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Super Quarta vira Ressaquinta, e Ibovespa tomba 1,47%

Juros de longo prazo em alta nos EUA e tombo histórico do petróleo jogam um balde de água fria no mercado.

Por Monique Lima, Alexandre Versignassi 18 mar 2021, 19h04 | Atualizado em 6 nov 2025, 12h35
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 (Laís Zanocco/VOCÊ S/A)
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A Super Quarta, que rendeu 2,2% à bolsa ontem, se converteu em uma Ressaquinta. Ibovespa e S&P 500 caíram de mãos dadas: -1,47% aqui, -1,48% lá.  

Motivos: 1) o choque do aumento em 0,75 p.p. da Selic pelo BC ontem, depois do fechamento de mercado, só foi digerido hoje; 2) o receio de inflação nos EUA resultou num pico das taxas de longo prazo nos EUA (para 1,71% anuais), e isso derreteu as bolsas de NY. 

As taxas “de longo prazo” são aquelas pagas pelos treasuries, os títulos públicos do governo americano. Eles têm vencimento em 10 a 30 anos, e também são negociados no mercado, como se fossem ações.  

Um aumento na taxa de juros desses títulos significa o seguinte. Se eu tenho um treasury de US$ 1.000 que paga 1,60% ao ano e acho que a inflação vai estourar, eu me livro desse título, porque 1,60% vão significar um rendimento pífio lá na frente. Então eu pego e vendo para você esse título de US$ 1.000 por US$ 990. 

O título vai continuar pagando 1,60% anuais sobre US$ 1.000. Mas, espera, você comprou ele por 990. Sua taxa de juros para valer será maior. Esses 1,60% sobre US$ 1.000, afinal, equivalem precisamente a 1,71% sobre US$ 990. 

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Voilá: quando esse tipo de transação acontece, o mercado não diz que o preço do título caiu. Diz que o “juro de longo prazo subiu”. No nosso exemplo, de 1,60% ao ano para 1,71% ao ano. Foi o que aconteceu no mundo real. 

Na Super Quarta, o Fed disse que continuaria enchendo o sistema financeiro dos EUA de dinheiro novo. Dinheiro novo em excesso cria inflação. Logo, o medo de uma futura inflação derrubou o preço dos treasuries, e isso colocou os juros do treasuries lá em cima, em justamente 1,71%.

Aí a coisa se retroalimenta. Quando os juros dos títulos sobem, os treasuries começam a parecer, para muita gente, um investimento mais atraente do que a bolsa. E o que temos é uma fuga do dinheiro da bolsa rumo aos títulos.          

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“Da bolsa”, aí, vale para todas as bolsas. Inclusive a nossa. Os treasuries são o investimento mais seguro que existe. O governo dos EUA, afinal, tende a jamais dar calote. Então um aumento dos juros de longo prazo nos EUA faz sumir dinheiro da B3 também. 

Queda de 7% no petróleo 

Também pesou no Ibovespa hoje a queda nas cotações do Brent e do WTI. Desde setembro do ano passado não se via uma temporada tão ruim. Foram cinco dias consecutivos de queda, sendo o pior deles esta quinta, em que os contratos dos barris de  WTI caíram 7,12% e os do tipo Brent perderam 6,94% do valor. 

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Essa desvalorização é resultado da piora da pandemia em alguns países, principalmente na Europa. Com novas medidas de lockdown acontecendo pelo mundo, a demanda pelo óleo caiu e aumentou o estoque da commodity e de combustível nos Estados Unidos. Não só: a Índia, terceiro maior importador, decidiu cortar encomendas da Arábia Saudita a partir de maio.

Para piorar, desde segunda-feira (15), Alemanha, França e Itália suspenderam a vacinação com o imunizante da AstraZeneca após observarem efeitos colaterais inesperados em alguns pacientes dessa vacina, como hemorragia, coágulos sanguíneos e baixa contagem de plaquetas. 

A suspensão não tem prazo definido. Somente depois da divulgação de um relatório que explique o que aconteceu, será cogitado o uso da vacina novamente. Mas até lá, a confiança de que medidas de restrição serão raridade e o fim da pandemia pode ser vislumbrado foram pelo ralo, e levaram junto com a cotação do petróleo. 

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Com isso, as petroleiras brasileiras sentiram o baque e caíram fortemente, com destaque para a PetroRio, que foi a pior baixa do dia (-8,60%), enquanto Petrobras sofreu um pouco menos: -3,49% (PETR4) e -2,83% ( PETR3). Até porque a estatal não perde tanto com a queda do óleo – a baixa na cotação reduz (ou elimina) os prejuízos que ela tem ao vender combustível importado pelo valor que o governo quer (que tende a ficar abaixo do preço de custo). 

Já as maiores altas não foram exatamente uma surpresa. Foram basicamente de bancos e seguradoras, que ganham com a Selic mais alta. Para quem faz dinheiro vendendo dinheiro, não teve ressaquinta.   

 

MAIORES ALTAS 

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Santander: 2,77%

Bradesco (ON): 1,85%

Bradesco (PN): 1,85%

Sabesp: 1,61%

Sulamérica: 1,54%

 

MAIORES BAIXAS 

PetroRio: -8,60%

GOL: -7,53%

Magazine Luiza: -6,93%

B2W: -5,11%

YDUQS: -4,99%

 

Ibovespa: -1,47%, aos 114.835,43 pontos. 

Nova York

S&P 500: -1,48%, com 3.915,46 pontos.  

Nasdaq: -3,02% (13.116,17). 

Dow Jones: -0,46%, aos 32.862,17 pontos. 

Dólar: -0,30%, cotado a R$ 5,57. 

Petróleo

Brent: -6,94%, a US$ 63,28, o barril. 

WTI: -7,12%, a US$ 60,00, o barril. 

Minério de ferro: 0,26%, para US$ 166,62 em Qingdao. 

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