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Ibovespa, quem diria, vai fechando janeiro como uma das melhores bolsas do mundo

Índice subiu novamente nesta quinta-feira, apesar do dia instável e negativo em Nova York. Entenda o porquê.

Por Bruno Carbinatto 27 jan 2022, 18h50

Um dia da caça, outro do caçador? Depois de um 2021 sangrento para a bolsa brasileira, mas com altas polpudas lá em Nova York, o jogo parece ter virado. Enquanto os índices americanos fecharam no vermelho hoje, o Ibovespa foi na contramão do mau humor gringo (de novo) e subiu 1,19%. 

Faltando dois pregões para fechar o mês, o índice brasileiro acumula alta de 7,4% em janeiro. Entre as principais bolsas do mundo, a B3 desponta como uma das melhores neste começo de ano (junto com as bolsas da Turquia, Qatar e Arábia Saudita).

Não que o Brasil esteja às mil maravilhas de uma hora para outra, é claro. Os problemas que assombraram o mercado no último ano continuam. Com a inflação em alta, o Banco Central está subindo a Selic há algum tempo; a economia anda fraca, com expectativa de baixo crescimento, e 2022 é ano eleitoral, que costuma assustar o mercado. 

Quem realmente está garantindo as altas no Ibovespa são os gringos, que veem na nossa bolsa uma oportunidade de investir enquanto os ares nos EUA estão menos amigáveis. É que a bolsa brasileira está barata, como já explicamos nesta coluna. Nisso, os estrangeiros vem em busca de pechinchas – janeiro caminha para terminar com um recorde de dinheiro gringo entrando na B3: R$ 25 bilhões, patamar que só foi atingido em janeiro de 2021. 

Nas maiores altas do dia, para ilustrar o cenário, temos Magalu e Locaweb, dois papéis que sangraram bastante nos últimos tempos, e agora são consideradas ações baratas; 

Não só: também apostam nas ações ligadas às commodities. Enquanto os papéis de alto potencial de crescimento, como dos setores de tecnologia, sofrem diante do aumento dos juros no mundo, os setores mais tradicionais se beneficiam da demanda chinesa, cuja economia está plenamente aquecida. Nisso, ações de peso para nossa bolsa, como Petrobras e Vale, já valorizaram respectivamente 19% e 8% no ano, ajudando a garantir o avanço do Ibov.

Instabilidade em Nova York

A alta de hoje do Ibovespa seria até maior, não fosse a indecisão de Wall Street. Os principais índices americanos abriram no azul nesta quinta-feira, mas fecharam no vermelho depois de um dia bastante instável.

Ontem, o Fed indicou que vai começar a subir os juros no país em março. Até aqui, nada que o mercado já não esperasse. Mas Jerome Powell, o comandante do banco central mais poderoso do mundo, não deu muitas pistas sobre quantas outras altas na taxa deverão ocorrer até o fim do ano. No mínimo três altas já estão confirmadas, mas o mercado já trabalha com a possibilidade de cinco. Powell também não deu muitas informações sobre quando o Fed vai começar a drenar os dólares na economia.

O modo esfinge de Powell deixou investidores perdidos, o que se traduziu nas baixas de ontem. Hoje, um novo dado movimentou o mercado: a primeira leitura do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA mostrou que a economia americana cresceu 5,7% em 2021. No quarto trimestre, o número surpreendeu: o crescimento do PIB foi de 6,9% (na taxa atualizada), bem acima da estimativa de 5,5%.

Um PIB pujante indica uma economia forte, o que é obviamente positivo para o mercado. O número mostra que, apesar dos números de casos e mortes de Covid-19 novamente em alta no país, o baque da pandemia já ficou para trás. Foi essa ótica de copo meio cheio que garantiu as altas nos índices americanos no começo do dia.

Depois do almoço, porém, o humor mudou. Os investidores começaram a ver o copo meio vazio: se a economia dos EUA está mais forte do que o esperado, isso significa que o Fed já não precisa pegar leve na sua política monetária – as empresas já estão andando com as próprias pernas e não precisam mais de estímulos. Ou seja, o BC americano pode focar totalmente no combate à inflação, aumentando os juros e enxugando os dólares em circulação. 

As esperanças de que o órgão seja mais suave nas suas decisões ficam cada vez mais fracas, e as bolsas americanas fecharam em baixa depois de muita instabilidade. Novamente, as ações de tecnologia, mais sensíveis aos juros, foram as que mais sofreram: Nasdaq -1,40%, enquanto S&P 500  -0,54%.

Os olhos agora se voltam para a temporada de balanços das empresas, com foco nas techs. Se os números decepcionarem, as coisas podem amargar ainda mais. A ver.

Até amanhã.

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MAIORES ALTAS

Magazine Luiza (MGLU3): 6,96%

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Banco Inter, Units (BIDI11): 6,28%

Grupo Soma (SOMA3): 6,25%

Via (VIIA3): 6,21%

BB Seguridade (BBSE3): 5,91%

MAIORES BAIXAS

Notre Dame Intermedica (GNDI3): -4,70%

Hapvida (HAPV3): -3,43%

Braskem (BRKM5): -3,35%

Natura (NTCO3): -3,24%

Marfrig (MRFG3): -2,99%

Ibovespa: 1,19%, aos 112.611 pontos

Em Nova York

S&P 500: -0,54%, aos 4.326 pontos

Nasdaq: -1,40%, aos 13.352 pontos

Dow Jones: -0,02%, aos 34.160 pontos

Dólar: -0,32%, a R$ 5,4238

Petróleo

Brent: -0,64%, a US$ 88,17

WTI: -0,85%, a US$ 86,61

Minério de ferro: 0,81%, negociado a US$ 139,62 por tonelada no porto de Qingdao (China)

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