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Breve guia do networking: como usar os contatos a seu favor

Oito em cada dez vagas de emprego são preenchidas por indicação. Veja como transformar contatos em pessoas estratégicas para a sua carreira de forma mais eficiente.

Por Juliana Américo | Ilustração: Carol D’Avila | Design: Juliana krauss | Edição: Alexandre Versignassi Atualizado em 28 mar 2022, 08h41 - Publicado em 11 mar 2022, 06h00

Em 1967, o psicólogo americano Stanley Milgram criou a teoria dos seis graus de separação. Ele selecionou 300 pessoas aleatórias da cidade americana de Omaha, em Nebraska, e deu-lhes uma missão: entregar uma carta a um certo corretor da Bolsa de Valores de Boston (hoje desativada).
Mas tinha uma pegadinha. Milgram não passou o endereço do sujeito. Só deu o nome, a profissão e a cidade. Cada um dos voluntários deveria mandar a carta para algum conhecido que eles achassem que, porventura, poderia conhecer o tal corretor.

Quem recebia a correspondência tinha a missão renovada. Caso não conhecesse o cara, deveria ele mesmo enviar para outra pessoa. E assim por diante.

O senso comum dizia (e ainda diz) que, se alguma das 300 cartas chegassem, teria de passar por centenas de pessoas. Mas não. Boa parte delas chegou. Em alguns casos, depois de cinco reenvios. Em outros, depois de sete… Os números variavam, mas a média de intermediários dos casos que deram certo ficou em seis.

Daí surgiu o conceito dos “seis graus de separação” – a distância média entre “contatos” que separaria duas pessoas completamente aleatórias. O experimento foi refeito diversas vezes nas últimas décadas. Os resultados variam entre três e sete conexões, mas a conclusão é a mesma: o mundo é menor do que parece.

E isso é obviamente importante na hora de conseguir um emprego ou expandir os negócios. Uma pesquisa da consultoria The Adler Group identificou que 85% das vagas de emprego são preenchidas por meio de indicações.

Só existe um problema. Estabelecer uma boa rede de contatos (um network, no jargão corporativo) não é tão simples. No estudo de Milgram, somente 100 das cartas chegaram ao destinatário final. Outras pesquisas também não atingiram números melhores. Em 2001, um estudo feito na Universidade de Columbia conseguiu que apenas 324 mensagens chegassem ao destinatário final, sendo que foram selecionados 48 mil participantes.
A questão é: se alguém no meio da rede não estiver realmente disposto a ajudar, de nada adianta haver poucos graus de separação. Logo, não basta conhecer bastante gente. É preciso fazer o chamado networking, ou seja, o ato de cultivar a rede de contatos.

Nas próximas páginas, vamos ver como.

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Carol D’Avila/VOCÊ S/A

Dar e receber

O maior segredo do networking é a reciprocidade. Pensar só no benefício próprio e nunca ajudar ninguém não funciona. Sem troca de favores não há vínculo.

Coloque-se à disposição dos outros, seja para dar conselhos profissionais, ajudar em alguma tarefa ou servir de ponte com outro contato. Também nunca procure alguém apenas quando estiver precisando de uma mãozinha. Mandar mensagem para uma pessoa com quem você não fala há anos só para pedir emprego dificilmente vai funcionar.

Na hora de pedir favores, tenha cuidado. Não tente um atestado com aquele seu amigo médico (ele não conhece apenas médicos, afinal, e provavelmente não servirá mais de ponte para você depois de uma dessa). Nem mande um contrato para aquele advogado conhecido “dar uma olhadinha”. Você pode tirar dúvidas ou pedir indicação de alguém que possa te ajudar, claro, mas jamais desvalorize o trabalho dos outros.

Por falar em valorizar o trabalho, interaja com pessoas de vários níveis hierárquicos. Construir relações com gerentes e diretores obviamente facilita em momentos de recolocação. Mas auxiliar profissionais em cargos mais baixos também permite que você assuma uma posição de referência, o que ajuda a construir sua credibilidade. Além do mais, quem está embaixo hoje pode ser o chefe de amanhã.

E não insista. Se perceber que a outra pessoa não está tão interessada em fazer parte da sua rede, parta para outra. E aqui vale uma reflexão: será que você não está sendo chato na sua abordagem? Evite encher a pessoa de perguntas como se estivesse em uma entrevista, insistir demais em um assunto ou ficar falando só de você mesmo.

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Carol D’Avila/VOCÊ S/A

Quem é introvertido costuma ter mais dificuldade na hora de conhecer pessoas novas e aprofundar as relações. Infelizmente, não há muito o que fazer: o jeito é sair da zona de conforto da introspecção e se expor.

Comece com quem você já tenha alguma intimidade. Mande mensagem, pergunte como ela está, o que anda fazendo e se você pode ajudar em alguma coisa. Com o tempo, você terá interação com a rede de contatos dos seus amigos mais extrovertidos e, aos poucos, irá aumentando a sua. Além disso, se você tiver um contato em comum com quem gostaria de conversar, peça para ele apresentar vocês.

Tem quem não goste muito de eventos sociais, mas evite recusar convites para almoços de equipe ou happy hours. Esses momentos de descontração entre colegas de trabalho são ideais para estreitar os laços, e descobrir quem entre as pessoas mais próximas tem boas ligações.

