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Ibovespa descola do exterior: sobe 0,98%, contra -0,15% do S&P 500

Nova sinalização de austeridade do Fed freia as bolsas americanas, mas não incomoda tanto a nossa, que ruma para cravar o maior volume de investimentos estrangeiros para um único mês na história.

Por Alexandre Versignassi | Design e colagens: Tiago Araujo Atualizado em 26 jan 2022, 23h23 - Publicado em 26 jan 2022, 18h41

Economistas costumam tratar sua ciência como se ela fosse exata. Tão exata quanto física Newtoniana – na qual toda ação cria uma reação total e absolutamente previsível via um arcabouço de fórmulas implacáveis.  

Não é assim que funciona no mundo do dinheiro. A economia talvez seja a mais exata das ciências humanas, e a mais humana das ciências exatas. O fato é que ela não é amigável a relações secas de causa e efeito. 

Basicamente nenhuma alma do mundo da economia imaginava que, com o Fed sinalizando altas de juros e outras medidas de contração (veja mais abaixo), a bolsa brasileira subiria. 

A previsão era pura lógica: com menos dólares circulando pelo mundo, a renda variável iria sofrer. Não só nos EUA, mas principalmente nos países em desenvolvimento, que precisam de grandes fluxos de capital gringo para se manterem de pé (no ano passado, por exemplo, os investimentos vindos do exterior foram responsáveis por 50% do dinheiro que entrou no Ibovespa). 

Não é o que aconteceu. O fluxo de de investimentos gringos estava positivo em 23 bilhões até o dia 24/01 (data dos últimos dados da B3). Mantendo o ritmo, janeiro de 2022 será o melhor mês da história nesse quesito (superando janeiro de 2021, que registrou R$ 25 bilhões). Para uma comparação mais direta, em dezembro foram R$ 14 bilhões. Em novembro, apenas R$ 2 bilhões. 

O aumento no fluxo de grana gringa ajudou o Ibovespa a subir mais 0,98% hoje, estendendo a alta no ano para 6,17%. 

Por que isso? O ponto, como esta coluna vem reiterando, é que a bolsa brasileira está barata. 

Neste momento, o preço somado de todas as ações de todas as companhias do Ibovespa equivale a 7 vezes o lucro que elas deram nos últimos 12 meses. A mesma conta aplicada ao S&P 500 dá 23. 

Quando empresas são negociadas a um preço igual a 7 anos de lucro, elas estão baratas. A métrica varia de setor para setor, mas para índices gerais, que abraçam todos os setores, o número é risível – o normal é dar uns 15.

Lá fora acontece o oposto. Quem está acima do normal é o S&P 500. Ou seja: os acenos de dureza do Fed servem de gatilho para a realização de lucros acumulados nos últimos anos por lá (o índice está em queda de 8,74% no ano, e recuou mais 0,15% hoje). Mas não surtem o mesmo efeito por aqui – já que os papéis seguem a preço de liquidação.    

Aumento dos juros nos EUA

O Fed soltou nesta tarde a minuta da reunião do Fomc (o Copom deles, que decide os rumos da política monetária por lá). O conteúdo do documento deixa claro que o BC americano deve subir os juros pela primeira vez desde 2019. A taxa efetiva está em 0,08% neste momento. Deve ir a 0,25%.

Juro zero serve para estimular a economia a fórceps. O banco central empresta para os bancos normais basicamente sem cobrar juros; e os bancos aceitam de bom grado. Uma alta para 0,25% (que pode chegar a 0,75% ou mais no fim do ano) não é um abuso. Mas já deixa de ser dinheiro de graça. Os bancos pegarão menos; emprestarão menos, e vai começar a faltar dólar no mercado. É objetivo do Fed, naturalmente: com menos grana circulando, a inflação (em temíveis 7%) cai. 

Aliado a isso, o Fed deu a entender que vai comecar a vender títulos de dívida que tem em seu poder (o mercado chama isso de “diminuir o balanço”). Funciona assim: o Fed tem um título que lhe dá direito a, vamos dizer, US$ 1 milhão daqui a 5 anos. Então ele pega e coloca esse título a venda para os bancos por US$ 500 mil. Os bancos aceitam, pois é um negocião. O efeito, porém, é que dinheiro que iria para a praça na forma de empréstimos acaba se dirigindo aos cofres do Fed, e fica trancado por lá. Resultado: ainda menos dólares no mercado. 

Isso faz a cotação do dólar subir. Mesmo assim, a alta de hoje foi fraca (0,11%). Porque estão entrando mais dólares do que o normal no Brasil – tanto na bolsa como na compra de títulos de dívida do governo (aqueles que você compra no Tesouro Direto). Otávio Ladeira, subsecretário da Dívida do Tesouro , confirmou hoje que os estrangeiros voltaram a aumentar sua participação na compra de títulos brasileiros – demanda que ajuda não só a segurar o dólar, mas a manter os juros da dívida a níveis administráveis. 

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De negativo hoje, o que teve foi o IPCA-15. O índice, que mede a inflação entre meados do mês anterior e meados do mês corrente. Ela desacelerou para 0,58%, ante 0,78% em dezembro. É o menor índice desde maio do ano passado (0,44%), e dá a entender que os aumentos nos juros por aqui, que começaram faz tempo, começa a surtir efeito – o que começa a abrir as portas para que a Selic pare de subir. 

E porque o dado é negativo? Porque as expectativas dos economistas consultados pelo Estadão Broadcast era de uma desaceleração maior, para 0,45%. Os palpites variavam entre 0,35% e 0,73%.

Pois então. A economia definitivamente não é uma ciência exata. 

Até amanhã! 

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MAIORES ALTAS

Grupo Soma (SOMA3): 9,76%
Petz (PETZ3): 7,33%
Méliuz (CAHS3): 6,91
JHSF (JHSF3): 5,50%
Duratex (DXCO3): 5,11%

MAIORES BAIXAS

Braskem (BRKM5): -4,17%
Americanas (AMER3): -3,51%
JBS (JBSS3): -3,13%
Marfrig (MRFG3): -2,33%
Tim (TIMS3): -2,24%

Ibovespa: 0,98%, aos 111.289 pontos

Em Nova York

S&P 500: -0,15%, aos 4.349 pontos
Nasdaq: 0,02%, aos 13.542 pontos
Dow Jones: -0,38%, aos 34.166 pontos

Dólar: 0,11%, a R$ 5,4411

Petróleo

Brent: 1,79%, a US$ 88,74
WTI: 2,04%, a US$ 87,35

Minério de ferro: 0,08%, negociado a US$ 138,50 por tonelada no porto de Qingdao (China)

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