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Mercado aposta em Ômicron fraca e bolsas pelo mundo disparam

Ibovespa engatou a quarta alta seguida, enquanto o Nasdaq subiu 3% lá nos EUA. Mas cientistas ainda não estão tão otimistas quanto os investidores.

Por Bruno Carbinatto Atualizado em 7 dez 2021, 19h00 - Publicado em 7 dez 2021, 18h51

“Presente de Natal antecipado”. Foi assim que o Karl Lauterbach, o futuro ministro da Saúde da Alemanha, descreveu o que a Ômicron parece ser, pelo menos até agora. É no mínimo inusitado chamar uma versão do coronavírus de presente, é verdade. Mas o argumento do epidemiologista alemão é que as evidências preliminares parecem apontar para uma variante que evoluiu para infectar humanos mais facilmente, mas com uma letalidade menor.

Um vírus mais transmissível, mas menos perigoso, poderia significar que a pandemia como conhecemos está perto de acabar. O combo vacinação + testagem em massa + uso de máscaras daria conta de manter os números de hospitalizações e mortes em níveis baixos, tirando da equação as variáveis que mais assustam os mercados: lockdowns, fechamento de fronteiras e outras restrições à economia. 

Mais: remédios para tratar casos leves de Covid-19 e evitar que evoluam para quadros mais severos começam a entrar na jogada. O Reino Unido já aprovou o antiviral molnupiravir, da farmacêutica MSD, e a Pfizer anunciou que seu remédio paxlovid, ainda não aprovado, é altamente eficaz para evitar mortes.

Toda essa combinação poderia transformar a Covid-19 em uma “gripezinha”. E a onda de Ômicron em “marolinha”.

Pelo menos é nessa ideia que o mercado aposta, já que o dia foi de apetite por risco e de fortes ganhos nas bolsas mundo afora, bem diferente da sangria observada após as primeiras notícias sobre a variante. Os principais índices asiáticos e europeus fecharam no azul, mas foram os números americanos que mais brilharam: o S&P 500, maior e mais importante índice acionário dos EUA, subiu expressivos 2,07%, enquanto o Nasdaq, que reúne as ações de tecnologia, saltou impressionantes 3%. 

O apetite por risco não vem do nada, é claro. Além da declaração do ministro alemão, outros especialistas vêm apontando para a ideia de que a Ômicron talvez seja menos perigosa do que pensado, como Anthony Fauci, conselheiro da Casa Branca para assuntos científicos. É também o que apontam as evidências preliminares – afinal, nenhuma morte ligada à variante foi confirmada em nenhum país, por enquanto, e os relatos dos hospitais da África do Sul, onde a Ômicron foi identificada primeiro, falam em pacientes menos graves.

Só tem um problema: o tempo das conclusões do mercado e da ciência são, obviamente, diferentes. Mesmo as declarações mais otimistas de especialistas vêm acompanhadas de um “é preciso de mais evidências”, e não são todos os cientistas que concordam com o “presente de Natal”. Só vamos saber mesmo qual é a da Ômicron quando tivermos um bom volume de dados, e, por enquanto, a variante se espalhou pouco.

Uma das razões para a baixa letalidade observada até agora pode ser devido ao fato de que os primeiros surtos foram entrem pessoas jovens, com menos de 50 anos – que já estão menos propensas a morrer de Covid-19. De qualquer forma, na África do Sul, os casos e hospitalizações continuam a aumentar, o que é, no mínimo, um sinal de alerta. 

A ideia de que o Sars-Cov-2 (o vírus da Covid-19) poderia mutar para uma versão mais transmissível e menos letal não é nova. Afinal, um vírus que mata seu hospedeiro rapidamente não tem tanto tempo para se espalhar para outros e assim continuar seu ciclo de replicação – vírus mais eficazes são aqueles que parasitam nossas células sem causar grandes danos, como a herpes. Dessa forma, seria mais vantajoso para o próprio vírus ser menos letal. Mas isso não é necessariamente uma regra. Houve quem especulasse que outras variantes, como a Delta, fossem seguir esse caminho, por exemplo, o que não se mostrou verdade. 

A única conclusão que temos por enquanto, então, é um pouco incômoda: ainda não sabemos. O mercado, por sua vez, decidiu escolher o caminho mais otimista neste fim de ano, até que se tenha provas definitivas. E isso ajudou na bolsa brasileira.

Ibovespa

Por aqui, o dia também foi de otimismo, ainda que mais moderado: alta de 0,65% no Ibovespa. Assim como nos EUA, as ações de tecnologia lideraram as altas (ainda que, na B3, haja poucas representantes do setor): Méliuz 13,58%, Banco Inter Units 13,36%, Banco Inter PN 12,14% e Locaweb 6,97%.

Ajudou a puxar o índice para cima também a Petrobras, cujos papéis fecharam em altas de 1,63% (PETR4) e 2,77% (PETR3), na esteira do petróleo Brent, referência internacional, cujo preço subiu 3,23% hoje, para o patamar de US$ 75, com as expectativas do fim das restrições de movimento.

É a quarta alta seguida do índice, menos de uma semana depois de atingir seu menor nível do ano. 

Até amanhã.

Maiores altas

Méliuz (CASH3): 13,58%

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Banco Inter – Units (BIDI11): 13,36%

Banco Inter PN (BIDI4): 12,14%

Locaweb (LWSA3): 6,97%

Banco Pan (BPAN4): 6,06%

Maiores baixas

Eztec (EZTC3): -4,35%

MRV (MRVE3): -3,10%

Multiplan (MULT3): -2,81%

Cogna (COGN3): -2,73%

IRB Brasil: (IRBR3): -2,31%

Ibovespa: 0,65%, aos 107.557 pontos

Em Nova York

S&P 500: 2,07%, aos 4.686 pontos

Nasdaq: 3,03%, aos 15.686 pontos

Dow Jones: 1,40%, aos 35.720 pontos

Dólar: -1,27%, a R$ 5,61

Petróleo

Brent: 3,23%, a US$ 75,44

WTI: 3,68%, a US$ 72,05

Minério de ferro: 8,28%, a US$ 111,34 por tonelada no porto de Qingdao (China)

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