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Anywhere office: CEO fica 35 dias trabalhando de um veleiro

Andréa Migliori, fundadora e presidente da startup Workhub, pode viver um sonho sem abandonar a rotina de sua empresa. Conheça a história da executiva – e o que podemos aprender com ela.

Por Sofia Kercher
Atualizado em 4 jun 2024, 20h21 - Publicado em 4 jun 2024, 18h06

Se você achou que as possibilidades do anywhere office se esgotariam na areia da praia, Andréa Migliori está aqui para te convencer do contrário.

No final do ano passado, a executiva decidiu passar mais de um mês a bordo do veleiro de seu cunhado, com um itinerário que a deixaria afastada de terra firme por dias a fio. Isso concomitante a outra aventura: administrar à distância a Workhub, startup de gestão de pessoas fundada por ela em 2021.

A história da empresa começa em 2020, quando a nova realidade da pandemia expôs os desafios de comunicação e organização dos trabalhadores. Na época, Andréa era dona de uma agência que fornecia serviços de design para empresas: a Badaró. 

Nesse período, ela e sua equipe receberam dezenas de demandas relacionadas à intranet, nome dado ao portal de comunicação interna que liga o setor administrativo da companhia aos seus funcionários. A empresária, que sempre trabalhou com design, comunicação e tecnologia, rapidamente percebeu um buraco no mercado. 

“Todo mundo que já se envolveu em um projeto de intranet tem uma história triste para contar”, brinca ela. “Elas são os ‘patinhos feios’ dos portais corporativos. Sempre perdem para o e-commerce, site, sistemas internos….até que algo importante acontece e deixa clara a falta que uma ferramenta poderosa faz.” 

Juntando a expertise que ganhou com os projetos que realizou na Badaró – com a vontade, já de longa data, de fazer algo diferente –, Andréa vendeu sua parte na empresa ao seu sócio em 2020 e fundou a Workhub, que começou oficialmente as operações no ano seguinte. 

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“Todo mundo que já se envolveu em um projeto de intranet tem uma história triste para contar”

Andréa Migliori, CEO da HR Tech Workhub

Muito do mar

Empreender pode ter sido um interesse recente, mas velejar é um amor de longa data. Na adolescência, Andréa e sua irmã velejavam na Represa de Guarapiranga, em São Paulo. “Sempre fui muito do mar. Surf, bodyboard, standup, mergulho… posteriormente, me interessei pela vela oceânica. Adoro esses trajetos mais longos”, conta a empresária.

Ela revela que, como qualquer pessoa com essa paixão, tinha o sonho de dar a volta ao mundo, ou pelo menos em um pedaço dele, velejando. Porém, até pouco tempo atrás, esse desejo era incompatível com a vida de qualquer pessoa que tenha um emprego – especialmente com a de quem comanda uma empresa. 

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Isso não impediu a executiva, que aproveitou a flexibilização pós-pandemia para unir o útil ao agradável. Em setembro de 2023, após quatro breves dias de férias na costa italiana, Andréa voltou da folga a bordo de Susanya – veleiro no qual passaria cerca de 35 dias. 

Homem e mulher brancos trabalhando com computadores no colo, sentados em volta de uma mesa retangular.
Andréa e seu cunhado trabalham do veleiro Susanya. veleiro (Divulgação/VOCÊ S/A)

Enquanto navegava pelo Mar Mediterrâneo, conhecendo as paisagens de Napoli, Sardenha e Córsega, ela continuou tocando o barco da Workhub – cortesia dos 300 GB de internet contratados por ela e seu cunhado, que realizou o trajeto também. Por vezes, ela chegou a ficar a dois dias de distância de qualquer pedaço de terra.

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Tinha o sonho de dar a volta ao mundo, ou pelo menos em um pedaço dele, velejando.

Ela conta que, nas reuniões que fazia, chegaram a perguntar: “Andréa, você está em uma cadeira de balanço?”, pelo movimento do barco que a levava de um lado e outro nas telinhas do Google Meets (enquanto seu fundo virtual permanecia estático). “Muitas das pessoas que falaram comigo enquanto eu estava na pontinha da bota da Itália, e decidia se seguia para Malta ou para a Grécia, nunca sequer souberam que eu não estava em meu home office, em São Paulo, ou no Cubo Itaú, onde fica nossa base física”, diz.

Empreitada de sucesso

Mulher branca de fones de ouvido e cabelo curto, sorrindo para a câmera. Atrás dela, computador com tela de reunião e por do sol ao longe, com vista do mar
A empresária afirma que, pelo seu estado de espírito, a alegria de estar vivendo aquele sonho, sua produtividade atingiu um pico. (Divulgação/VOCÊ S/A)

Quais os frutos colhidos dessa aventura? De acordo com Andréa, a certeza de que o anywhere office, em sua empresa, era um modelo de trabalho viável e produtivo. 

“Considero essa empreitada muito bem-sucedida. Não vou mentir que não houve momentos em que o mar estava mais mexido, que fiquei enjoada, que tive complicações. Mas esse não foi o tom da viagem de modo algum – muito pelo contrário”, diz ela.

Inclusive, a empresária afirma que, pelo seu estado de espírito, a alegria de estar vivendo aquele sonho, sua produtividade atingiu um pico. 

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Enquanto navegava pelo Mar Mediterrâneo, conhecendo as paisagens de Napoli, Sardenha e Córsega, ela continuou tocando o barco da Workhub.

Claro, ela reconhece que todo modelo de trabalho tem limitações (as do anywhere office podem ser encontradas nesta reportagem da VCSA, que investigou o fenômeno em 2021). Inclusive, comenta que sentiu falta de uma maior integração com os funcionários, natural para qualquer regime remoto. Mas a empresária argumenta que, em sua empresa, foi importante estabelecer um modelo de gestão que permitia às pessoas a liberdade de trabalhar da onde bem entendessem.

“Não se trata do melhor modelo de trabalho, e sim do fit cultural, do perfil do colaborador, da empresa e, sobretudo, do modelo de liderança proposto. A maior lição dessa experiência é que é possível, sim, se divertir e trabalhar!”

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