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Ibovespa bate recorde (de novo) e chega nos 129 mil pontos pela primeira vez

Petro e bancos ajudam bolsa a conquistar sexto dia seguido de alta, e o dólar despencou para R$ 5,08. Mas enquanto investidor está otimista, baixo nível de produção industrial preocupa.

Por Juliana Américo, Tássia Kastner Atualizado em 2 jun 2021, 18h52 - Publicado em 2 jun 2021, 18h41

Na terceira, pede música no Fantástico. Mas e quando o Ibovespa bate o quarto recorde seguido? A nossa sugestão é “Another day”, do Paul McCartney. A confiança do investidor está tão inabalável essa semana que até já bateu um tédio. Sabe como é: a gente gosta é de fogo no parquinho, uns dias de baixa entre as altas para variar. Depois de seis pregões consecutivos de ganhos, a bolsa brasileira atingiu pela primeira vez os 129 mil pontos. O dólar, quem diria, caiu a R$ 5,0841.

Para conseguir esse feito, o indicador se apoiou nas blue chips. Esse é um apelido que pegaram lá do pôquer; as fichas azuis são as mais valiosas e assim são chamadas as empresas de maior peso na bolsa – ou seja, as gigantes Vale, Petrobras e nos bancos. A mineradora subiu 1,41%, acompanhando a alta de 0,25% no minério de ferro, cotado lá no porto de Qingdao (China). 

A Petro também avançou junto com os preços do petróleo e uma captação de dinheiro no exterior. O barril do tipo Brent (referência internacional) registrou alta de 1,56% e o WTI (referência nos EUA) subiu 1,64%. O produto atingiu seu maior nível em dois anos graças às expectativas de melhora na demanda. 

Tanto a Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) quanto a AIE (Agência Internacional de Energia) estão confiantes de que o consumo do petróleo retorne aos níveis pré-pandêmicos em um ano e planejam manter a redução gradual em seus cortes de oferta. A questão é: o preço só é recorde porque a quantidade de petróleo que eles topam vender no mercado ainda é pós-pandêmica, ou seja, restrita.

O rali da commodity ajudou os papéis da companhia (PETR3 4,85%; PETR4 2,75%). Mas não foi só isso. A empresa concluiu nesta quarta-feira (2) uma emissão de títulos no mercado internacional com prazo de 30 anos, por meio da subsidiária Petrobras Global Finance. A taxa deve ficar entre 6,5% e 7%, o que não parece enquanto a Selic está 3,50%, mas é barato. Como comparação, um título público (que é considerado o investimento de menor risco) com vencimento em 2055 paga a inflação (a meta é 3,75%) mais uma taxa de 4,32% ao ano. Ou seja, 8,07% ao ano.

A ideia é que os recursos captados sejam usados para cobrir uma oferta de recompra de até US$ 2,5 bilhões de outros títulos da petroleira no mercado, com vencimento entre 2024 e 2050. 

Em paralelo, a PetroRio também realizou uma emissão de títulos de dívida no mercado internacional. Nesse caso, os papéis têm prazo de cinco anos e taxa acima de 6,5%; o recurso vai ser usado para o refinanciamento de dívidas e reforço de caixa. As ações da petrolífera subiram 3,15%. 

Os bancos, claro, não ficaram de fora do dia positivo: Bradesco tomou a liderança do bloco com alta de 3,55%, seguido pelo Banco do Brasil (3,47%), Itaú (3,37%) e Santander (1,54%). Isso garantiu ao Ibovespa uma alta de 1,04%, aos 129.601 pontos. Bonito

Dólar

E estão deixando a gente sonhar. A moeda americana caiu 1,20%, a R$ 5,0841. Segundo a agência de notícias Reuters, a desvalorização é de 2,70% em apenas dois dias. Dos últimos oito pregões, ela caiu em seis, uma baixa expressiva de 5,06%. 

É na mesma carona do vento otimista que sopra lá na B3. Investidores apostam na recuperação da economia e no aumento de juros para conter a inflação, o que atrai estrangeiros (e dólares) para o país. Além disso, há o cenário americano. Por mais que a economia americana dê sinais de recuperação, nada indica que os juros de lá vão subir tão cedo. Aí, na comparação, a gente fica mais charmoso ainda pros gringos e mais dinheiro pinga aqui

Isso sem falar no bom momento do ciclo de commodities. Quando Petros e Vales da vida vendem mais lá fora, elas geram receita em dólares, o que ajuda a baixar o câmbio por aqui. Economistas afirmam que o valor justo do dólar seria ao redor dos R$ 4,50. 

Com as vacinas chegando (em São Paulo, o governador João Doria afirmou que todos os adultos devem ser vacinados até o fim de outubro) e o dólar caindo, será que finalmente vai ser possível planejar férias?

