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Taxa de R$ 14 na conta de luz puxa ações do setor elétrico

Enquanto os consumidores apagam as luzes, empresas de energia começam setembro com pé direito e impulsionam o Ibovespa em dia de queda do PIB.

Por Juliana Américo, Tássia Kastner 1 set 2021, 18h06

Enquanto os consumidores estão se desdobrando para economizar energia, as empresas do setor elétrico fizeram uma festa na bolsa. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e o Ministério de Minas e Energia anunciaram ontem uma nova bandeira tarifária, batizada de “bandeira de escassez hídrica”. E esse foi o sinal verde para alta das ações do setor. 

A “escassez hídrica” vai substituir a bandeira vermelha 2. Agora, a cobrança extra a cada 100 quilowatts-hora consumidos (kWh) será de R$ 14,20. Até ontem, a cobrança extra estava em R$ 9,49. O novo valor começa a valer já no mês de setembro e ficará em vigor até abril do ano que vem. 

Esse valor extra ajuda a pagar o custo da pior estiagem dos últimos 91 anos. Com pouquíssima água nos reservatórios das hidrelétricas, o governo precisa aumentar a importação de energia de países vizinhos, como Argentina e Uruguai (que, por sinal, também sofrem com a seca), e acionar as termelétricas. Essas alternativas são mais caras do que a produção nas hidrelétricas nacionais, e quem paga por isso é o consumidor. A estimativa da Aneel é de que o impacto na conta de luz seja de 6,78%.

Bem, o aumento na sua conta de luz funcionou como um alívio disseminado para as empresas do setor elétrico. Subiram ações de geradoras (que sofrem com a falta d’água para produzir), transmissoras (que transportam a energia) e distribuidoras (aquelas que não vão gostar se você conseguir reduzir o consumo de luz, como quer o governo).

Das geradoras, o destaque ficou com a Copel (3,80%), seguida pela Eneva (3,70%), Engie (3,57%), Cemig (3,40%), Eletrobras (ELET3 2,50%; ELET6 2,54%) e EDP (1,63%). Só a CPFL ficou no negativo (-5,61%). 

Já entre as distribuidoras, a Equatorial ficou entre as maiores altas (3,58%). A Energisa foi mais modesta: +1,31%. 

Fora do Ibovespa, mais altas. AES Brasil (1,05%), Cesp (0,38%), Ômega (5,55%) e Taesa (0,53%) também avançaram. Isso é que se chama de alta de bloco.

Apagão?

O custo extra nas contas não afasta completamente o risco de apagões ou mesmo de um racionamento. Bento Albuquerque, o ministro de Minas e Energia, nega essa possibilidade e insiste em dizer que o país tem oferta de energia suficiente para atender a demanda. A economia deve ser feita de forma voluntária, não usando ferro de passar (quem ainda usa?). 

Escanteado do governo, o vice-presidente Hamilton Mourão afirmou, em conversa com jornalistas, que existe sim a possibilidade de racionamento. 

“O que eu tenho acompanhado é que o governo tomou as medidas necessárias: criou uma comissão para acompanhar e tomar as decisões a tempo e a hora no sentido de impedir que haja apagão. Agora, pode ser que tenha que ocorrer algum racionamento. O próprio ministro falou isso, né?”, disse o vice, contradizendo completamente Albuquerque. 

O Itaú estima que o risco de racionamento no país subiu de 5% para 10%. E que a redução no consumo de energia poderá afetar o crescimento da economia, mais uma péssima notícia depois do dia de hoje.

PIB

O mercado esperava que o PIB brasileiro tivesse registrado um leeeeve crescimento no segundo trimestre. Hoje o IBGE mostrou ao país que, na verdade, houve queda de 0,1%, quando comparado com os primeiros três meses do ano. 

A maior contração no 2ºTRI foi da agropecuária – que registrou queda de 2,8%, dentro do esperado –, seguida pela indústria, que retraiu  0,2% por causa da falta de insumos. Já o setor de serviços cresceu 0,7%. 

