo desenvolvimento profissional. Contar que está fazendo um curso ou planeja uma viagem ao exterior para aperfeiçoar um idioma são exemplos que denotam sua vontade de investir na carreira e seu comprometimento com o crescimento. “Esses insights podem ser mensais”, afirma Garcia. Porém, o marketing pessoal deve ser feito de forma natural, em conversas que surgem até durante um almoço. Vale também vender seu peixe ao sugerir uma solução diferente para um problema.

  • 3. Tenha autoconfiança

    Com o terreno preparado, é chegada a hora da conversa. “Ter autoconfiança revela que o funcionário conhece a importância de seu trabalho para a estratégia da empresa”, diz Mario Custodio. A superação de expectativas, inclusive se estiver alinhada com o feedback do gestor, também deve estar na pauta. Mas, segundo o executivo da Robert Half, ainda que o profissional esteja com performance acima da expectativa, é preciso ter em mente que um aumento depende de outras variáveis, como o resultado da empresa e o momento econômico.

    4. Acompanhe o mercado

    Não cabe somente ao chefe determinar a porcentagem do aumento dos funcionários, mas, na conversa com ele, é possível demonstrar que você acompanha o mercado. O valor praticado no ramo deve ser parâmetro para solicitar o salário desejado. Significa que é contraindicado pedir um valor alto sem sondar com colegas se a quantia faz sentido. “Também é importante levar em conta o porte da empresa para a qual você trabalha, pois grandes companhias costumam pagar salários mais elevados”, afirma Custodio.

    5. Deixe de lado questões pessoais

    É preciso atenção para não mudar o rumo da conversa para um tom apelativo. “Evite falar sobre dívidas ou problemas financeiros”, diz o executivo da Robert Half. Segundo ele, justificar o pedido dizendo que está gastando mais do que deveria não traz credibilidade. Outro conselho é jamais pressionar. “Tenha tato”, afirma Leandro Garcia. “Vale dizer que quer investir mais na carreira e gostaria de saber se a empresa pode ajudar, seja com um aumento, seja com um convênio com a instituição de ensino que oferece um curso de seu interesse.” A pior estratégia, diz o especialista, é colocar o gestor contra a parede, principalmente em um momento em que o mercado ainda está se recuperando mais devagar. 

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