Bom, mas nem tanto

Essa história de recorde atrás de recorde é divertida (especialmente se você tem ações 🙂 ), o dólar em baixa também. Mas a economia brasileira ainda está fragilizada. O resultado do PIB do primeiro trimestre de 2021 deu uma animada, claro: a economia brasileira cresceu 1,2% – muito à frente da expectativa de 0,9%. 

Acontece que hoje a realidade tem suas incertezas. Segundo o IBGE, a produção industrial caiu 1,3% em abril ante março. É a terceira queda seguida, com perda de 4,4% no período.  

Tudo bem que, quando comparado com o mesmo período de 2020, foi um avançou 34,7% – mas não vamos esquecer que abril do ano passado foi quando toda a atividade econômica caiu (o setor recuou 27,7%, a maior queda já registrada na série histórica). Não é uma alta para se comemorar. A verdade é que a indústria está operando 1% abaixo do patamar de fevereiro de 2020, ou seja, no pré-pandemia. 

Novela dos frigoríficos

O bloco dos frigoríficos voltou a se destacar nas negociações. As ações da Marfrig e BRF avançaram 2,38% e 4,11%, respectivamente, ainda impulsionadas pelos rumores de que a Marfrig continua a comprar papéis da concorrente, duas semanas depois de ter alcançado a marca relevante de 25% de participação. Uma reportagem publicada pelo Brazil Journal afirma que a companhia de Marcos Molina está prestes a cruzar a marca de 30% de participação na BRF. 

A dona das marcas Sadia e Perdigão tem o controle pulverizado, o que significa que não existe um dono da empresa. E para se manter assim, o conselho de administração adota um instrumento chamado de “poison pill”. Se um acionista superar a marca de 33,33% de participação, é obrigado a fazer uma oferta de compra para todos os acionistas. 

Essa investida da empresa de Marcos Molina tem um outro obstáculo: o Cade, responsável pela defesa da concorrência. A situação é dúbia: as duas empresas são do setor de carnes, mas a Marfrig é especializada em bovinos, enquanto o negócio da BRF é com frangos e porcos, então é como se elas fossem frenemies. Molina disse à Reuters ter pedido ao órgão autorização para aumentar a sua participação na BRF. O pedido feito em 28 de maio deve levar pelo menos 30 dias para ser avaliado. 

De maneira geral, o bloco dos frigoríficos se saiu bem no pregão de hoje; a Minerva também fechou no positivo (1,29%). Só a JBS caiu 1,52%. A companhia ainda está lidando com o ataque cibernético que sofreu no domingo (30) e  paralisou as operações de suas processadoras de carne nos EUA, Canadá e Austrália. Parte das atividades voltaram ao normal hoje, mas a empresa informou que está “poupando recursos” para conter a ameaça e voltar a operar completamente. 

EUA em stand-by 

Se está faltando emoção aqui no Brasil, nos Estados Unidos nem se fala. As bolsas americanas fecharam estáveis (veja abaixo), mesmo com a divulgação do Livro Bege – como é chamado o relatório sobre a situação econômica do país. 

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Mas também, não teve muita novidade: o Federal Reserve (banco central de lá) revelou que a economia está acelerando com o avanço da vacinação. Houve alta moderada nas vendas e no emprego, mas ainda falta mão de obra e o custo dos insumos, frete e embalagens está subindo. Por isso, os empresários relatam dificuldade para conseguir elevar a produção. Os preços dos produtos também devem aumentar nos próximos meses. 

Os investidores estão esperando mesmo é o Relatório Nacional de Emprego ADP. Ele mede a geração de novas vagas pela iniciativa privada. Também está previsto para essa semana o Payroll, o relatório que deve revelar o número de desempregados no Estados Unidos. Enquanto esses números não saem, it’s just another day…

E não esqueça: amanhã é feriado de Corpus Christi. Algumas cidades, como São Paulo, adiantaram essa folga lá em março, em uma tentativa de conter o avanço do coronavírus. Mas a B3 manteve o calendário de negociação pré-estabelecido no início do ano e estará fechada. A gente volta com o Fechamento de Mercado na sexta-feira (4). Até lá (com 130 mil pontos)!

Maiores altas

Petrobras (PETR3): 4,85%

Braskem: 4,78%

BRF: 4,11%

Via Varejo: 3,97%

Bradesco (BBDC4): 3,55%

Maiores baixas

B3: -4,01%

Eneva: -3,89%

SulAmérica: -3,40%

Locaweb: -3,08%

Usiminas: -2,83%

Ibovespa: +1,04%, aos 129.601 pontos

Em NY:

S&P 500: +0,15%, aos 4.208 pontos

Nasdaq: +0,14%, aos 13.756 pontos 

Dow Jones: +0,07%, aos 34.600 pontos 

Dólar: queda de 1,20%, a R$ 5,0841

Petróleo

Brent: alta de 1,56%, a US$ 71,35

WTI: alta de 1,64%, a US$ 68,83

Minério de ferro: alta de 0,25%, US$ 209,19 no porto de Qingdao (China)

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