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Roberto Jefferson e PIB da China ditam os humores da Faria Lima

E ainda tem a Petrobras (PETR4), que bateu recorde de valor de mercado enquanto o preço do petróleo recua.

Por Tássia Kastner, Camila Barros 24 out 2022, 08h09 | Atualizado em 16 dez 2024, 16h02
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 (Laís Zanocco e Tiago Araujo/VOCÊ S/A)
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Até semana passada, a recuperação da bolsa brasileira vinha sendo atribuída a dois fatores, um doméstico e outro internacional. O doméstico é a eleição. 

Jair Bolsonaro oscilou um ponto nas pesquisas, o que colocou o mandatário pela primeira vez à beira da margem de erro contra Lula, que lidera o pleito. A disputa aponta 52% dos votos válidos para Lula, contra 48% a Bolsonaro, de acordo com o agregador de pesquisas do Estadão.

Com a margem de erro das pesquisas de dois pontos para mais ou para menos, agora a disputa pareceria mais apertada. A Faria Lima comemorou. Investidores insistem em defender que as promessas liberais do ministro da Economia, Paulo Guedes, são a melhor alternativa para o país, isso enquanto o próprio ministro e Bolsonaro vão arrebentando as contas públicas para distribuir benefícios à população mais pobre na esperança de conquistar votos.

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Só que isso foi até sexta-feira. No domingo, o aliado bolsonarista e ex-deputado Roberto Jefferson promoveu um dos episódios mais grotescos desta eleição. Em prisão domiciliar e usando tornozeleira eletrônica, Jefferson continuava tinha armas e granadas de uso exclusivo do Exército em casa. Seguia usando redes sociais, contrariando as imposições do regime de prisão e ainda atacou a ministra do Supremo, Cármen Lúcia.

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Alexandre de Moraes determinou que Jeffeson voltasse ao regime fechado. Ele recebeu a Polícia Federal com tiros e granadas, atingindo dois policiais. O episódio desnorteou a campanha de Jair Bolsonaro. O presidente disse que mandaria o ministro da Justiça negociar a rendição do aliado, colocando o governo no centro da confusão. E precisou fazer dois pronunciamentos num esforço hercúleo de se desvincular do aliado.

É difícil cravar os impactos do episódio sobre o resultado da eleição. O que só faz ferver a ansiedade nessa reta final de segundo turno. 

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A semana será lotada de pesquisas, mas só a partir da quarta-feira elas devem começar a mostrar impactos do episódio.

E o pior é que o mundo não deve ajudar. Nesta segunda, a China divulgou – com atraso de uma semana – o PIB do terceiro trimestre e dados de comércio e produção industrial.

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A economia chinesa cresceu 3,9% na comparação anual, acima dos 3,3% esperados por economistas consultados pela Bloomberg. Só que esse desempenho ainda está brutalmente abaixo da meta anual 5,5%, que também já era mais baixa em três décadas.

O desempenho relativamente baixo da economia chinesa se deve a uma crise imobiliária sem precedentes somada à política de Covid zero no país. No final de semana, o líder Xi Jinping garantiu um inédito terceiro mandato, mas não deu grandes pistas sobre os rumos que pretende dar para o país do ponto de vista econômico.

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Péssimo para quem vive de vender matérias-primas para eles – caso do Brasil, claro.

Os preços do petróleo começam a semana em queda. Se a segunda maior economia do mundo está caminhando mais devagar, o resto do mundo também tende a fazer o mesmo. E isso diminui a demanda por combustíveis. 

Por improvável que pareça, as ações da Petrobras (PETR4) ignoram o cenário externo desafiador e sobem. É, de novo, a tal expectativa pró-mercado eleitoral – baseada em poucos fatos. Na sexta, a estatal bateu recorde de valor de mercado, alcançando a marca de R$ 520 bilhões. É assim que a Faria Lima faz campanha eleitoral

Boa semana.

 

humorômetro: o dia começou com tendência de alta
(VCSA/Você S/A)

Futuros S&P 500: 0,17%

Futuros Dow: 0,26%

Futuros Nasdaq: -0,10%

às 8h

Europa

Índice europeu (EuroStoxx 50): 1,19%

Bolsa de Londres (FTSE 100): 0,09%

Bolsa de Frankfurt (Dax): 1,20%

Bolsa de Paris (CAC): 1,35%

*às 7h58

Fechamento na Ásia

Índice chinês CSI 300 (Xangai e Shenzhen): -2,93%

Bolsa de Tóquio (Nikkei): 0,31%

Hong Kong (Hang Seng): -6,36%

Commodities

Brent*: -0,76%, a US$ 92,79 

Minério de ferro: -0,10%, a US$ 90,60 por tonelada em Singapura

*às 7h59

market facts

Assaí lucra menos, mas ganha mais

Na quinta-feira, depois do fechamento do pregão, o Assaí divulgou que teve lucro líquido de R$ 281 milhões no 3º trimestre do ano – 47,8% a menos do que no mesmo período de 2021. Segundo a companhia, a queda é culpa dos gastos elevados para transformar as lojas compradas do Extra em Assaí, além da piora dos resultados financeiros causada pela alta de juros. Apesar da queda, o valor superou as expectativas de analistas consultados pela Refinitiv, que esperavam lucro líquido de R$ 246 milhões. 

Já a receita líquida da companhia aumentou 29,2% em relação ao 3º tri de 2021, para R$ 994 milhões. O resultado animou o mercado, que entendeu que o projeto agressivo de expansão da companhia está dando bons frutos. Na sexta-feira, as ações ASAI3 fecharam em alta de 3,28%, a R$ 18,60. 

Vale a pena ler:

Crise chega ao alto escalão das criptos

Desde o início do ano, os investidores de criptoativos tiveram que engolir perdas de 58% no valor do bitcoin e 65% no ether. Não precisa nem dizer que teve gente que perdeu muita grana nisso. Mas essa avalanche não foi nada democrática durante a queda: enquanto investidores pequenos chegaram a perder boa parte de seu patrimônio, os grandes nomes do mercado de cripto permaneceram praticamente intactos. Até agora. À medida que o  inverno cripto parece estar arrefecendo, chegou a vez dos C-level sentirem o abalo. Nos últimos dois meses, mais de duas dúzias de executivos de alto escalão do setor desocuparam seus cargos. Tem a ver com a crise, claro, mas não é só isso. A Bloomberg explica os motivos aqui. 

Binance se esquivando das autoridades

Falando em crise no alto escalão de cripto… Uma investigação da agência de notícias Reuters detalhou a estratégia da Binance, maior corretora de criptoativos do mundo, para se manter distante dos agentes reguladores norte-americanos. Os jornalistas conversaram com ex-funcionários, consultores e parceiros de negócios da empresa, e analisaram milhares de mensagens, e-mails e documentos vazados, que datam de 2017 a início de 2022. A Folha de São Paulo traduziu a reportagem aqui.

Agenda

9h30 BC divulga relatório de transações correntes de agosto

Sem horário: Ipec divulga pesquisa presidencial

Petrobras divulga, após o fechamento do mercado, relatório de produção e vendas do terceiro trimestre

 

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