Por que chefes centralizadores afastam a diversidade

Muitos líderes com dificuldades em delegar criam equipes compostas apenas por profissionais semelhantes a si próprios. Entenda por que isso é um problema.

A discussão sobre os prejuízos do microgerenciamento é uma velha conhecida do mundo corporativo, mas ainda é muito comum encontrarmos líderes centralizadores em diversas empresas. São aqueles chefes que pedem para ser copiados em todos os e-mails, precisam participar de todas as reuniões e não sabem delegar tarefas.

Existem várias razões para esse tipo de comportamento, que vão desde traços de personalidade, história de vida, valores individuais e cultura da companhia até falta de preparo para liderar. Há ainda os que seguem a postura antiquada de ex-chefes acreditando que o modelo é o mais adequado – afinal, se aqueles profissionais alcançaram lugares de destaque em suas carreiras com tal comportamento é porque estavam agindo corretamente.

No entanto, o mundo do trabalho se transformou e posturas que funcionavam no passado deixaram de fazer sentido no momento em que vivemos. Portanto, líderes centralizadores precisam se esforçar para abandonar este tipo de mindset.

O primeiro passo é entender os motivos que o levam a ser um chefe com dificuldades em delegar. Após fazer essa autoanálise, busque treinamentos, livros, vídeos e palestras para desenvolver a habilidade de delegação. Serviços de aconselhamento profissional, como coaching ou terapia, também podem ajudar em alguns casos.

Porém, assim que entender que esse tipo de comportamento prejudica sua carreira, seja ágil em trabalhar para sanar essa questão. Enquanto você não aprimorar esta competência, os efeitos nocivos de uma gestão centralizada irão continuar se alastrando. Estudos indicam que lideranças que não conseguem delegar prejudicam o clima e a produtividade das equipes – além de não permitir que os seus liderados se desenvolvam profissionalmente.

Como resultado, a sua agenda ficará dominada por tarefas que deveriam ser feitas pelo seu time, o que irá comprometer a sua capacidade de entrega. Isso sem contar que o foco da sua gestão, que deveria ser agregar valor estratégico à companhia, ficará totalmente no campo operacional. Desse jeito, você também irá demorar para evoluir profissionalmente.

Ser um chefe centralizador prejudica até mesmo que você consiga formar equipes que respeitam a diversidade. Afinal, para delegar tarefas é preciso confiar no outro – por mais diferente que esse outro seja, tanto de você quanto do seu perfil de “profissional ideal”.

Abrir espaço para o diferente hoje não é mais uma escolha. Líderes que não sabem lidar com a diversidade, seja de gênero, de idade, de orientação sexual ou de histórico de vida não possuem mais espaço no ambiente corporativo. Respeitar as diferenças é o básico para gestores novatos ou experientes.

Alguns chefes, principalmente aqueles que possuem dificuldade em delegar, gostariam que seus times fossem compostos por clones. Mas esse tipo de pensamento está condenado ao fracasso. Possuir equipes plurais é fundamental para lidar com os diferentes problemas e situações complexas que enfrentamos cotidianamente. Um grupo de profissionais com o mesmo perfil dificilmente consegue trazer outros olhares e encontrar soluções inovadoras para as demandas.

No final, a mensagem é uma só: equipes mais diversas geram melhores resultados para as empresas. Felizmente, o debate sobre como criar pluralidade nas companhias está bastante avançado e a quantidade de material disponível sobre o tema, muitas vezes gratuito e online, é enorme. Então, vá em frente, se atualize. Quando expandimos nossa mente, expandimos também nossa capacidade de disrupção – e é isso que as empresas desejam de um verdadeiro líder.

Por último, uma reflexão: fomentar a diversidade não se trata apenas de gerar lucro para as empresas. É uma questão de cidadania e de respeito às pessoas. Se você tem dificuldades de lidar com aquilo que é diverso de você, busque entender o porquê dessa resistência e compreenda como isso pode impactar a sua vida – e, talvez, até sua evolução profissional.

Bons líderes são aqueles que entendem como os liderados pensam e são capazes de se colocar no lugar deles. Compreender as aflições, limites e preocupações do seu time além de criar confiança, melhora o relacionamento entre as pessoas e, consequentemente, os resultados. As pessoas são diferentes e a pluralidade é o que torna as equipes mais eficientes. O primeiro passo para lidar com as diferenças? Respeitá-las.

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