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Medo de estagflação derruba setor de mineração (e o Ibovespa todo)

Ações da Vale caíram 3,44%. Enquanto isso, todo mundo revisa – para baixo – suas projeções do crescimento mundial em 2022.

Por Bruno Carbinatto Atualizado em 8 jun 2022, 18h18 - Publicado em 8 jun 2022, 18h06

Em dias que as ações da Vale, a companhia com maior peso na bolsa brasileira, figuram entre as maiores baixas, fica difícil para o Ibovespa se sustentar no azul. Seria preciso um cenário de puro bom humor para isso – exatamente o contrário do atual.

O índice fechou com queda de 1,55% nesta quarta-feira, com o setor de siderurgia e mineração pesando. Além da Vale, que caiu 3,44%, protagonizaram o lado vermelho do índice as ações da CSN (-4,93%), Gerdau (-4,90%), Gerdau Metalúrgica (-3,13% ) e Usiminas (-4,32%).

Embora hoje não tenha registrado nenhuma novidade específica que justifique o movimento, os últimos tempos não estão favoráveis ao setor. A semana tem sido marcada por uma série de revisões de projeções que indicam um menor crescimento para 2022 e para os próximos anos, além do risco crescente de um longo período de estagflação – quando não há crescimento econômico e a inflação continua alta. 

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Na semana passada, nomes importantes – como Elon Musk e os presidentes dos bancões americanos JP Morgan e Goldman Sachs – injetaram boas doses de pessimismo no mercado com suas afirmações que tempos sombrios para a economia estão chegando. Agora, as grandes organizações da economia mundial também contribuem para o mau humor.

Ontem, o Banco Mundial reduziu sua estimativa para o crescimento da economia global neste ano, de 4,1% para 2,9%. Para 2023, a projeção caiu de 3,2% para 3%. Para 2024, também 3%. Hoje, foi a vez da OCDE fazer o mesmo: de 4,5% previstos anteriormente para os atuais 3,0%. Para 2023, a previsão é que o PIB mundial cresça 2,8%.

O FMI (Fundo Monetário Internacional) ainda não divulgou suas novas estimativas, mas a economista-chefe do órgão, Gita Gopinath, já adiantou que haverá uma “redução significativa” nas suas projeções de crescimento da economia mundial. Em abril, o fundo já revisou o número deste ano de 4,4% para 3,6%.

O Banco Mundial, aliás, foi além e disse que o risco de estagflação está alto, citando que as condições da economia atual se parecem muito com os da década de 1970, quando o mundo passou por uma onda de estagflação. Entre as semelhanças do período está o alto preço do barril de petróleo, que atualmente se mantém subindo por causa da guerra na Ucrânia. Hoje mesmo o tipo Brent valorizou 2,50%, acima dos US$ 120, reforçando as preocupações inflacionárias.

Outro ponto citado por todo mundo nas revisões é o fator China: os lockdowns desse ano foram inesperados e duraram mais do que o normal, o que deve causar estrago duradouro na cadeia de produção global e esfriar bastante a economia mundial. É aqui, especialmente, que as siderurgicas e mineradoras mais sangram, já que dependem da demanda do país asiático por crescimento.

O medo da estagflação também derrubou as bolsas americanas, que tiveram mais um dia de espera no mau humor (veja abaixo). Na sexta-feira sai o dado mais aguardado da semana: o CPI, índice que mede a inflação ao consumidor americano. Há quem espere que o número mostre que o aumento dos preços por lá chegou a seu pico e agora vai começar a cair. Mas nem todos compartilham dessa esperança. De qualquer modo, até os mais otimistas sofrem com a perspectiva do Fed agressivamente aumentando os juros nos próximos meses.

Eletrobras 

Do outro lado, dos ganhos, o destaque ficou para os papéis da Eletrobras. A ELET3 fechou em alta de 0,81%, e a ELET6, 0,68%

Terminou hoje, ao meio-dia, o prazo de reserva de ações da empresa com dinheiro do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço).

Segundo apuração do Estadão, a demanda de investidores para a compra das ações ficou em torno de R$ 7,5 bilhões, acima do teto de R$ 6 bilhões estabelecido pelo governo, o que significa que haverá rateio (ou seja, as fatias destinadas serão menores do que as manifestadas na hora da reserva das ações).

A precificação das ações está prevista para ocorrer amanhã. Até lá.

Maiores altas

Qualicorp (QUAL3): 3,20%

Hapvida (HAPV3): 3,07%

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Cogna (COGN3): 2,41%

Via (VIIA3): 2,38%

Petrorio (PRIO3): 1,79%

Maiores baixas

WEG (WEGE3): -5,93%

CSN (CSNA3): -4,93%

Gerdau (GGBR4): -4,90%

Usiminas (USIM5): -4,32%

Locaweb (LWSA3): -3,58%

Ibovespa: -1,55% aos 108.367 pontos

Em Nova York

S&P 500: -1,08%, aos 4.115 pontos

Nasdaq: -0,73%, aos 12.086 pontos

Dow Jones: -0,81%, aos 32.910 pontos

Dólar: 0,33%, a R$ 4,8901

Petróleo

Brent: 2,50%, a US$ 123,58 

WTI: 2,26%, a US$ 122,11

Minério de ferro: -0,31%, cotado a US$ 145,84 a tonelada no porto de Qingdao (China)

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