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Maior inflação para março na história do real derruba Ibovespa

IPCA do mês foi de 1,62%, bem acima das previsões. Mercado agora aposta que a Selic não deve parar de subir tão cedo.

Por Bruno Carbinatto Atualizado em 8 abr 2022, 18h07 - Publicado em 8 abr 2022, 17h57

O mercado não gosta de errar em suas previsões – ainda mais quando a realidade se mostra pior do que suas projeções. Foi o que aconteceu nesta sexta-feira (08). Pela manhã, o IBGE divulgou o Índice de Preços ao Consumidor (IPCA), principal medidor da inflação no país. O consenso dos analistas apontava para uma alta significativa, de 1,35%. Mas o baque da realidade causou um certo caos no mercado.

O IPCA de março subiu para 1,62%, de 1,01% em fevereiro – e bem acima do esperado. É o IPCA mais elevado desde janeiro de 2003, quando o número foi de 2,25%.

Para o mês de março, especificamente, o número está em seu maior patamar desde 1994. Só tem um detalhe. Em 1994, a moeda em circulação era o cruzeiro real e o IPCA do mês de março fechou em 42,75% – você não leu errado. Basicamente, uma outra era geológica. O Plano Real viria a estabelecer as condições normais de temperatura, pressão e inflação em julho daquele ano.

Ou seja: o IPCA de março é o maior para o mês na história do real. Assustador. No acumulado de 12 meses, o número também surpreende: 11,30%, a maior desde 2003.

A notícia apagou qualquer resquício de otimismo com a volta da bandeira verde anunciada pelo governo para o dia 16 de abril, o que deve aliviar a conta de energia e poderia ter algum impacto positivo na inflação. Mas, na prática, as expectativas agora é que a medida tenha impacto mínimo ou até nulo no aumento dos preços.

O timing também é importante. O Banco Central vem aumentando os juros desde março do ano passado para enfrentar a inflação – nos primeiros meses da pandemia, a taxa ficou no seu menor patamar histórico, aos 1,90% ao ano. De lá para cá, a taxa já passou por nove aumentos consecutivos e está em 11,75%. Na última reunião, o BC já adiantou que vem mais uma alta em maio, de um ponto percentual. 

Acontece que muita gente apostava que o ciclo de altas pararia por aí, com a taxa aos 12,75%. E até Roberto Campos Neto, o presidente do BC, já tinha dado sinais nessa direção. A surpresa negativa com a inflação de março, porém, veio para frear essa esperança.

Analistas e bancos correram para rever suas projeções da inflação e da Selic para 2022. Há quem fale de IPCA a 8%, dos 7% projetados inicialmente, e Selic próxima, ou até além, dos 14%. 

Juros altos machucam a renda variável como um todo, mas as varejistas e as techs são especialmente afetadas porque, no caso das techs, o potencial de crescimento é afetado pelo crédito mais caro, e, no caso das varejistas, o poder de compra da população diminui. E foram esses dois grupos que justamente figuraram entre as maiores baixas do Ibovespa nesta sexta-feira com a expectativa de uma inflação persistente: Via -7,93%, Americanas -7,72%, Magalu -6,55% e Méliuz -4,66%.

Com isso, o Ibovespa fechou a sexta-feira em queda de 0,45%. Na semana, o índice perdeu 2,67%.

Bom fim de semana e até segunda feira.

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Maiores altas

Eletrobras ON (ELET3): 5,30%

Eneva (ENEV3): 4,05%

Eletrobras PNB (ELET6): 4,00%

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Marfrig (MRFG3): 3,84%

Cielo (CIEL3): 3,64%

Maiores baixas

Via (VIIA3): -7,93%

Americanas (AMER3): -7,72%

Magazine Luiza (MGLU3): -6,55%

CVC Brasil (CVCB3): -5,00%

Méliuz (CASH3): -4,66%

Ibovespa: -0,45%, aos 118.322 pontos

Em Nova York

S&P 500: -0,26%, aos 4.488 pontos

Nasdaq: -1,34%, aos 13.711 pontos

Dow Jones: 0,40%, aos 34.723 pontos

Dólar: 0,67%, a R$ 4,7089

Petróleo

Brent: 2,19%, a US$ 102,78 

WTI: 2,32%, a US$ 98,26

Minério de ferro: -0,34%, cotado a US$ 142,98 por tonelada no porto de Qingdao (China)

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