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Estudo inédito revela o impacto da Inteligência Artificial nos empregos brasileiros

Um relatório da ESPM revelou que trabalhadores de maior renda e escolaridade são os mais expostos à IA. Os trabalhos mecânicos são os menos ameaçados.

Por Leo Caparroz
13 fev 2026, 15h00 • Atualizado em 17 fev 2026, 12h21
Imagem gerada digitalmente de uma mão atravessando um portal e tocando uma mão robótica.
 (Andriy Onufriyenko/Getty Images)
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  • Quando a inteligência artificial começou a ganhar destaque, uma das primeiras preocupações foi como ela ia afetar o mercado de trabalho. Principalmente quais profissões seriam afetadas ou, até mesmo, substituídas pela IA.

    Um novo estudo, divulgado pela ESPM, oferece um retrato detalhado da exposição dos trabalhadores brasileiros à inteligência artificial. O relatório “Impacto da Inteligência Artificial sobre as Ocupações no Brasil” aplica o AI Occupational Exposure (AIOE), índice internacional que mensura o grau de exposição das tarefas típicas de cada ocupação à Inteligência Artificial, aos microdados da PNAD Contínua do IBGE. Cruzando esses dois indicadores, o estudo quantifica a exposição de mais de 90 milhões de trabalhadores distribuídos em 410 ocupações.

    Por meio dessa abordagem, a pesquisa consegue fazer comparações entre setores, estados, perfis socioeconômicos e categorias profissionais, além de análises históricas ao aplicar o índice às séries dos últimos dez anos. O resultado é um diagnóstico abrangente que pode orientar políticas públicas, decisões empresariais e estratégias educacionais focadas no futuro do trabalho.

    Quais as ocupações mais e menos afetadas pela IA?

    O estudo mostra que ocupações  que dependem principalmente da cognição, como matemáticos, contadores, economistas, juízes, dirigentes financeiros, publicitários e professores universitários, são as mais sensíveis à automação baseada em IA. Todas elas têm índice AIOE acima de 113, o que é significativamente maior que a média nacional. Atividades ligadas à administração, análise e processamento de informações também figuram entre as mais expostas.

    Em contrapartida, funções predominantemente manuais e contextuais, como pedreiros, trabalhadores da construção civil, agricultores, lavradores manuais e bailarinos,  apresentam os menores índices de exposição. Seus números no índice estavam entre 73 e 85. Isso é um reflexo das limitações atuais da automação física em tarefas que exigem habilidades motoras complexas e adaptação a ambientes variáveis.

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    O relatório ainda aponta que a exposição da força de trabalho brasileira à IA cresceu de forma contínua na última década, com estabilidade apenas durante a pandemia. Em 2025, o país atingiu seu maior nível histórico de inserção em ocupações sensíveis à IA, impulsionado pela expansão de atividades intensivas em informação. Os impactos, porém, não ocorrem de maneira homogênea: trabalhadores com maior escolaridade e renda, residentes em estados mais urbanizados, são os mais expostos.

    O estudo também identifica diferenças associadas à distribuição racial no mercado de trabalho, ainda que de forma mais sutil. São Paulo, Rio de Janeiro e Distrito Federal aparecem como os estados com maior impacto, enquanto regiões dependentes de agricultura e construção civil registram menor sensibilidade.

    Para Erika Buzo Martins, coordenadora do curso de Administração da ESPM-SP, o estudo chega em um momento de transição profunda. “A inteligência artificial não é apenas uma tendência tecnológica; ela já está reorganizando o mercado de trabalho brasileiro. Entender essas transformações é fundamental para formar profissionais capazes de atuar em um ambiente em que análise crítica, criatividade e adaptabilidade serão cada vez mais essenciais.”

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    O desenvolvedor do estudo, Rafael Lionello, destaca a importância da profundidade analítica da pesquisa. “A inteligência artificial é uma força transformadora, mas seus efeitos variam muito entre regiões, setores e perfis de trabalhadores. Este estudo busca justamente revelar essas nuances e oferecer evidências concretas para decisões mais informadas e políticas mais inclusivas.”

    Já Jorge Ferreira dos Santos Filho, coordenador do PRISMA – Observatório de Negócios da ESPM, reforça o papel estratégico do levantamento. “Mapear quem está mais exposto à IA significa mapear como o país deve se preparar. Nosso relatório oferece uma base sólida para governos, empresas e instituições educacionais desenharem políticas de formação e requalificação que reduzam desigualdades e ampliem oportunidades.”

    O relatório conclui que a IA não elimina ocupações inteiras, mas transforma tarefas, reorganiza atividades e exige novas competências — reforçando a urgência de preparar trabalhadores, organizações e políticas públicas para essa transição.

    Quem usa IA no trabalho é visto como mais preguiçoso e menos competentes pelos colegas

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