O mercado respondeu com volatilidade ao indicador. Teve um momento de queda, mas depois que os investidores digeriram os números, o Ibovespa virou para o positivo: alta de 0,52%, aos 119.395 pontos.

Reforma administrativa

Com tudo empacado em Brasília e crise pulando de tudo que é lugar, a Câmara dos Deputados está tentando fazer andar a reforma administrativa andar. Hoje o relatório da reforma foi lido hoje na Comissão Especial, e o texto poderá será votado na semana do dia 14, de acordo com o líder do governo na Câmara, Ricardo Barros.

A proposta amplia a possibilidade de contratação de funcionários públicos por um prazo determinado. A ideia é que o processo seja simplificado e mais flexível do que os concursos públicos, sendo que os contratos não devem passar de dez anos. 

O serviço público precisa mesmo de mudanças, o lance é que a energia para aprovar uma proposta tem se movido ao sabor do lobby. A Câmara tenta fazer andar esse tema enquanto busca uma solução para a reforma do IR, um texto que foi capaz de desagradar absolutamente todo mundo. 

Emprego nos EUA

Lá nos EUA foi dia do relatório da ADP (uma empresa que administra as folhas de pagamentos de boa parte das companhias americanas) sobre o mercado de trabalho. E os números não são dos mais animadores: foram abertas 374 mil vagas de empregos no setor privado em agosto. 

É uma quantia maior do que os 330 mil registrados em julho (que, inclusive, foi revisado para 326 mil), mas está bem abaixo da expectativa de 613 mil.

Esses números da ADP são um esquenta para sexta-feira (3), que é quando sai o dado oficial de emprego americano, também conhecido como payroll. Ele inclui também o número de empregos no setor público e é um dos indicadores nos quais o Federal Reserve se baseia para decidir o rumo da sua política econômica. Basicamente, o banco central americano está esperando a taxa de desemprego melhorar para reduzir a compra de títulos que vem injetando US$ 120 bilhões na economia.  

A expectativa é de que 750 mil vagas tenham sido criadas no mês passado (é uma quantia menor do que os 943 mil de julho), e que a taxa de desemprego tenha caído a 5,2%.

Wall Street fechou com um índice para cada lado: o Nasdaq subiu 0,33%, aos 15.309 pontos. Já o S&P 500 ficou estável (+0,03%), aos 4.524 pontos. E o Dow Jones caiu 0,13%, aos 35.313 pontos. 

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Usiminas

De volta para o Brasil: a siderúrgica liderou as perdas do dia. A empresa despencou mais de 8%, seguindo o minério de ferro. O preço do produto despencou mais de 6%.

Acontece que a atividade industrial da China está desacelerando. O PMI (que é o índice que mede a atividade econômica) caiu para 50,1 pontos em agosto – é o menor valor registrado desde abril de 2020. Isso coloca todo o setor de mineração e metalurgia em alerta, já que a China é um dos maiores consumidores de commodities do mundo.

Além da Usiminas, outras do setor que também fecharam no negativo foi a Metalúrgica Gerdau (-1,55%) e a Gerdau (-0,35). As demais empresas, incluindo a Vale, até começaram no vermelho, mas viraram o jogo ao longo do dia. 

Não é todo mundo que dá sorte de ter uma bandeira de emergência para surfar.

Maiores altas

Marfrig: 4,88%

Americanas: 4,13%

Copel: 3,80%

Eneva: 3,70%

Equatorial: 3,58%

Maiores baixas

Usiminas: -8,06%

CPFL: -5,75%

Cielo: -3,14%

PetroRio: -2,71%

Inter: -2,27%

Ibovespa: alta de 0,52%, aos 119.395 pontos

Em NY:

S&P 500: estável em +0,03%, aos 35.313,22 pontos

Nasdaq: alta de 0,33%, aos 15.309 pontos

Dow Jones: baixa de 0,13%, aos 35.313 pontos

Dólar: alta de 0,20%, a R$ 5,1824

Petróleo

Brent: estável em -0,06%, a US$ 71,59

WTI: alta de 0,13%, a US$ 68,59

Minério de ferro: queda de 6,66%, US$ 143,43 no porto de Qingdao (China)

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