Clique e Assine a partir de R$ 8,90/mês

O mercado achou que estava tudo bem. Mas esqueceu de combinar com o vírus

Repique da Covid nos EUA e no Reino Unido derruba as bolsas no mundo todo. No Ibovespa, confusão joga na lama a nova Americanas S.A. 

Por Alexandre Versignassi Atualizado em 19 jul 2021, 18h31 - Publicado em 19 jul 2021, 18h20

Há duas semanas, em 07 de julho, os EUA tiveram 149 mortes por Covid (pela média móvel de 14 dias). Era o menor número desde março de 2020 – sinal de que a pandemia estaria com os dias contados por lá. 

Não era o caso. O número de mortes dobrou de lá para cá. Voltou a rondar a faixa das 300 por dia. E o viés é de alta: a quantidade de novos casos reportados saltou de 15 mil no início de julho para 31 mil agora. Cortesia da variante delta – mais transmissível que as cepas originais.

No Reino Unido, a alta de casos é ainda mais surpreendente, principalmente se você levar em conta o estágio avançado da vacinação por lá. 54% da população (69% dos adultos) tomaram as duas doses. Trata-se do melhor índice do mundo para países de grande porte, junto com Canadá e Chile. Os EUA estão em sétimo lugar, com 49%. O Brasil vem em 13o, com 16%.  

Bom, o auge da pandemia no Reino Unido foi janeiro deste ano, quando a vacinação estava só começando. Eram 60 mil novos casos por dia. Em maio, o número de casos despencou para 1,8 mil. E desde então passou a subir. Ontem (18) foram 44 mil casos na média móvel. 

O irônico é que o Reino Unido marcou para esta segunda-feira (19) seu “Freedom Day”, o dia de queda de todas as restrições, incluindo o uso de máscaras. 

Não era exatamente o melhor momento, para dizer o mínimo. O próprio Boris Johnson, primeiro-ministro britânico, cumpre neste momento um auto-isolamento de 10 dias, depois de ter tido contato com seu ministro da saúde, Sajid Savid, que testou positivo para Covid. 

As altas nos casos já estavam fazendo o mercado financeiro operar com o freio de mão puxado desde a semana passada. Hoje, porém, a sirene ligou de fato. 

O dia começou com Hong Kong fechando em baixa de 1,84%. Londres e Frankfurt, mais tarde, terminariam com quedas de mais de 2%, ditando o ritmo para Nova York (-1,58 no S&P 500) e São Paulo (-1,24% no Ibovespa). 

Petróleo derrete: -7%

O dia foi especialmente ruim para quem tem ações de petroleiras. É que rolou uma tempestade perfeita: de um lado, o medo de que o repique nos casos de Covid acabem com as brincadeiras no estilo “freedom day”, e os lockdowns retornem com tudo. De outro, um acordo entre os países da Opep+ (os exportadores de petróleo e seus aliados). 

A Opep+ entendeu que o patamar atual do preço do petróleo é bom o bastante para que eles acelerem a produção. O combinado foi aumentar a extração em 400 mil barris por dia de agosto, mais 400 mil em setembro, mais 400 mil em outubro… De modo que, em setembro de 2022, eles voltem ao nível de produção pré-pandemia, que era de 35 milhões de barris por dia. 

O acordo da Opep+ com o agravamento nos casos de Covid fizeram o barril cair 7% nesta segunda – um tombo histórico.

A Petrobras até que se segurou bem. A estatal, afinal de contas, até perde com a baixa do barril, mas ganha em outra frente: a da venda de derivados. Com o petróleo tão em baixa, basta a Petrobras não aumentar o preço da gasolina e do diesel na refinaria para ver uma alta em seus lucros. Já a Petrorio, uma petroleira mais “raiz”, concentrada totalmente no comércio de óleo cru, passou por um tombo mais pronunciado: -3,45%.  

Também sofreram as empresas mais expostas ao fator pandemia: caso do da GOL (-3,61%) e da CVC (-3,45%). 

AMER3 e LAME4

Já as duas maiores quedas nada têm a ver com a Covid ou com o barril de petróleo. As baixas mais significativas são fruto da fusão entre a B2W e as Lojas Americanas. A nova empresa, fruto da união, é a Americanas S.A. E suas ações agora se chamam AMER3. 

Quem tinha uma ação da B2W passou a ter uma ação AMER3. E quem tinha uma ação das antigas Lojas Americanas passou a ter 0,18 Americanas S.A. (ou seja: 18 AMER3 para cada uma das Lojas Americanas). 

As ações das Lojas Americanas (LAME4 e LAME3) continuam existindo. Mas agora elas representam uma espécie de fundo que detém 38,9% da nova Americanas S.A.

Achou confuso? O mercado também. Sem entender se a precificação dessas ações todas reflete o valor justo da Americanas S.A., muitos investidores pularam fora do barco e colocaram seus papeis à venda. Resultado: queda de 8% para AME3 e de outros 8% para LAME4, a mais negociadas das “LAMEs”). Um pregão na lama, com o perdão do trocadilho. 

Luz no fim do túnel

Para encerrar com uma boa notícia: a alta de casos no Reino Unido não é nem de longe acompanhada por uma subia equivalente nas mortes. Em janeiro, quando o número de novos casos por dia era equivalente ao de hoje (45 mil), morriam 1.200 pessoas por dia. Hoje são 40. 

Claro que qualquer número acima de zero é algo a ser lamentado. Mesmo assim, isso prova que a vacinação funciona naquilo que mais importa: reduzir o número de mortes.     

Bola para a frente. 

 

MAIORES ALTAS

Continua após a publicidade

Rumo Logística: 2%

Locaweb: 1,38% 

Inter: 0,86%

Energias do Brasil: 0,39% 

Tim: 0,34%

MAIORES BAIXAS 

Americanas S.A. (AMER3): 8,94%

Lojas Americanas (LAME4): 8,78%

Via Varejo: 3,77%

Gol: 3,61%

Petrorio: 3,45%

Ibovespa: -1,24%, a 124.394 pontos

Dólar: 2,64%, a R$ 5,25

Em NY

S&P 500: -1,58%, a 4.258 pontos

Nasdaq: -1,06%, a 14.4274 pontos

Dow Jones: -0,86%, a 33.963 pontos

Petróleo

Brent: -6,75%, a US$ 68,62

WTI: -7,28%, a US$ 66,35

Minério de Ferro

-0,18%, a US$ 221,04 a tonelada no Porto de Qingdao

 

Continua após a publicidade
Publicidade