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Fed agrada ao mercado e bolsas fecham em alta nos EUA. Vale e Petro, porém, travam o Ibovespa

Banco Central dos EUA anuncia corte brando nos estímulos e manutenção do juro zero a perder de vista. Dólar cai a R$ 5,58 e 76 das 91 ações do Ibovespa fecham em alta. Mesmo assim, o índice fica em meros 0,06%

Por Juliana Américo, Alexandre Versignassi Atualizado em 3 nov 2021, 19h26 - Publicado em 3 nov 2021, 18h17

Desde o início da pandemia, uma dúvida rondava o mercado: até quando o Federal Reserve iria injetar dinheiro na economia dos EUA, na forma de estímulos? Depois de muita especulação e espera, essa dúvida foi sanada. 

O banco central americano confirmou o início do “tapering”, que é a compra de títulos em poder dos bancos para injetar dinheiro novo na economia – até então, elas  estavam em US$ 120 bilhões por mês. 

No final de novembro, esse valor vai mudar: serão US$ 15 bilhões a menos – US$ 10 bilhões em Treasuries , que são os títulos da dívida pública americana,  e US$ 5 bilhões em e ativos lastreados em hipotecas. 

O Fed anunciou que cortes similares devem acontecer nos próximos meses, mas que isso vai depender de como a inflação e o mercado de trabalho vão se comportar. Ou seja, o próximo corte pode ser maior ou menor do que US$ 15 bilhões. 

A notícia agradou o mercado, que sempre quer mais estímulos nessa linha – previa-se que o corte poderia seria maior, na faixa de US$ 20 bilhões ao mês. 

Mas a notícia que o mercado mais gostou mesmo foi outra: sobre a continuidade dos juros baixíssimos nos EUA, perto de zero – a outra ferramenta do Fed para estimular a economia. Jerome Powell, presidente da instituição, deixou claro que não pretende mexer nisso. “Temos espaço para ser pacientes com taxas de juros”, afirmou. Mais: disse até que esse tema nem entrou em discussão no comitê.

E se tem uma coisa que o mercado gosta mesmo é juro baixo: eles tornam os títulos públicos americanos menos atraentes, então entra mais dinheiro na bolsa – o que bomba os preços das ações ao longo do tempo.

Nisso, os indicadores americanos saíram do vermelho ao longo do dia para máximas históricas. O Nasdaq avançou 1,04%, aos 15.811 pontos, enquanto o S&P 500 subiu 0,65%, aos 4.660 pontos.

E o dólar caiu. Os juros baixos diminuem a procura por títulos americanos – e você precisa de dólares para comprar esses títulos. Então a demanda por dólares diminui. Resultado: a moeda americana perdeu 1,42% em relação ao real. Fechou cotada a R$ 5,5897.  

O Ibovespa poderia ter aproveitado o bonde otimista. E boa parte dele o fez.. Das 91 ações que compõem o índice, 76 terminaram em alta. Mesmo assim, fechou zerado: 0,06%, aos 105.616 pontos. 

O problema é que entre as maiores baixas estavam Vale e Petrobras, que pesam no índice. 

A mineradora liderou as perdas do dia, com queda de 7,34%. Já a Usiminas, Gerdau Metalúrgica e CSN seguiram de perto, caindo 5,19%, 4,48% e 4,28%, respectivamente. 

A Petrobras (-4,14%) caiu junto com o petróleo (-3,22% o WTI; e -3,63% o tipo Brent) após alta nos estoques americanos. Se há muito barril guardado, o preço cai. E há: os estoques fecharam a semana em 3,29 milhões de barris, ante previsão de 1,5 milhão.

Ata do Bacen

O nosso Banco Central também esteve na agenda de hoje. Ele deu um puxãozinho de orelha no governo em relação aos riscos fiscais na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que elevou a Selic ao patamar de 7,75% ao ano. 

Segundo o documento, o comitê avalia que as discussões sobre estourar ou não o teto de gastos estão atrapalhando o controle da inflação. A autoridade monetária projeta a inflação para o próximo ano em 4,1% – ante os 3,7% considerados anteriormente e acima dos 3,5% do centro da meta.

Adendo: as projeções do Copom para a inflação em 2021 são de 9,5%. Mas se formos considerar o IPCA de setembro, em 12 meses a alta nos preços já chegou em 10,25%. Essa é a primeira vez que a inflação passa de 10% desde fevereiro de 2016. 

Isso tudo fez o BC adotar uma postura hawkish (agressiva). Ou seja, a taxa básica de juros vai subir mais e vai se manter elevada por um tempo. O JP Morgan estima que a Selic deve subir mais 1,5 ponto percentual no mês de dezembro, e engatar mais duas altas de 1 pp logo no começo de 2022. Com isso, a taxa chegaria a 11,25%. 

Americanas

Na bolsa, as altas do dia foram lideradas pela Lojas Americanas. As ações da empresa dispararam 13,92% após anunciar uma reorganização societária. 

A Americanas SA vai absorver a Lojas Americanas e cada acionista de #LAME 3 e #LAME4 vai receber 0,186 ação de #AMER3. Acontece que a os papéis da Americanas SA valem R$ 33,27. Significa que os acionistas vão receber R$ 6,18. E isso é mais do que as ações da Lojas Americanas valem mesmo depois da alta de hoje: R$ 5,78. Ou seja: subiu pouco, até.

Risco fiscal

Em Brasília, a expectativa é sobre o desfecho para a proposta de emenda à constituição dos precatórios. O presidente da Câmara, Arthur Lira, convocou uma sessão para discutir o futuro da PEC, imaginada para viabilizar parte dos gastos com o Auxílio Brasil.   

O plano é que ela aconteça nesta noite. São necessários, pelo menos, 308 votos a favor do total de 513 deputados. Para o mercado, a aprovação seria vista como algo positivo, já que a pedalada nos precatórios evitaria um rombo maior no teto de gastos. A ver.

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Até amanhã!

 

Maiores altas

Lojas Americanas (LAME4): 13,92%

Locaweb (LWSA3): 9,39%

Grupo Soma (SOMA3): 9,05%

Tim (TIMS3): 8,55%

Petz (PETZ3): 8,49%

Maiores baixas

Vale (VALE3): -7,34%

Bradespar (BRAP4): -6,96%

Usiminas (USIM5): -5,19%

Gerdau Metalúrgica (GOAU4): -4,64%

Pão de Açúcar (PCAR3): -4,32%

Ibovespa: 0,06%, aos 105.616 pontos

Em NY:

S&P 500: 0,65%, aos 4.660 pontos

Nasdaq: 1,04%, aos 15.811 pontos

Dow Jones: 0,29%, aos 36.157 pontos

Dólar: -1,42%, a R$ 5,5897

Petróleo

Brent: -3,22%, a US$ 81,99

WTI: -3,63%, a US$ 80,86

Minério de ferro: 4,52%, US$ 100,10 no porto de Qingdao (China)

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