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Cris Kerr Por VOCÊ S/A Cris Kerr é CEO da CKZ Diversidade, consultoria especializada em Inclusão & Diversidade, professora da Fundação Dom Cabral, Mestra em Sustentabilidade e idealizadora do 10º Super Fórum Diversidade & Inclusão.

Como os vieses de gênero prejudicam a carreira das mulheres

De forma inconsciente atribuímos características às mulheres que dificultam a chegada das profissionais aos altos cargos das empresas.

Por Cris Kerr, colunista de VOCÊ S/A Atualizado em 20 nov 2020, 12h35 - Publicado em 20 nov 2020, 12h00

Os vieses inconscientes criam uma barreira invisível, que dificulta o avanço da carreira das mulheres e, por outro lado, favorece a dos homens. Reconhecê-los é importante para que a liderança consiga desenvolver um olhar mais inclusivo e valorizar, enfim, os talentos femininos nas empresas.

As crenças inconscientes têm potencial de prejudicar pessoas de grupos minorizados em diversas esferas da vida e, no mundo do trabalho, muitas vezes são responsáveis por estagnar a trajetória de profissionais excelentes.

Entre os vieses que mais prejudicam o avanço das mulheres em suas carreiras está o de maternidade. É quando caracterizamos as profissionais que são mães como menos competentes ou menos comprometidas com o trabalho. No entanto, quando os homens se tornam pais acontece o oposto. Eles são considerados ainda mais responsáveis e envolvidos com o trabalho.

Outro viés bastante comum é o do desempenho. Existe uma tendência maior a acreditar que os homens são potenciais talentos e valorizar mais o trabalho deles. Enquanto isso, as mulheres muitas vezes têm seu trabalho subestimados e, constantemente, precisam provar que são competentes no que fazem.

As áreas de STEM (Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática), por exemplo, são tradicionalmente estereotipadas como ramos de domínio masculino. Este é o viés de percepção, uma crença, sem bases concretas, de que os homens são mais habilidosos quando o assunto são números. Isso desmotiva e afasta as mulheres das áreas de exatas, seja por falta de identificação, seja por enfrentarem preconceito quando desbravam esses segmentos.

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Até o perfil de liderança valorizado nas empresas ainda está muito associado aos estereótipos masculinos. A exposição a eles começa na infância e é reforçada ao longo da vida. Os homens aprendem desde pequenos que devem ser corajosos e racionais e não podem mostrar emoção. As mulheres, por outro lado, podem ser emotivas. Logo, associamos, de forma inconsciente, que os homens são fortes e racionais — e as mulheres são fracas e emocionais.

Como consequência, aos homens são frequentemente atribuídos características como: assertividade, confiança, ambição, dominância, independência, autossuficiência e agressividade. Já as mulheres são automaticamente caracterizadas como carinhosas, colaborativas, prestativas, gentis, intuitivas e compreensivas. Quando um (ou outro) foge dessa imagem é hostilizado.

Em função de tudo isso, é urgente e necessário abordarmos a questão de viés de gênero, pois sabemos que ele existe e representa uma grande barreira que impede as mulheres de alcançarem os altos cargos de liderança. Importante pontuar que, quanto mais sobreposição de identidades existirem em um profissional, por exemplo, quando falamos de mulheres negras, transgêneros, lésbicas e com deficiência, maior a dificuldade e os vieses enfrentados.

As empresas sustentáveis e com visão de futuro precisam investir nessa mudança de padrão e existem inúmeras alternativas para isso, como treinamentos e workshops continuados. O processo de tomada de consciência sobre o impacto negativo dos vieses de gênero é fundamental para que as pessoas entendam como as crenças, preconceitos e estereótipos influenciam negativamente nas suas tomadas de decisões. E como, mesmo inconscientemente, estamos dificultando a chegada de mulheres ao topo das organizações.

Arte/VOCÊ S/A
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