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Pressão por mais gastos públicos derruba a bolsa, de novo

Equipe econômica calcula que o governo terá só R$ 1,1 bilhão livres no Orçamento de 2022, mesmo com uma aprovação da PEC. O receio agora é que inventem novas artimanhas fiscais.

Por Alexandre Versignassi 22 nov 2021, 19h08

O mercado achava que a aprovação da PEC dos precatórios seria a última cartada do governo para aumentar os gastos públicos em 2022. Agora começam a aparecer dúvidas. 

Uma das artimanhas que constam na PEC é a de mudar a “correção monetária” do teto de gastos. Desde 2017, quando o teto entrou em vigor, calcula-se a inflação entre julho de um ano e junho do outro. 

Tipo: para saber qual seria o teto de 2022, pegava-se o teto de 2021 e adicionava-se a inflação acumulada entre julho de 2020 e junho de 2021. Agora, caso a PEC seja aprovada, vai valer outra conta: a inflação cheia de 2021, de janeiro a dezembro.

A inflação em 12 meses até junho estava em 8,3%. O governo trabalhava com a previsão de que o IPCA iria fechar 2021 em 8,7% – o que liberaria um aumento extra. Hoje, o secretário especial do Tesouro e do Orçamento, Esteves Colnago, disse que a equipe econômica passou a operar com uma margem mais realista, de 9,6%. Isso aumenta a “folga” prevista no orçamento de R$ 91,6 bilhões para R$ 106,1 bilhões.

Até aí, nada demais. O mercado mesmo espera uma inflação maior do que essa, na casa dos 10%. O problema foi a revelação de que, mesmo com a folga maior, as contas perigam não fechar.

Colnago afirmou que, dos R$ 106,1 bilhões, R$ 51,1 vão para pagar o aumento para R$ 400 no Auxílio Brasil, e que praticamente todo o resto ficará empatado com despesas obrigatórias – Previdência, salários do funcionalismo etc. No fim das contas, sobraria só R$ 1,1 bilhão livres. 

E isso não dá nem para o começo dos outros anúncios de gastos extras que Bolsonaro tem feito para ver se emplaca sua reeleição: “auxílio caminhoneiro”, vale gás, aumento de salário do funcionalismo… Cada um desses já custaria um punhado de bilhões. Com R$ 1,1 bilhão, não rola. 

Então fica o suspense: o governo pode inventar mais algum truque contábil para fazer aparecer dinheiro? Se sim, seria uma tragédia para a gestão das contas públicas – e ainda jogaria gasolina na fogueira da inflação (que tende a aumentar conforme os gastos engordam). 

Essa mudança de perspectiva, para pior, fez o Ibovespa fechar em mais uma alta forte: -0,89%, aos 102.122 pontos. 

Lá fora, foi o Dia do Fico de Jerome Powell, presidente do Fed – Biden lhe concedeu um novo mandato de quatro anos. O mercado reagiu bem no início do dia – o S&P 500 subiu com força, renovando seus recordes intraday. Natural: trocar a chefia do Fed agora, com inflação em alta e dúvidas sobre quando e como aumentar os juros para combatê-la seria trocar a turbina com o avião voando. Mas…. O jogo virou. No fim do dia, o S&P 500 acabou fechando em baixa – um sinal de fadiga da bolsa americana, que talvez comece a engatar um período de “correção”, ou seja, de baixa mais sustentada após quebras sucessivas de recordes. 

Se foi só um soluço ou o início de uma nova tendência, ninguém sabe. Mas, se o urso realmente tiver saído da hibernação, teremos mais uma pressão para baixas na nossa bolsa. 

Como se Brasília já não bastasse. 

Até amanhã.  

Maiores altas

Vale (VALE3): 5,56%

Bradespar (BRAP4): 4,46%

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Usiminas (USIM5): 2,94%

Gerdau (GGBR4): 2,58%

Metalúrgica Gerdau (GOAU4): 2,13%

Maiores baixas

Banco Inter (BIDI11): -13,53%

Banco Inter (BIDI4): -12,65%

Locaweb (LWSA3): -9,24%

Meliuz (CASH3): -7,56%

Lojas Americanas (LAME4): -6,79%

Ibovespa: -0,89%, aos 102.122 pontos

Em NY:

S&P 500: -0,32%, aos 4.682 pontos

Nasdaq: -1,26%, aos 15.854 pontos

Dow Jones: 0,05%, aos 35.619 pontos

Dólar: -0,27%, a R$5,5936

Petróleo

Brent: 1,03%, a US$ 79,70

WTI: 1,07%, a US$ 6,75

Minério de ferro: +4,30%, US$ 95,63 no porto de Qingdao (China)

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