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Ibovespa, quem diria, pode ter fome de auxílio emergencial

Tombo nas vendas do varejo em dezembro mostra que a recuperação está mais para \ do que para V, e novas medidas econômicas podem ser necessárias.

Por Tássia Kastner, Monique Lima 10 fev 2021, 19h17

Quem tem fome tem pressa. Esse duro slogan atravessa gerações no Brasil e agora ressurge com a necessidade de novos pagamentos do auxílio emergencial. Quem relembrou a frase nesta quarta-feira (10) foi o relator do Orçamento de 2021, o senador Márcio Bittar, para deixar claro à equipe econômica que o Congresso quer aprovar uma nova rodada de pagamento às famílias sem renda na pandemia antes de discutir qualquer reforma fiscal.

O mercado financeiro não gosta nada disso. Investidores querem cortes de gastos e aprovação de reformas para que os pagamentos extras ocorram, ainda que nesta quarta possam ter descoberto que não são apenas os famintos que têm pressa. A economia também.

As vendas do varejo despencaram 6,1% em dezembro do ano passado, período em que tradicionalmente as pessoas gastam mais para as festas de Natal e Ano-Novo. Isso é na comparação com novembro, que já havia sido mais fraco que outubro apesar da Black Friday. É o maior tombo já registrado em dezembro desde que o IBGE divulga as estatísticas (2000) e léguas pior que as expectativas dos economistas — eles estimavam a queda de meros 0,6%, segundo projeções colhidas pelo Valor Econômico. 

O fim de 2020 foi também o último mês de pagamento do auxílio emergencial, que já estava reduzido em relação aos R$ 600 mensais do começo da pandemia. Naquela época, o discurso do governo e do mercado financeiro era o seguinte: o auxílio foi bastante generoso e as pessoas pouparam. Quando o benefício acabar, elas continuarão tendo a renda das economias para consumir.

O ponto é que o brasileiro cortou até gasto no supermercado em dezembro, com uma queda de 0,3% — pior se saíram os segmentos de ítens de uso pessoal e roupas e calçados, com tombos acima de 13%. Significa que as pessoas podem até ter poupado — mas vão continuar fazendo isso, já que a pandemia se agravou e isso afeta diretamente a confiança de que o pior já passou. 

Mas se as pessoas não gastam, o comércio encolhe, o cara que trabalha na loja perde o emprego, gasta menos e assim por diante. Essa é a lógica de pagar o auxílio emergencial. Evitar a espiral negativa.

Agora o mercado financeiro está numa sinuca de bico. Eles até vão continuar exigindo as reformas, claro, porque sem elas o risco de uma explosão da dívida brasileira cresce e a economia degringola. Explicamos aqui que o mercado não é bandido ao cobrar equilíbrio das.contas públicas Mas adiar o auxílio emergencial pode ser um tiro no pé, já que pode frear a saída do fundo do poço (além de deixar famílias passando fome, o que é obviamente ainda mais grave). Nesse cenário, o Ibovespa amargou o terceiro dia de queda: -0,87%, aos 118.435 pontos. 

Nos Estados Unidos, tem acontecido o inverso. Quando os relatórios registram piora na economia, a bolsa sobe. É porque investidores dobram a aposta na liberação de dinheiro para estimular a economia e sustentar o crescimento. E na semana passada, o debate até tinha andando. Mas engasgou e aí as bolsas interromperam a sequência de recordes. O S&P 500, que andou de lado e fechou em -0,03% e o Nasdaq teve queda de 0,25%. 

Aqui, o dilema fiscal x auxílio vai continuar. Nesta quinta-feira (11) saem os dados do setor de serviços, o mais afetado pela crise do coronavírus. Resta saber qual será a reação de Brasília a mais esse número, porque aquela recuperação econômica em V tá com cara de ter parado no \ mesmo (Obrigada, @duduguima). 

MAIORES ALTAS 

TOTVS: 2,14%

Suzano: 2,08%

Petrobras ON: 1,48%

Petrobras PN: 1,27%

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PetroRio: 1,23%

 

MAIORES BAIXAS 

BTG: -4,11%

Cogna: -4,07%

Azul: -3,97%

Via Varejo: -3,95%

JHSF: -3.67%

 

Petróleo

Brent: alta de 0,62%, para US$ 61,47 o barril.

WTI: subiu 0,55%, cotado a US$ 58,68  barril.

 

Dólar: -0,22%, a R$ 5,37.

Minério de ferro: 1,71%, cotado a US$ 166,90 no porto de Qingdao. 

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