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BC sobe Selic para 2,75%, uma reviravolta na Super Quarta do mercado financeiro

Tudo ia como esperado: o Fed disse que estava tranquilo com a inflação nos EUA, e as bolsas fecharam em festa. Aí o nosso BC elevou o juro não em 0,50, mas 0,75 ponto percentual.

Por Juliana Américo, Tássia Kastner 17 mar 2021, 19h16

A Super Quarta foi tudo o que prometeu — e mais um pouco. O que prometeu foi a sinalização do banco central americano de que a inflação vai ficar um pouco mais alta por lá. O mais um pouco foi a decisão do nosso Banco Central de subir a Selic para 2,75% ao ano, isso quando a expectativa era de uma alta para 2,5%. Ainda bem que, por aqui, as decisões do BC saem depois do fechamento do mercado. Ou então teríamos um belo “segura peão”. Como tudo até as 17h estava dentro do esperado, o Ibovespa subiu mais de 2% e voltou aos 116 mil pontos, patamar não visto há quase um mês. 

Tudo passa pela inflação. Há semanas os mercados andavam desconjuntados, com medo de que o nível de preços da economia americana tivesse subindo mais que o esperado e poderia sair de controle, isso depois dos caminhões de dinheiro que o governo anda injetando por lá. 

Adivinha? O Fed (o banco central americano) se reuniu nesta quarta e disse que espera mesmo que a inflação vá superar a meta de 2% e fechará o ano em 2,4%. Opa, então os investidores estavam certos? Calma. O ponto, para o Fed, é que essa alta deve ocorrer apenas agora em 2021, e tudo volta ao marasmo de uma economia em recuperação após coronavírus a partir de 2021. 

Não é só. O banco central americano tem como missão gerar o máximo nível de emprego com a inflação dentro da meta. Aqui no Brasil, por exemplo, o negócio é só a inflação. E, para o Fed, o mercado de trabalho se recupera de maneira errática, o que justificaria uma tolerância com uma inflação um tiquinho maior neste ano.

É por isso que o BC de lá decidiu manter a taxa de juros perto de zero, o que aliás ele vinha dizendo que faria e todo mundo esperava. O ponto é a sinalização de que continuará perto de zero por muito mais tempo. Mais duas notícias: o Fed disse ainda que vai continuar a colocar dinheiro na economia e que espera um crescimento do PIB bem mais robusto que o projetado anteriormente, de 4,2% para 6,5%.

Bem: dinheiro à solta, economia crescendo e juro baixo por mais tempo formam o combo perfeito para investidores saírem da confusão que haviam se metido de apostar na alta de juros e se concentrarem em investimentos mais arriscados. Ou seja: bolsa de valores.

Wall Street saiu do modo alerta e fechou no positivo. O Dow Jones avançou 0,58% (aos 33.015 pontos) e S&P 500 subiu 0,29% (aos 3.794 pontos). Ambos renovaram as suas máximas históricas de fechamento. Já o Nasdaq Composite valorizou 0,40% (aos 13.525 pontos).

Por aqui, o Ibovespa já vinha com uma alta de 1%. O mercado financeiro havia gostado da decisão do governador de São Paulo, João Doria, de não endurecer as medidas de isolamento social. Puro pragmatismo financeiro, claro. O necessário controle da pandemia, para evitar ainda mais mortes no país, tem como efeito colateral a contração da economia.

Aí o outro 1%, que veio depois das 15h, você pode colocar na conta do Fed. No fim, o Ibovespa terminou com alta de 2,22%, a 116.549 pontos.

Essa tolerância americana com a inflação não deixou o nosso Banco Central muito feliz. E tivemos uma Super Quarta emocionante. Depois que a bolsa fechou, o BC anunciou sua decisão de subir para 2,75% a nossa taxa de juros. O consenso do mercado era uma alta de 0,50 ponto percentual, para 2,50%. Veja bem: é o primeiro aumento da Selic desde 2015 e a primeira alta de juros pós-pandemia em um país que ainda pode ser chamado de sério.

No primeiro parágrafo do comunicado em que justifica a decisão, o BC escreveu que a preocupação com a inflação lá nos causa problemas aqui (por problema, entenda alta do dólar).

Essa alta do dólar já vinha nos causando uma dor de cabeça inflacionária. É que se nos Estados Unidos a inflação ainda é um medo, aqui ela nos assombra desde o meio do ano passado. Na semana passada, o IPCA (a inflação oficial do país e referência para o BC em suas decisões de aumento ou corte de juros), superou as estimativas de mercado. O índice ficou em 5,20% no acumulado de 12 meses – raspando no topo da meta de inflação, de 5,25% para este ano (o centro é de 3,75%). A expectativa é que a alta se acelere pelo menos até o meio do ano.

A alta veio do aumento de dinheiro na economia para combater o impacto econômico da pandemia, de uma desvalorização de mais de 30% do real e ainda de uma bagunça na logística e produção de matérias-primas também por causa do coronavírus.

Com juros em alta, o BC tenta resolver dois problemas. O primeiro é tornar o dinheiro mais caro, reduzindo sua circulação. O segundo é uma consequência, não uma meta do BC: tornar o Brasil um pouquinho mais atraente para os estrangeiros, o que pode ajudar a trazer uns dólares para cá, reduzir a taxa de câmbio e aliviar a inflação. Se vai funcionar? Bem, isso é coisa para os próximos capítulos. 

Maiores altas

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Sulamérica: 9,48%

JHSF: 7,62%

Cosan: 7,04%

Cielo: 6,07%

Cyrela: 5,90%

Maiores baixas

Hapvida: -2,07%

NotreDame Intermédica: -1,41%

Magazine Luiza: -1,04%

Usiminas: -0,97%

Eneva: -0,95%

Dólar: -0,59%, cotado a R$ 5,58

Petróleo

Brent (referência internacional): -0,57%, cotado a US$ 68 o barril

WTI (referência nos EUA): -0,30%, cotado a US$ 64,60 o barril

Minério de ferro: -0,008%, cotado a US$ 166,19 por tonelada em Qingdao (China)

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