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Petróleo e minério de ferro fazem a festa

O mercado viveu um dia depressivo, mas as commodities salvaram o dia mais uma vez. E o Ibovespa subiu 0,44%.  

Por Juliana Américo, Alexandre Versignassi 5 jan 2021, 19h19

A Poliana tinha baixado nas bolsas. O mercado achava que 2021 seria “um novo dia/de um novo tempo/que começou”, como se cantasse a música de fim de ano da Globo de mãos dadas com a Suzana Vieira e o Faustão. A vacina contra a Covid-19 estaria sendo distribuída à velocidade da luz, e a vida voltaria ao normal. Os lockdowns, os estados de calamidade pública, as máscaras, logo fariam parte de um passado difuso. Doce ilusão. 

A verdade é que a terça-feira foi marcada por queda generalizada e muita incerteza – mas seguida por uma reviravolta minimamente emocionante, olha só. 

Para começar, o Reino Unido iniciou seu terceiro lockdown. Apesar de já ter vacinado 1,3 milhão de pessoas com a primeira dose da vacina da Pfizer/BioNTech e da AstraZeneca/Oxford, o país vem sofrendo com a nova variante do coronavírus, 70% mais contagiosa. Caso a contaminação não seja controlada, o governo britânico prevê que o sistema de saúde fique sobrecarregado em 21 dias.

Além disso, a Alemanha confirmou que vai prorrogar o seu lockdown até 31 de janeiro. Nos dois países, as escolas e serviços não essenciais voltaram a fechar.

O avanço lento da vacinação na Europa e o aumento de casos ligados à mutação do vírus deixam o mercado bem mais cauteloso do que se esperava nos últimos, e otimistas, meses de 2020. 

Ainda no cenário internacional, Wall Street está de olho no segundo turno da eleição para o Senado na Geórgia. O resultado mesmo só deve sair na quarta-feira (06), mas as expectativas são altas. O mercado teme uma vitória democrata – também chamada de onda azul. 

Acontece que os democratas já conseguiram a presidência da Câmara dos Deputados. E caso levem também o Senado, podem  aprovar estímulos mais generosos que os republicanos para a retomada da economia. Disso o mercado gosta. O problema é outro: Biden teria facilidade em implementar regulações mais duras para as empresas e aumento de impostos – ações que, tradicionalmente, fazem parte da agenda democrata. 

Isso afetou os indicadores americanos, que amanheceram em baixa. E deu aquela respingada básica por aqui: o Ibovespa chegou a cair quase 2%, voltando aos 116.792 pontos. Durante a manhã, das 81 ações que compõem o índice, apenas a Hypera registrava alta de mais de 1%. 

Além de seguir o mercado internacional, os investidores brasileiros estão receosos caso Baleia Rossi assuma a presidência da Câmara. O candidato apoiado por Rodrigo Maia pode retomar o estado de calamidade até junho – trazendo mais incertezas fiscais, já que isso daria sinal verde para aumentos perigosos nos gastos públicos. 

Com tudo isso junto, as bolsas estavam fadadas à queda.  

A reviravolta

Mas eis que o petróleo salvou o dia. 

Os países que compõem a Opep+ passaram a terça-feira decidindo sobre a política de produção de fevereiro. O grupo chegou à conclusão de que a fragilidade da recuperação econômica global deve continuar em 2021. Então era preciso ter cautela por causa da fraca demanda por petróleo. 

Resultado: os planos iniciais de elevar a produção mudaram. Agora, ela vai se manter a mesma em fevereiro, e pode ter uma elevação gradual só em março.

Mais. A Arábia Saudita surpreendeu o mercado ao informar que reduzirá voluntariamente sua produção em 1 milhão de barris por dia em fevereiro e março, dando uma bela pancada na oferta global do líquido preto. 

O preço do petróleo, então, disparou. O do tipo Brent (referência internacional) fechou em alta de 4,91%, a US$ 53,60 o barril; o WTI (referência nos EUA) subiu 4,85%, a US$ 49,93. 

E as empresas do setor foram na mesma toada. Os papéis da Abraxas Petroleum subiram 7,73%, seguido pela Advanced Energy (3,95%), Valero Energy (2,94%) e Chevron (2,85%). 

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E Wall Street virou, com o S&P 500 avançando 0,71% (a 3.726 pontos). A alta maior que a esperada no petróleo passou a ideia de que a economia está mais forte do que parece – de outra forma, o corte da na produção saudita não teria surtido tanto efeito. Nisso, a alta contagiou outros setores também, incluindo as de tecnologia. E o índice Nasdaq, lar das Big Techs, subiu até mais que o S&P 500: 0,95% (a 12.818 pontos)

Já o Ibovespa zerou as perdas do dia e ainda subiu 0,44%, fechando com 119.376 pontos. Naturalmente, as petroleiras foram as grandes responsáveis por esse movimento. A Petrobras PN liderou com alta de 3,91%; a Petrobras ON vem logo atrás com valorização de 3,05%, seguida pela Eneva (2,82% e especializada em gás natural, cujo preço tende a acompanhar o do petróleo). Só a PetroRio que não entrou na roda: queda de 1,35%. 

O minério de ferro também deu um empurrãozinho na bolsa brasileira. Com alta de 1,55% no Porto de Qingdao, ele colocou nossas mineradoras e siderúrgicas na lista das ações que subiram: Gerdau (2,42%), Metalúrgica Gerdau (2,20%), CSN (1,81%), Vale (1,68%), e Usiminas (1,07%).

É isso. As commodities mais uma vez salvaram o dia do nosso mercado. E no fim do dia os dois saíram do pregão cantando “Hoje a festa é sua/Hoje a festa é nossa”.   

Maiores altas

Weg: 6,14%

Petrobras PN: 3,91%

Petrobras ON: 3,05%

Eneva: 2,82%

Gerdau: 2,42%

Maiores baixas

Tim: -2,83%

Pão de Açúcar: -2,65%

Eletrobras ON: -2,58%

Eztec: -2,58%

Eletrobras PN: -2,53%

Dólar: -0,15%, a R$ 5,26

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