A diversidade na liderança importa – e cada vez mais
Empresas que investem na representatividade do board têm 39% mais chances de superar seus concorrentes, segundo um novo relatório da McKinsey.
Nos últimos dias, mergulhei em um relatório que traduz em números aquilo que eu venho defendendo nesta coluna: colocar pessoas negras (e diversas) no topo vai muito além de justiça social. É uma estratégia de negócios muito inteligente do ponto de vista da longevidade empresarial.
O estudo em questão, realizado pela consultoria McKinsey, chama-se “Diversity Matters Even More” (ou “diversidade importa cada vez mais”, em português). Ele analisou 1,2 mil empresas de 23 países e mostrou: organizações com alta diversidade na liderança têm 39% mais chances de superar financeiramente seus concorrentes.
Para os ignorantes de plantão que pensaram “eu não quero estar no grupo dos 39%”, devo alertar sobre o outro lado da moeda. Segundo o mesmo levantamento, empresas com baixa diversidade no topo da pirâmide hierárquica têm 66% menos chances de apresentarem um desempenho acima da média. Se você fosse meu aluno, minha sugestão seria enfática: ou você inclui, ou paga a conta da exclusão.
“E o que isso tem a ver comigo, Emerson, que quero sentar na mesa da liderança negra?” Tudo. Quando a empresa acorda para esses números, a diversidade deixa de ser um projeto de RH e se torna um motor de vantagem competitiva, lucro, inovação e resiliência. A partir disso, surgem grandes oportunidades.
E tem mais. A diversidade na liderança está diretamente ligada a impacto e legado. Quando a participação de mulheres em equipes executivas cresce 10 pontos percentuais, os indicadores de atração e retenção também aumentam de forma significativa. Incluir mais uma mulher em um board com dez cadeiras, por exemplo, está relacionado a um ganho de dois pontos nos índices sociais. Ou seja: times plurais formam equipes melhores, seguram gente boa e resolvem problemas complexos com mais qualidade.
Há um sinal importante de futuro. A cada 10 pontos percentuais de diversidade étnica no time executivo, a nota da empresa em estratégia climática avança quase quatro pontos. As companhias que levam diversidade a sério também são as que constroem legado, inclusive para o planeta.
E como está o mundo? Há faróis. Entre as empresas líderes em diversidade nos Estados Unidos, 50% da liderança é composta por mulheres, e 39% dos executivos são de grupos étnicos sub-representados. Mas, no conjunto global, esses números caem para 16%. Ainda há um longo caminho, portanto, para a representatividade nos boards atingir níveis adequados.
O que o RH e as lideranças podem fazer
É hora de profissionalizar as decisões. O relatório da McKinsey lista cinco estratégias que funcionam:
- tratar a diversidade como parte do negócio;
- adaptar as metas ao contexto local;
- cultivar o senso de pertencimento na empresa;
- apoiar os profissionais que puxam a agenda; e
- ouvir feedbacks, inclusive os incômodos.
Em paralelo, invista em práticas simples e poderosas: entrevistas estruturadas, critérios explícitos para promoção, painéis com avaliação independente e auditoria periódica de decisões. Isso reduz erros e inconsistências, além de melhorar a qualidade da gestão de pessoas.
O que aspirantes a líderes negros podem fazer
- Procure sinais de seriedade. Metas públicas de diversidade, pluralidade no conselho, processos claros de promoção. Onde as regras são previsíveis, as oportunidades aparecem mais.
- Gere lastro mensurável. Projetos com impacto visível, indicadores de resultado e cases que contam sua história.
- Busque patrocínio. Mentoria ajuda, patrocínio abre portas. Conecte-se a líderes que apresentem você para as mesas certas.
- Leve os dados para a conversa. “Nossa empresa está no grupo que mais performa quando tem diversidade no topo. Como posso me posicionar em projetos estratégicos para acelerar esse efeito por aqui?”
- Escolha bem o palco. Dê preferência a empresas que já evoluíram e a líderes que entendem que diversidade e resultado caminham juntos.
Fecho com um convite direto. Diversidade na liderança eleva a rentabilidade, a capacidade de inovação, a reputação e o impacto socioambiental. Se você quer ocupar a mesa da liderança negra, escolha arenas com regras claras, prepare-se para performar no mais alto nível e use esses números como chave para abrir portas. Se você já lidera, facilite a subida de quem vem depois. Quando a diversidade sobe, o negócio inteiro sobe junto.
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