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Gripe aviária no Japão bomba as ações dos frigoríficos

E a aprovação da proposta da LDO fez subir o resto. Agora, o Ibovespa já roça nos 118 mil pontos.  

Por Juliana Américo, Alexandre Versignassi 16 dez 2020, 20h25

Um vírus mexeu com as ações dos frigoríficos. E dessa vez não foi o Sars-CoV-2, mas sim o H5N1 – mais conhecido como Gripe Aviária. Acontece que o Japão está no pior surto da doença já registrado no país. 

Doze das 47 áreas administrativas do país já foram atingidas pela doença e mais de 3 milhões de aves precisaram ser sacrificadas. Com isso, a expectativa é de que as empresas brasileiras aumentem suas exportações de frango para o Japão. Eles já são nosso terceiro maior cliente nessa área – quase empatados com China e Arábia Saudita. 

Não é só isso. A doença também está se espalhando por países da Europa. Os principais casos estão na França, Holanda, Alemanha, Reino Unido, Bélgica, Dinamarca, Irlanda e Suécia. Lá, pelo menos 1,6 milhão de frangos e patos já foram abatidos. 

A China está livre por enquanto. Mas o H5N1 é uma dor de cabeça constante por lá. Em fevereiro, por exemplo, a província chinesa de Hunan abateu e jogou fora 18 mil galináceos para conter uma epidemia que ameaçava se espalhar. 

Caso a doença chegue mesmo à China, a demanda por carne brasileira deve aumentar – não só a de frango, mas a de boi também, já que haveria a substituição de uma proteína por outro no nosso maior parceiro comercial.   

Nisso, os papéis dos frigoríficos foram lá para cima (mesmo os daqueles que só vendem carne vermelha): Minerva (4,26%), Marfrig (3,48%), JBS (3,24%) e BRF (1,83%).

A Minerva também chamou a atenção dos investidores com a sua nova plataforma de e-commerce. Não, ainda não dá para garantir a carne do churrasco direto do frigorífico pela internet. A primeira etapa da implementação do site é voltada para o mercado B2B, de empresa para empresa. Mas a companhia confirmou que, em breve clientes pessoa física também poderão comprar carne pela plataforma. Já pode separar o carvão. 

Saindo dos frigoríficos e indo para os petroquímicos, a Braskem também tem motivos para comemorar. A Odebrecht pretende retomar a conversa com potenciais compradores da sua fatia de 38,3% na Braskem. Isso deve acontecer entre fevereiro e março do ano que vem.

A venda faz parte do plano de recuperação judicial da Odebrecht e essa história começou lá em 2018. Na época, a companhia estava em uma negociação exclusiva com a holandesa LyondellBasell, e a fatia da construtora no negócio valia R$ 18 bilhões. 

A negociação durou um ano e meio até que empacou. O principal motivo foi o problema geológico em Alagoas. Só para refrescar a memória: as atividades de extração da Braskem geraram uma instabilização do solo. O resultado? Quatro bairros inteiros afundaram na capital Maceió e 9 mil casas foram interditadas. O prejuízo foi enorme. Tanto que o custo para resolver esse problema já soma R$ 11 bilhões. 

Sem a multinacional holandesa na jogada, a ideia agora é abrir um processo competitivo pelo controle da petroquímica. Quem oferecer mais, leva. Com o leilão em vias de ser aberto, as ações lideraram as altas do dia com valorização de 5,61%. 

Bom para a Braskem, melhor ainda para a Petrobras. A estatal espera ansiosamente pela saída da Odebrecht da Braskem para poder avançar com os planos de vender sua própria fatia de 36,01% no capital da petroquímica. E os papéis da petroleira subiram 1,22%. 

Para o Ibovespa como um todo, o dia começou fraco, com a realização de lucros do pregão de ontem, puxando o índice para baixo. Só os frigoríficos se salvavam, praticamente.

Mas aí veio a virada, cortesia da aprovação da proposta de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2021. Essa lei é a que estabelece as regras de como vai ser o orçamento do ano que vem. 

