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Meta (ex-Facebook) perde US$ 240 bilhões em valor de mercado – uma Disney inteira

Ações da empresa de Zuckerberg despencaram 26% hoje após queda no lucro e no número de usuários ameaçarem a era de ouro da big tech. E levaram as bolsas junto para o buraco.

Por Bruno Carbinatto Atualizado em 3 fev 2022, 19h40 - Publicado em 3 fev 2022, 19h16

O Ibovespa bem que tentou, mas não conseguiu resistir ao mau-humor americano nesta quinta-feira. Não foi sem motivo. As ações da Meta (ex-Facebook) despencaram como nunca em Nova York após a divulgação do balanço trimestral da empresa, considerado para lá de decepcionante pelos investidores. E levaram com elas outros papéis do setor de tecnologia.

Em um dia, a empresa de Zuckerberg perdeu US$ 240 bilhões em valor de mercado (foi de quase US$ 900 bilhões para pouco mais de US$ 660 bilhões). É um tombo sem precedentes na história do mercado financeiro – o equivalente a quase todo o valor de mercado da Disney desaparecendo de uma hora para outra. Antes, o maior derretimento em um único dia tinha sido da Apple, em setembro de 2020, quando a empresa da maçã perdeu US$ 182 bi em valor de mercado.

O gatilho para o apocalipse da big tech foi a divulgação do seu balanço trimestral referente ao último trimestre de 2021, que aconteceu ontem depois do fechamento. Os números decepcionaram, e levaram investidores a se perguntarem: será o fim da era de ouro da gigantesca Facebook?

O que mais afetou o humor do mercado foi o número de usuários das redes sociais da empresa (que detém, além do próprio Facebook, o Instagram e o WhatsApp). O total de gente usando esses apps ficou estável pela primeira vez após anos de crescimento contínuo. Considerado apenas o Facebook, a quantidade caiu de 1,930 bilhão para 1,929 bilhão. Os números indicam que a empresa, conhecida por seu potencial de crescimento, pode ter atingido seu teto de usuários.

O lucro, aliás, também decepcionou: foi 8% menor na comparação anual. Justamente quando a Meta se prepara para fundar o “metaverso”, o ambicioso plano da empresa de transformar a internet num grande ambiente virtual 3D, capaz de substituir o nosso ambiente real.

Zuckerberg admitiu que a empresa enfrenta tempos nublados enquanto a concorrência aumenta. A “concorrência” aqui tem nome e sobrenome: TikTok, cada vez mais popular no mundo. A aposta do Instagram de competir no setor de vídeos curtos, o Reels, ainda não bate de frente com o app chinês.

Há um quê de ironia no fato de que a competição ajude a derrubar a Meta justamente agora que ela enfrenta um outro desafio: o aperto do cerco regulatório de governos que acusam a empresa de ser um monopólio. E que devem começar a cortar as asinhas da gigante de tecnologia. Explicamos em detalhes todas as pedras no meio do caminho da Meta neste texto.

De qualquer forma, nesta quinta-feira todos os problemas se juntaram para puxar as ações da empresa para o fundo do poço. E o mau-humor contaminou tudo, com destaque para outros papéis de tecnologia. O S&P 500, maior e mais importante índice acionário americano, teve perda de 2,44% hoje. O Nasdaq, que concentra as ações das techs, despencou ainda mais: -3,74%. Foi o pior dia para o índice desde setembro de 2020.

Não só os resultados da Meta foram decepcionantes como também o cenário não está bom para as techs. Em março, o Fed, banco central americano, vai começar a aumentar os juros nos EUA, uma medida que combate a inflação galopante, mas também esfria a economia – e machuca principalmente as empresas com alto potencial de crescimento, como é o caso das techs. Por isso mesmo o índice Nasdaq já acumula perda de 12% ano ano.

Nesse cenário já desfavorável, essas empresas teriam que apresentar resultados robustos para convencer os investidores de que conseguiriam passar pela tempestade de forma um pouco mais tranquila. Foi o que aconteceu com a Alphabet (Google), com a Microsoft e com a Apple, que superaram as expectativas do mercado e garantiram altas nas bolsas quando divulgaram seus balanços. Mas não foi o caso da Meta. Quem fecha o ciclo dos resultados da big tech agora é a Amazon, que divulgou seus números depois do fechamento de hoje (spoiler: seus papéis sobem 17% no after hours lá em Nova York).

Juros em alta

Por falar em juros, hoje também foi o dia do Banco da Inglaterra (BoE) divulgar sua decisão sobre o juros no país europeu. O órgão, que já havia aumentado a taxa em dezembro do ano passado, subiu os juros para 0,50%, de 0,25%. Chamou atenção que muitos membros do banco central gostariam de um aumento ainda maior (para 0,75%), citando preocupações com a inflação. O BoE assim se destaca entre os bancos centrais do mundo desenvolvido na postura mais agressiva.

Seu primo, o Banco Central Europeu, por sua vez, foi novamente na contramão. O banco central da União Europeia não aumentou os juros, apesar da inflação recorde – como já era esperado pelo mercado. Ainda assim, Christine Lagarde engrossou o tom contra o aumento dos preços, e o mercado entendeu que o órgão pode começar a ser mais agressivo em sua política monetária ainda este ano.

Por aqui, o pregão ocorreu no primeiro dia com a Selic em dois dígitos. Nada que tenha assustado o mercado – tanto que a queda aqui foi bem mais modesta do que nos EUA, a -0,18%. O destaque negativo também ficou com as  techs, com a Locaweb liderando as maiores perdas (veja abaixo).

Até amanhã!

Maiores altas

Ultrapar (UGPA3): 3,20%

Americanas (AMER3): 2,53%

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TIM (TIMS3): 2,28%

Copel (CPLE6): 2,25%

Yduqs (YDUQ3): 2,18%

Maiores baixas

Locaweb (LWSA3): -7,51%

Mafrig (MRFG3): -7,40%

Banco Inter – Units (BIDI11): -6,89%

Cielo (CIEL3): -6,01%

Embraer (EMBR3): -4,35%

Ibovespa: -0,18%, aos 111.695

Em Nova York

S&P 500: -2,44%, aos 4.477 pontos

Nasdaq: -3,74%, aos 13.878 pontos

Dow Jones: -1,46%, aos 35.110 pontos

Dólar: 0,36%, a R$ 5,2954

Petróleo

Brent: 1,83%, a US$ 91,11

WTI: 2,28%, a US$ 90,27

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