Clique e Assine a partir de R$ 9,90/mês

Inflação alta faz mundo cancelar Netflix e ações caem 25%

Empresa perdeu 200 mil assinantes, a primeira queda em uma década. E diz que a culpa é de quem compartilha a senha ou pula a cerca atrás de outros streamings.

Por Bruno Carbinatto Atualizado em 19 abr 2022, 18h19 - Publicado em 19 abr 2022, 18h15

Foram anos dominando os streamings e desafiando os cinemas, mas agora a Netflix parece ter encontrado uma pedra no meio do caminho. O serviço de assinatura, um dos pioneiros no mercado e que transformou a maneira como consumimos filmes e séries, registrou uma perda de 200 mil assinantes só no primeiro trimestre do ano, revelou o balanço da empresa, divulgado logo após o fechamento do mercado. 

É a primeira queda no número de usuários desde 2011. E piora: a plataforma já projeta perder outros dois milhões de clientes só no segundo trimestre. 

Resultado: as ações da empresa caíram mais de 25% no after hours lá em Nova York, com investidores reagindo aos números nada bons da empresa. Não só os resultados foram negativos como não eram esperados por Wall Street: as previsões do mercado falavam em um ganho de 2,4 milhões no número de assinantes no período. Erraram feio.

Compartilhe essa matéria via:

Vale lembrar que, do começo do ano até hoje, as ações da Netflix já haviam caído 41% mesmo antes dos resultados catastróficos desta terça-feira.

Na divulgação do balanço, a própria Netflix elencou algumas causas para a queda inesperada. A primeira delas, segundo a empresa, é o fato de que muita gente usa a plataforma sem pagar – pegando emprestado a senha de quem paga. A Netflix estima que 100 milhões de casas têm acesso aos seus serviços sem pagar, conta um total de 221 milhões de contas devidamente registradas na plataforma. Segundo ela, é difícil expandir seu mercado nesse cenário.

Outro motivo é a concorrência crescente. Ainda que a Netflix seja o maior streaming do mundo, Amazon, Hulu, Disney, HBO e até YouTube estão em crescimento e disputam o mesmo público que a Netflix. 

O cenário macro também não ajuda. O mundo todo passa por uma onda de inflação alta, e bancos centrais correm para aumentar os juros e conter o aumento dos preços. Com menos poder de compra, serviços como a Netflix estão no topo da lista de corte de gastos da família – daí a diminuição dos usuários. Só no Reino Unido, por exemplo, 1,5 milhões de contas de serviços de streamings foram cancelados esse ano, segundo o Grupo Kantar. 

Ainda assim, a porcentagem de casas que assinam pelo menos um dos serviços não caiu muito (58%, contra 59,3% no final de 2021), o que indica que consumidores estão parando de consumir várias plataformas e decidir por ficar com apenas uma – aí entra o fator da competição para ver quem será a escolhida.

No caso específico da Netflix, houve perda de usuários em todas as regiões do mundo, com exceção da Ásia, onde o serviço ganhou 1 milhão de novos assinantes. Agradeça a Round 6 (“Squid Game”), o sucesso sul-coreano que se tornou o título mais assistido da plataforma e impulsionou novas séries do país, como a popular “All of us are dead”.

O resultado negativo foi tão inesperado que as ações da Netflix fecharam hoje em alta de 3,18%, antes da divulgação do balanço, na expectativa de números bons. A empresa, aliás, abre agora uma sequência de divulgação de techs importantes, seguida pela Tesla amanhã – ainda que ambas não sejam exatamente o que chamamos de big techs, mas que mostram tendência para o setor.

As bolsas americanas fecharam em alta hoje na expectativa que essa temporada de balanços tragam resultados robustos para o setor. O S&P 500 subiu 1,61% e o Nasdaq, que reúne os papéis de tecnologia, foi além e avançou 2,15%. 

No Brasil

Por aqui, o Ibovespa fechou em queda de 0,55%, perdendo os 115 mil pontos, com a Vale fazendo peso para baixo. Os papéis da mineradora, que representam 15% da composição do Ibov, caíram 3,19% hoje, e o motivo está do outro lado do mundo.

O minério de ferro fechou em queda de 0,66% hoje no porto de Qingdao, lá na China. Ontem, um oficial do governo chinês confirmou que o país vai continuar a sua redução gradual da produção de aço ao longo do ano. 

Além disso, o país continua sua política de Covid zero, o que significa restrições severas à economia e uma menor demanda. Hoje, um novo lockdown foi decretado na cidade de Tangshan, importante produtora de aço.

A Petrobras, por sua vez, subiu na contramão do petróleo, que caiu mais de 5% com expectativas de demanda reduzida. 

Até amanhã.

Maiores altas

Continua após a publicidade

Banco Inter – Units (BIDI11): 9,15%

BR Malls (BRML3): 7,66%

Grupo Soma (SOMA3): 6,92%

JHSF (JHSF3): 6,21%

Totvs (TOTS3): 5,54%

Maiores baixas

CEMIG (CMIG4): -5,84%

Eletrobras ON (ELET3): -4,40%

Carrefour (CRFB3): -4,30%

Sabesp (SBSP3): -3,84%

Banco do Brasil (BBAS3): -3,53%

Ibovespa: -0,55%, aos 115.056 pontos

Em Nova York

S&P 500: 1,61%, aos 4.462 pontos

Nasdaq: 2,15%, aos 13.619 pontos

Dow Jones: 1,48%, aos 34.920 pontos

Dólar: 0,43%, a R$ 4,6682

Petróleo

Brent: -5,22%, a US$ 107,25 

WTI: -5,17%, a US$ 102,05 

Minério de ferro: -0,66%, a US$ 143,09 a tonelada no porto de Qingdao (China)

Continua após a publicidade

Publicidade

Essa é uma matéria exclusiva para assinantes. Se já é assinante, entre aqui. Assine para ter acesso a esse e outros conteúdos de jornalismo de qualidade.

Essa é uma matéria fechada para assinantes e não identificamos permissão de acesso na sua conta. Para tentar entrar com outro usuário, clique aqui ou adquira uma assinatura na oferta abaixo

Tempo é dinheiro. Informação, também. Assine VC S/A e continue lendo.

Impressa + Digital

Plano completo de VC S/A. Acesso aos conteúdos exclusivos em todos formatos: revista impressa, site com notícias e revista no app.

Análises completas sobre o mercado financeiro.

Cobertura diária do fechamento do mercado.

Receba mensalmente a VC S/A impressa mais acesso imediato às edições digitais no App VC S/A, para celular e tablet.


a partir de R$ 12,90/mês

MELHOR
OFERTA

Digital

Plano ilimitado para você que gosta de acompanhar diariamente os conteúdos exclusivos no site e ter acesso a edição digital no app.

Análises completas sobre o mercado financeiro e cobertura diária do fechamento do mercado.

a partir de R$ 9,90/mês

ou

30% de desconto

1 ano por R$ 82,80
(cada mês sai por R$ 6,90)