Oferta Relâmpago: Revista Impressa por R$ 9,90/mês e ganhe descontos e cashback.

Chega de negligenciar. Felicidade é coisa séria!

O que realmente importa para nós e como podemos cultivar essa sensação de significado em nossas vidas?

Por Henrique Bueno, em colaboração especial para a Você S/A* 5 jun 2024, 18h28 | Atualizado em 4 jun 2026, 18h01
-
 (Maskot/Getty Images)
Continua após publicidade

Dados do Relatório Mundial da Felicidade, publicado pela ONU, em 2023, mostram que a Finlândia lidera o ranking de países mais felizes, pelo sexto ano consecutivo, sendo o Afeganistão e o Líbano os últimos colocados.

O motivo da variação ser tão latente está relacionado a seis variantes: o produto Interno Bruto (PIB) per capita, que reflete a riqueza média de um país; o apoio social, relacionado à presença de redes de suporte, como família e amigos; a expectativa de vida saudável, indicando a qualidade de vida e saúde da população; a liberdade para tomada de decisões e a autonomia individual; a generosidade, considerando os atos de caridade e solidariedade e a ausência de corrupção, referente a confiança nas instituições públicas. O Brasil caiu 11 posições, indo do 38º em 2022 para o 49º lugar em 2023.

Apesar de ser um tema cada vez mais debatido, a felicidade

Continua após a publicidade

 já é objeto de estudo científico há mais de 25 anos, e há muito mais tempo por outras áreas do conhecimento, como, por exemplo, a filosofia. No livro “Em Busca de Sentido”, escrito pelo alemão Viktor Frankl, em 1946, enquanto sofria a vida de um detento em um campo de concentração durante a Segunda Guerra Mundial, foi difundida a “logoterapia”. Hoje reconhecida e aplicada internacionalmente pela psicologia clínica, trata-se de uma Análise Existencial (LTEA), que tem como foco a busca pelo sentido da vida.

É baseada em dados empíricos com três pilares: fenomenologia, que estuda os fenômenos sem preconceitos; o humanismo, que coloca os seres humanos como elementos principais em uma escala de importância; e o existencialismo, que analisa a existência humana com foco na autorresponsabilidade e autorrealização.

Vamos refletir: o que realmente importa para nós e como podemos cultivar essa sensação de significado em nossas vidas? Pessoas que têm um senso de significado e propósito em suas vidas tendem a ser mais felizes. E quando estamos felizes, nosso sistema imunológico é fortalecido, nosso estresse diminui e nossa qualidade de vida melhora. 

Continua após a publicidade

O artigo “Pessoas felizes vivem mais”, de Diener e Chan, indica que o bem-estar subjetivo, incluindo satisfação com a vida, otimismo e emoções positivas, está relacionado com uma melhor saúde e maior longevidade. Os estudos longitudinais mostram que o afeto positivo está associado a esses benefícios, independentemente da saúde e status socioeconômico inicial. 

Quando estamos felizes, nosso sistema imunológico é fortalecido, nosso estresse diminui e nossa qualidade de vida melhora.

Continua após a publicidade

Publicado na revista Clinical Psychology Review em 2011, o artigo “Efeitos da atenção plena na saúde psicológica: uma revisão de estudos empíricos”, relata que o mindfulness está associado a um maior bem-estar subjetivo, redução de sintomas psicológicos e menor reatividade emocional. Intervenções baseadas na metodologia, como programas de treinamento, estão correlacionados a um maior bem-estar subjetivo, redução de sintomas de ansiedade e depressão, e melhoria na regulação comportamental. 

Durante as aulas ministradas ao lado do professor Tal Ben-Shahar, na Centenary University, visualizei um impacto positivo na vida de muitas pessoas, principalmente por difundirmos a criação de uma cultura da felicidade

Continua após a publicidade

. Organizações, comunidades e países podem promover a felicidade ao adotar políticas e práticas que priorizem o bem-estar de seus membros. Isso inclui investir em educação emocional, promover a resiliência e criar ambientes que incentivem o florescimento humano. 

O bem-estar subjetivo, incluindo satisfação com a vida, otimismo e emoções positivas, está relacionado com uma melhor saúde e maior longevidade.

Existem, inclusive, estudos dedicados a profissionalizar e construir especialistas para trabalharem esse assunto, como a Certificação em Estudos da Felicidade

Continua após a publicidade

, uma formação de 12 meses traduzida ao português e em breve com peso de pós-graduação no Brasil. 

A felicidade é uma questão séria. Ela não deve ser negligenciada nem tratada como algo trivial. Dela dependem uma série de indicadores humanos que moldam a qualidade de vida, a saúde mental, o bem-estar e a vida profissional. Enxergar a felicidade como meta de bem-estar de uma nação, não é mais uma opção: é um caminho obrigatório. 

Convido a todos a explorar essa jornada interior, a buscar significado e a cuidar de nossa saúde mental. Afinal, a Felicidade não é apenas um destino, mas sim uma jornada constante de autodescoberta e realização. 

*Henrique Bueno é professor-adjunto do primeiro mestrado global em estudos da felicidade, ministrado pelo professor Tal Ben-Shahar na Centenary University,  além de fundador do Wholebeing Institute no Brasil e em Portugal e da Felicidade Academy. 

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

10 grandes marcas em uma única assinatura digital