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Derretimento do GameStop cria euforia no mercado

Ela caiu mais de 40% hoje, o que trouxe mais segurança às bolsas. E não foi só isso: os estímulos de Biden e os 91,6% de eficácia da vacina russa também deram um boost no humor das bolsas. 

Por Juliana Américo, Alexandre Versignassi Atualizado em 2 fev 2021, 20h12 - Publicado em 2 fev 2021, 19h43

As vitórias de Arthur Lira e Rodrigo Pacheco para as presidências da Câmara e do Senado ajudaram o Ibovespa a registrar mais um dia de ganhos. Os dois, afinal, são aliados do governo, e a esperança de que esse laço ajude a destravar a pauta liberal do Ministério da Economia é música para os ouvidos de quem investe.

Lira, por exemplo, se comprometeu em tentar votar e aprovar a reforma administrativa até junho deste ano. 

Mas as grandes apostas estão mesmo na possibilidade do avanço das privatizações. A Eletrobras, cotada para ser o maior projeto de privatização de Guedes, avançou 3,19% nos papéis preferenciais e 1,62% nos ordinários

Com esse clima favorável ao capital, o Ibovespa fechou em alta de 0,61%, aos 118.233 pontos. 

Mas quem deu mesmo o tom de otimismo hoje foi o mercado internacional. Os investidores americanos viram com bons olhos a iniciativa do presidente Joe Biden de convidar congressistas republicanos para uma reunião para discutir sua proposta de plano de ajuda econômica. Biden quer um plano de US$ 1,9 trilhão, enquanto os republicanos falam em US$ 600 bilhões. 

Outra boa notícia, agora para a estabilidade do sistema financeiro. A alta artificial nos papéis da GameStop, causada por pequenos investidores num movimento coordenado de compras, se mostrou um belo cavalo paraguaio. Wall Street tremeu na base, já que tal movimento pode indicar que o mercado inteiro passa por uma bolha sem precedentes prestes a explodir. Ontem, porém, os papéis da empresa tinham caído 31%. Hoje, tombaram mais 40%. Agora elas estão abaixo de US$ 100, contra US$ 483 na semana passada. 

E isso é ótimo. Mostra que o valor dos papéis estão voltando rapidamente à realidade – e sem tragar o resto do mercado financeiro junto. Uma amostra, enfim, de que há mais segurança nas bolsas do que se imaginava na última sexta, quando o pavor com a alta artificial tinha derrubado o mercado global.         

Tem mais. O britânico Lancet, mais respeitado periódico de medicina do mundo, publicou hoje uma avaliação preliminar dos testes clínicos da fase 3 da Sputnik V, a vacina russa. O resultado é impressionante: 91,6% de eficácia. A Rússia já dizia que sua vacina era de primeira linha, claro. Mas agora é diferente. 

Os resultados foram revisados por cientistas independentes, ligados ao Lancet. Se esses números forem confirmados na avaliação final, parabéns: teremos uma nova vacina aprovada no mundo todo (hoje, a Sputnik é aplicada em poucos países fora a Rússia, caso da Argentina e da Venezuela).   

A soma do pacote de estímulos, da sublimação do caso GameStop e da eficácia da vacina foi mais do que o bastante para animar Wall Street.  O S&P 500 subiu 1,39% (3.826 pontos) e o Nasdaq Composite, 1,56% (13.612 pontos).

E hoje também foi dia de balanço de duas big techs: Amazon e Google, logo após o fechamento do mercado americano. 

O Google registrou lucro líquido de US$ 15,23 bilhões. A receita subiu 23% e atingiu US$ 46,43 bilhões. Essa foi a primeira vez que a companhia incluiu nos relatórios o seu negócio de nuvem; o Google Cloud teve receita de US$ 3,83 bilhões.