A questão maior aqui é com o déficit primário. Ele indica o quanto os gastos do governo podem ser maiores que a arrecadação com impostos. Neste ano, o déficit foi o maior da história, de R $871 bilhões (contra US$ 61 bilhões de 2019, por exemplo).

Repetir algo assim em 2021 seria suicídio. O endividamento do governo chegaria a um patamar insustentável (coisa de 200% do PIB – contra 96% neste ano). Logo, era necessária uma LDO racional. Nem com gasto de mais, nem com gasto de menos (já que um corte violento nas despesas públicas pode travar a economia).   

E o que ficou resolvido é o seguinte: a meta do déficit ficou em R$ 247 bilhões. O mercado interpretou isso como uma boa notícia. É que, na primeira proposta para a LDO, a meta do déficit primário era flexível e variável. Isso era visto com péssimos olhos pelo mercado, porque deixaria o governo sem limites de gastos. Além disso, a ausência de uma meta fiscal fixa vai contra a Constituição e a Lei de Responsabilidade Fiscal. Ou seja: transformaria o país numa zona ainda maior que a atual. 

A boa nova, então, fez o Ibovespa disparar no fim da tarde. E o índice fechou em alta de 1,47%, aos 117.857 pontos.  

O dia também foi de anúncio do plano de vacinação do Governo Federal. Até o Zé Gotinha estava lá. Só que nem ele deve ter entendido direito.  

As informações foram vagas. Não houve previsão sobre quais vacinas serão mesmo adotadas, muito menos data para começar a fazer fila no posto de saúde. Eduardo Pazuello, ao menos, confirmou que o SUS vai priorizar a compra de todas as vacinas produzidas no Brasil – e isso inclui a chinesa Coronavac, que está sendo desenvolvida com o Instituto Butantan. 

Amanhã a Câmara deve votar a Medida Provisória que vai autorizar a adesão do Brasil à aliança global coordenada pela OMS (Organização Mundial da Saúde), que reúne governos e fabricantes para garantir o acesso à vacina. Isso pode animar o mercado na quinta.

Na gringa

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Lá fora, a atenção do mercado se dividiu entre a eterna novela do pacote de estímulos e a decisão do Federal Reserve sobre as taxas de juros nos EUA. 

O Congresso americano está correndo para finalizar e aprovar a proposta do pacote de estímulos até sexta (18). Republicanos e democratas já concordaram com um valor de US$ 900 bilhões. Entre as benesses, estão o pagamento de US$ 300 semanais para os desempregados, além de um auxílio que varia de US$ 600 a US$ 700. O obstáculo agora é a decisão sobre oferecer ou não ajuda aos governos estaduais e municipais. 

Já o Fed manteve as taxas de juros próximas de zero, como esperado. O Banco Central dos EUA também pretende manter compras de títulos públicos em poder dos bancos em US$ 120 bilhões ao mês (outra forma de injetar dinheiro na economia, já que faz as instituições bancárias trocarem suas reservas, mantidas na forma de títulos, por dinheiro vivo, que se transforma em empréstimos). Isso frustrou Nova York, que esperava uma ampliação. 

Jerome Powell afirmou que o Fed poderá expandir as compras. Essa grana toda também não vem de graça. O dinheiro que o Fed imprime se transforma em dívida pública. A estimativa é que ela encerre o ano em 136% do PIB. Se for isso mesmo, será a maior relação dívida/PIB da história dos EUA. A segunda colocada, de 118%, aconteceu em 1946, para pagar as contas com a Segunda Guerra Mundial. Eis o tamanho do buraco.   

Maiores altas

Braskem: +5,61%

Natura: +4,82%

Minerva: +4,26%

B2W: +3,84%

TOTVS: +3,78%

Maiores baixas

Cyrela: -4,94%

Eletrobras (ELET3): -3,36%

Eletrobras (ELET4): -3,06%

Sabesp: -2,15%

Gol: -1,22%

Em NY

S&P 500: +0,18% (3.701 pontos)

Nasdaq Composite: +0,50% (12.658 pontos)

Dólar: +0,34%, cotado à R$ 5,10

Petróleo

Tipo Brent: +0,63% (US$ 51,08)

Tipo WTI: +0,42% (US$ 47,82)

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