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25% no diesel, 19% na gasolina, inflação, guerra. Parem o mundo!!

EUA registram inflação nível Brasil: 7,9%. Petrobras engata reajuste monstro. Putin avança. A que ponto chegamos…

Por Juliana Américo, Alexandre Versignassi 10 mar 2022, 18h37

Chove pancada de todo lado. Por aqui, o diesel e a gasolina passam por um reajuste digno de anos 1980: 18,77% no combustível dos carros; 24,9% no dos caminhões. Lá fora, o dólar renova sua máxima de inflação em 40 anos: 7,9% – de novo, a maior desde 1982. E as tropas russas vão se aproximando de Kiev.

Sobre a inflação americana: o núcleo do CPI (que exclui da medição os preços de alimentos e energia, pois são grupos que variam demais) também deu um salto: 6,6% nos últimos 12 meses, contra 6% em janeiro. Outro indicador não visto desde 1982.

“Eles que lutem”, diria o leitor mais desavisado. Mas não é por aí. Quanto maior a pressão inflacionária, mais inspirado o Fed fica para tascar um aumento mais pesado nos juros. A primeira alta deve vir neste mês. 

O presidente da instituição, Jerome Powell, apoia um aumento de 0,25 ponto percentual, mas outros dirigentes defendem 0,5 p.p. 

A guerra pesa a favor de um aumento mais brando. Juro alto não baixa inflação causada por aumentos nos combustíveis ou nas commodities agrícolas. Mas o dado do núcleo do CPI existe justamente para medir a inflação sem esses dois fatores. E, como ela vem rechonchuda também, serve, sim de argumento para quem defende uma alta mais agressiva. 

Seja como for, não há cenário animador. E as bolsas fecharam o dia cabisbaixas. A Nasdaq caiu 0,95%, a 13.129 pontos e o S&P 500 perdeu 0,43%, a 4.259 pontos. Por aqui, o Ibovespa seguiu Wall Street: -0,21%, a 113.663 pontos.

Lá no front, os ministros das Relações Exteriores da Rússia e Ucrânia se encontraram na Turquia para tentar discutir um acordo de cessar-fogo de 24 horas, para abertura de um corredor humanitário na cidade de Mariupol. Essa foi a primeira vez que os ministros conversaram pessoalmente desde o início da guerra, mas a reunião terminou sem perspectiva de acordo.  

Enquanto isso, Putin continua avançando. Por mais que a Rússia ainda não tenha conseguido dominar grandes cidades, o seu exército está ocupa as menores, e cerca Kiev aos poucos. A cidade de Bucha, a oeste da capital, foi tomada nesta quinta pelas forças russas. 

Petrobras vs Senado

Na briga sobre o congelamento dos combustíveis, a Petrobras fez uma jogada que poucos esperavam: anunciou seu reajuste brutal antes da votação no Senado. 

A partir de amanhã, o preço médio de venda da gasolina nas refinarias passa de R$ 3,25 para R$ 3,86 o litro. O do diesel, de R$ 3,61 para R$ 4,51.

Em comunicado, a Petro ressaltou que já estava à 57 dias sem reajuste e não alterou os preços antes, por causa da guerra entre Rússia e Ucrânia. “A Petrobras decidiu não repassar a volatilidade do mercado de imediato, realizando um monitoramento diário dos preços de petróleo”, diz. Desde 24 de fevereiro, início das invasões, a commodity já valorizou 14% – no acumulado do ano, já é uma alta de 42%. 

O reajuste ajudou a diminuir a defasagem dos combustíveis, mas ainda assim os motoristas brasileiros estão pagando menos que nos outros países. De acordo com a Abicom (Associação Brasileira de Importadores de Combustíveis), a defasagem na gasolina caiu de 20% para 8%, sendo que o litro do produto está R$ 0,32 abaixo dos preços internacionais.

No diesel, a redução na defasagem foi de 24% para 9%. Mais ainda seria preciso um aumento de R$ 0,32 no litro para ficar equivalente ao preço praticados no exterior.

O Senado não gostou nem um pouco dessa cartada, claro. Os parlamentares afirmam que foi proposital o anúncio da empresa bem no dia da votação sobre o congelamento dos preços. Dessa forma, a estatal se protege de uma defasagem ainda maior. 

Bom, mas o que importa é que a votação saiu depois de ser adiada três vezes. Os senadores aprovaram o PL 1.472, que cria uma conta de estabilização dos preços dos combustíveis. 

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Essa conta funciona como uma espécie de colchão para reduzir o impacto da volatilidade dos preços dos derivados do petróleo para o consumidor final. Os recursos para manter esse colchão vão sair dos dividendos da Petrobras, participações governamentais e impostos que estejam associados ao preço do petróleo. 

Também entrou no projeto a ampliação do vale-gás pago a famílias carentes e a criação de um auxílio-gasolina de até R$ 300 para motoboys, taxistas, motoristas de aplicativos e condutores de pequenas embarcações. O benefício, no entanto, esbarra na lei que proíbe a criação de novos subsídios em ano eleitoral, então pode ser barrado. 

Os senadores também aprovaram o texto-base do projeto que altera o modelo de cobrança do ICMS. Hoje, cada estado determina o quanto cobra de impostos sobre o preço final do combustível. Mas o projeto estabelece uma alíquota única para todo mundo, que deve ser cobrada por litro. O texto também congela a cobrança de ICMS sobre o diesel e isenta o PIS-Cofins sobre o diesel e o gás de cozinha até o fim do ano. O pacote do combustível agora segue para votação na Câmara. 

Enquanto não começa a valer a intervenção do governo, a Petrobras aproveita. A empresa figurou entre as altas na bolsa com valorização de 3,50%. Os motoristas, por outro lado, já fazem fila nos postos tentando adiar o baque do reajuste de amanhã no bolso. 

Até amanhã. 

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Maiores altas

Gerdau (GGBR4): 4,61%
Qualicorp (QUAL3): 4,18%
Petrobras PN (PETR4): 3,50%
Vale (VALE3): 3,30%
Gerdau Met (GOAU4): 3,19%

Maiores baixas

Embraer (EMBR3): -14,93%
Natura (NTCO3): -9,30%
Banco Inter (BIDI11): -7,12%
Gol (GOLL4): -4,95%
Méliuz (CASH3): -3,59%

Ibovespa: -0,21%, a 113.663 pontos

Em NY:

S&P 500: -0,43%, a 4.259 pontos
Nasdaq: -0,95%, a 13.129 pontos
Dow Jones: -0,34%, a 33.173 pontos

Dólar: 0,11%, a R$ 5,0160

Petróleo

Brent: -1,63%, a US$ 109,33
WTI: -2,47%, a US$ 106,02

Minério de ferro: -1%, US$ 157,20 no porto de Qingdao (China)

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