Bezos deixa de ser CEO da Amazon

No quarto trimestre, a Amazon teve lucro de US$ 7,2 bilhões. A receita da companhia subiu para US$ 125,6 bilhões, acima dos US$ 119,7 bi estimados. Mas quem fez as manchetes mesmo foi o fundador Jeff Bezos. Ele aproveitou para anunciar que está deixando o cargo de CEO. Quem assume a liderança é Andy Jassy. Atualmente, ele comanda a AWS (o serviço de hospedagem da Amazon). A dança das cadeiras deve acontecer até o terceiro trimestre e Bezos continua a ocupar o cargo de presidente-executivo do Conselho. 

No Brasil 

Por aqui, a Petrobras subiu forte. As ações preferenciais tiveram alta de 4,10% e as ordinárias, de 3,45%. O grande motivador aí foi o preço do petróleo – já que a possibilidade de a Petro ser privatizada não está exatamente no horizonte. O tipo Brent, que é usado como referência internacional, subiu 1,96%, cotado a US$ 57,46 o barril; enquanto o WTI, que é referência nos EUA, subiu 2,26%, cotado a US$ 54,76 o barril. 

A outra Petro, a PetroRio, aproveitou o barco e subiu 5,93%. Ontem, a companhia passou a negociar  29,7 milhões de novas ações, em um movimento de follow on. 

Outra empresa que marcou presença entre as maiores valorizações foi a Totvs (6,77%). O Credit Suisse elevou recomendação da companhia de neutro para outperform (acima da média do mercado) e o preço-alvo subiu de R$ 27 para R$ 35. O banco afirmou que as vendas de software da Totvs não foram afetadas pela pandemia e ainda devem melhorar com a recuperação econômica. 

Quem travou uma valorização maior da bolsa foram o Itaú e a Vale. Na segunda-feira (1º), o banco divulgou o seu balanço trimestral; foi registrado lucro líquido de R$ 5,3 bilhões nos últimos três meses de 2020, mas houve uma queda de 26,1% em relação ao 4ºtri do ano anterior. Esse resultado já era esperado, mas mesmo assim as ações da companhia caíram 2,13%. 

Os demais bancos passaram o dia instáveis. As ações estavam seguindo o movimento positivo do do Ibov, mas rumores de que Lira colocaria em pauta um aumento de tributação sobre bancos, derrubou os papéis. O deputado desmentiu os boatos, o que ajudou a reduzir as perdas. 

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Além disso, na quarta-feira (3), o Santander e o Bradesco vão divulgar os seus balanços. No final do dia, o saldo foi todo misto: Banco do Brasil (-0,67%), Bradesco (-0,40%), Santander (+0,49%) e BTG Pactual (+0,37%).

Já a Vale sofreu influência do preço do minério de ferro. Acontece que a commodity caiu 4,63%, cotada a US$ 149,80 por tonelada em Qingdao, na China. O principal motivo para essa queda é o feriado do Ano Novo Lunar, que começa em 11 de fevereiro e dura uma semana. Por mais que tenha ainda alguns dias para as festividades, o mercado já está cauteloso com a redução da demanda no período. 

Os papéis da Vale caíram -3,96%. Isso afetou também o desempenho das siderúrgicas, que dependem da chinesa por aço: CSN (-3,44%), Usiminas (-2,10%), Metalúrgica Gerdau (-1,41%) e Gerdau (-1,16%). Sobrou também para a Bradespar. A empresa de participações do Bradesco é uma das maiores acionistas da Vale, e liderou as quedas do dia: -5,71%. 

De qualquer forma, já era esperada alguma correção tanto no preço do minério e do aço como nas ações das empresas do setor. Então vida que segue. Vale, CSN e cia não são GameStop, afinal. O jogo delas segue 

Maiores altas

B2W: +6,87%

Totvs: +6,77%

Embraer: +6,72%

Braskem: +6,34%

Via Varejo: +6,26%

Maiores baixas

Bradespar: -5,71%

Vale: -3,96%

CSN: -3,44%

Itaú: -2,13%

Usiminas: -2,10

Dólar: -1,74%, cotado a R$ 5,35

Petróleo

Brent (referência internacional): +1,96%, cotado a US$ 57,46 o barril

WTI (referência nos EUA): +2,26%, cotado a US$ 54,76 o barril

Minério de ferro: -4,63%, cotado a US$ 149,80 por tonelada em Qingdao (China) 

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