E quanto mais você circular pela companhia onde trabalha, melhor. “Algumas empresas permitem o intercâmbio de áreas ou então incentivam projetos de colaboração entre equipes. Essa é uma forma de interagir além do seu setor e também ganhar mais visibilidade profissional”, afirma Juliana Ribeiro, gerente executiva da Page Personnel.

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Para ampliar a rede para fora da sua empresa, o básico é participar de eventos, palestras e cursos. A dica aqui é não ficar isolado em um canto olhando para o celular. Ative o modo “miss simpatia” e vá puxar assunto com algumas pessoas. Também evite conversar só com quem você já conhece.

Na hora de se envolver com atividades desse tipo, esteja atualizado sobre o mercado em que você atua. Assim, terá assunto para manter uma conversa e ainda mostrará que é um profissional antenado. E seja proativo. Promova encontros sobre temas que sejam do seu interesse.

Em eventos maiores, tente chegar mais cedo. É menos intimidador abordar alguém quando não há tanta gente por perto. E planeje os seus passos. “Para se sentir mais seguro, estude os movimentos que vai fazer. Por exemplo, se vai falar com alguém pela primeira vez, pode dar uma olhada nas redes sociais dela para ver se vocês têm algum interesse em comum que vai ajudar a quebrar o gelo no início da conversa”, indica Rafael Almeida, gerente de parcerias estratégicas da Robert Half.

Rede virtual

O networking é mais eficaz quando feito pessoalmente, mas o home office veio para ficar para boa parte dos profissionais. Então as redes de contato também precisaram se adaptar ao mundo virtual.

Existem cursos à distância e workshops online que permitem a interação entre os participantes. Se a plataforma não tiver essa possibilidade, pegue os contatos das pessoas e mande uma mensagem propondo um grupo de discussão.

Quem investe no networking online também precisa tomar cuidado para não manchar a sua imagem. Em primeiro lugar, não seja invasivo. Vai mandar uma mensagem no LinkedIn? Dê preferência para o horário comercial – e, por favor, não fique cobrando uma resposta da outra pessoa. No WhatsApp, mais cuidado ainda. Nada é mais aterrador do que estar no meio de um trabalho complexo e ficar vendo pedidos bobos de retorno pipocando na tela.

Também tenha cuidado com assuntos polêmicos, críticas a ex-colegas e a lugares onde trabalhou. Quem cospe no prato passa recibo de não ser uma pessoa confiável.

Também aproveite as redes para comemorar as suas vitórias corporativas – como a finalização de um projeto bacana, ou um curso para o qual você foi selecionado. E não se esqueça de citar as pessoas que te ajudaram. Se o projeto que você desenvolveu era em grupo, agradeça à equipe. Isso motiva as pessoas a fazerem o mesmo com você.

E lembre-se: não fique apenas na internet. Como a pandemia mostrou, nada substitui o contato pessoal. Chame para um café ou para um almoço sempre que possível.

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Arte/VOCÊ S/A

Cultivando a sua rede

Por fim, não adianta nada ir aos eventos, pegar o cartão de visitas de todo mundo e não manter a conexão depois. O objetivo do networking não é aumentar a quantidade de contatos, é aprimorar a qualidade das relações, torná-las mais próximas.

Crie uma rotina para falar com as pessoas com certa frequência. Para aqueles que são mais próximos, você nem precisa ter um motivo específico para isso – só perguntar como anda a vida já vale.

Se for alguém do trabalho, tente interagir fora do ambiente corporativo. O mais comum é na hora do almoço e no happy hour; mas você também pode fazer isso nas redes sociais, além de marcar algo para o fim de semana. E evite falar só de trabalho.

Agora, com aqueles com quem você falou poucas vezes e só em contextos profissionais, a estratégia é diferente: compartilhe posts que sejam de interesse comum ou peça conselhos sobre um projeto.

Veja: quando se fala em manter uma frequência nos contatos, não significa colocar toda segunda-feira na agenda “falar com fulano”. Não existe um período mínimo ou máximo. “As pessoas ficam lisonjeadas quando a gente se lembra delas por motivos específicos. Você pode entrar em contato porque assistiu uma palestra de um assunto sobre o qual vocês já tinham conversado antes, por exemplo”, diz Juliana Ribeiro, da Page Personnel.
O importante é que sua rede esteja atualizada sobre o que acontece com você. Assim, as pessoas poderão te oferecer oportunidades mesmo que você não tenha pedido.

Outra boa abordagem é pedir informações. Se o objetivo é se recolocar no mercado, não vá entregar o currículo para alguém só porque é seu amigo. Primeiro, pergunte para a pessoa como é trabalhar na empresa onde ela está, os pontos positivos e negativos, e só depois pergunte como você poderia se candidatar para uma vaga.

Quem quiser pode até criar formas de organizar todos os contatos. Dá para, por exemplo, montar uma planilha com os dados de todo mundo: redes sociais de colegas, emails e telefones de quem você conheceu e até informações como o lugar onde trabalha e interesses em comum. Ajuda a organizar sua rede.

Mas isso também não é regra. Para Rafael Almeida, da Robert Half, a catalogação dos contatos é interessante para profissionais que trabalham, por exemplo, na área comercial e precisam ter essas informações mais à mão para fechar negócios. “Mas se você está gerando network no dia dia, acho que não faz sentido ter uma planilha. O networking deve ser natural. O que importa é estar atento às oportunidades.”

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