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Novo CEO da Petrobras ‘faz cafuné’ em acionistas e ação salta mais de 5%

Ibovespa passou boa parte do dia no azul, mas fechou no negativo após cinco pregões de valorização. Sim, você pode culpar Brasília.

Por Tássia Kastner 19 abr 2021, 18h25

Depois de dois meses de tropeços, o general Joaquim Silva e Luna assumiu oficialmente o posto de presidente da Petrobras. O detalhe foi o discurso de posse, que soou como um cafuné para os acionistas. E quem não fica feliz com um agrado, né? As ações da estatal saltaram mais de 5% nesta segunda-feira (19).

Silva e Luna disse que pretende “conciliar os interesses dos consumidores e acionistas da Petrobras […] buscando reduzir volatilidade [dos preços] sem desrespeitar a paridade internacional”. Vamos aos interesses.

Paridade internacional nada mais é do que levar em consideração o preço do petróleo lá fora e o dólar para decidir a quanto vai ser vendido o combustível aqui no Brasil. Aqui está a sinuca de bico: os preços do petróleo se recuperaram depois de uma baixa do período mais agudo da pandemia, e o dólar disparou. Resultado é que o preço da gasolina e do diesel foram do pré-sal à lua em questão de meses.

Para a Petrobras, foi um sonho, porque isso ajudou no lucro de R$ 59,9 bilhões em 2020, o maior resultado de uma empresa de capital aberto da história do país. Para o brasileiro, foi como se ele tivesse feito um Pix do banco direto para a conta dos acionistas da estatal.

Óbvio que não houve Pix nenhum, mas se você tem um carro, sabe que está mais caro abastecê-lo. Se você tem um caminhão, então, está realmente furioso (e pobre). E os donos de caminhões são grandes apoiadores do presidente Jair Bolsonaro. E se você não tem nada disso, ainda paga a conta porque tudo o que você compra no supermercado passou por um caminhão.

Essa história de aumento de preços e inflação você já sabe, claro, foi o que motivou a demissão de Roberto Castello Branco da presidência da companhia, durante uma live de Bolsonaro no dia 18 de fevereiro.

A questão, de verdade, é como as coisas ficam daqui para frente. O general pode até ter prometido um equilíbrio de interesses, mas não terá uma tarefa fácil. O petróleo continua firme em alta, perto das máximas do ano, e o dólar até pode ter caído hoje frente o real, mas ainda longe de trazer um alívio para quem frequenta postos de combustíveis.

E aí a conta pode sobrar para o acionista. Se a estatal opera abaixo da paridade internacional, fatura menos e paga menos dividendos. Sem falar no desequilíbrio gerado no mercado, porque afasta competidores.

Por isso, a alta nas ações de hoje é só uma resposta ao afago. Os papéis preferenciais (mais negociados) subiram 5,80%, para R$ 24,28, enquanto os ordinários (com direito a voto) avançaram 5,03%, a R$ 23,79. É que parece muito, mas em perspectiva os números perdem um pouco do brilho. As ações ainda estão 17% abaixo do valor de fechamento no dia 18 de fevereiro, o último pregão antes do anúncio de que haveria uma troca de comando.

Ou seja, o mercado financeiro precisa de muito mais que um cafuné para recuperar o prejuízo da intervenção política na companhia.

Ibovespa 

Com a alta de mais de 5%, a Petrobras bem que tentou carregar o Ibovespa nas costas. Não conseguiu. O índice passou boa parte do dia com uma alta modesta, mas na última volta do relógio, virou para o negativo. Fechou em baixa de 0,15%, a 120.933,78 pontos. Dos 82 papéis que compõem o índice, 50 caíram. 

Pudera: foram cinco pregões seguidos de alta sem que o Brasil justificasse qualquer tom otimista de investidores. E essa segunda não foi diferente.

Durante a tarde, governo e Congresso chegaram a um acordo sobre o Orçamento. Essa notícia até que pegou bem no mercado. Mas nos últimos minutos do pregão, veio a bomba. No veta-não-veta as emendas parlamentares para fazer a conta fechar, o puxadinho cresceu: R$ 100 bilhões devem ficar de fora do teto de gastos, dinheiro que deve pagar a nova rodada de medidas econômicas para minimizar os efeitos do coronavírus.

O jeitinho é perfeito para Brasília, que pode dizer que cumpriu as medidas de austeridade fiscal. Para quem está preocupado com o equilíbrio das contas, não faz diferença. Ainda será preciso emitir mais dívida e isso eleva o risco econômico.

Amanhã promete ser um dia de mais emoções.

MAIORES ALTAS 

Petrobras (PN) 5,80%

Braskem 5,62%

Petrobras (ON) 5,03%

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JBS 3,74%

Marfrig 2,27%

MAIORES QUEDAS

Hering -3,98%

Eneva -3,60%

Lojas Renner -3,56%

Yduqs 2,99%

Sabesp -2,91%

Ibovespa

-0,15%, a 120.933,78 pontos

Dólar

-0,61%, a R$ 5,5505

Em Nova York

Dow Jones: -0,36% (34.077)

S&P 500: -0,53% (4.136)

Nasdaq: -0,98% (13.914)

Petróleo

Brent: +0,55%, a US$ 67,14

WTI: +0,55%, a US$ 63,48

Minério de Ferro

+1,89%, para US$ 181,80 a tonelada no porto de Qingdao, na China

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