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Ibovespa faz festa danada após governo anunciar compra de vacinas

Bolsa brasileira fechou em alta de mais de 1%, descolada do exterior. Nos EUA, o presidente Joe Biden anunciou marca de 100 milhões de vacinas aplicadas.

Por Tássia Kastner 19 mar 2021, 18h25

Antes tarde do que mais tarde. Nesta sexta (19), o governo Bolsonaro assinou contrato de compra de 138 milhões de doses de vacinas contra a Covid-19. Deu o óbvio. O Ibovespa subiu ao ver uma luz no fim desse imenso túnel que é contar mais de 2 mil mortos por dia pelo coronavírus.

Faz tempo que economistas, empresários e investidores avisam que a vacina é o único jeito de retomar a economia com segurança. A paralisação do comércio é uma tentativa de evitar que seja ainda maior o número de vítimas da doença e reduzir a sobrecarga dos hospitais, que colapsaram. Agora há sinais de que a indústria pode frear também: a Volkswagen, que não está na bolsa brasileira, anunciou a suspensão da produção em todas as fábricas do país até 4 de abril. O objetivo é preservar a saúde dos funcionários. Esse é só um exemplo do dia para o efeito nefasto de uma doença descontrolada sobre a economia. Doentes e mortos não trabalham e tampouco consomem.

O governo federal poderia ter comprado esses imunizantes bem antes. O Ministério da Saúde disse agora ter fechado a compra de 100 milhões de doses da farmacêutica Pfizer com entrega até setembro. As outras 38 milhões são da Janssen, mas não se sabe quando chegarão aos braços dos brasileiros. As da Pfizer haviam sido oferecidas ao Brasil em agosto. Se o governo Bolsonaro tivesse aceitado, a vacinação teria se iniciado em dezembro.

Bem, mas agora é questão de olhar para frente em busca de sinais de melhora. É o que fizeram os investidores nesta sexta e a notícia das vacinas se converteu em uma festa danada (GUEDES, Paulo). Subiram as ações de shoppings, de viagens e de consumo, uma espécie de comemoração antecipada do dia em que poderemos andar e gastar livremente por aí.

Mas eles não carregaram o Ibovespa sozinho. Houve também um empurrão de bancos e seguradoras, que se beneficiam da alta das taxas de juros. Desde que o BC decidiu subir a Selic para 2,75% ao ano, acima do que o mercado esperava, analistas do mercado estão debruçados sobre planilhas, tentando estimar até onde vai esse ciclo de alta.

No fim, o índice terminou o dia com alta de 1,12%, a 116.221 pontos. O resultado foi descolado do exterior.

Durante uma parte do dia, as bolsas americanas até subiram, mas os investidores de lá também andam refazendo contas de inflação, juros e recuperação da economia, o que deixa os mercados mais voláteis. Tudo passa pelos juros de longo prazo (explicamos aqui). Resultado: o S&P 500 terminou estável (-0,06%, a 3.913 pontos), o Dow Jones caiu 0,71%, enquanto a Nasdaq avançou 0,76%.

A favor dos americanos está o avanço expressivo da vacinação. Nesta sexta, o presidente Joe Biden afirmou que os EUA aplicaram 100 milhões de vacinas em 58 dias de seu governo. A meta, quando assumiu, era alcançar a marca em 100 dias.

À medida que mais pessoas são imunizadas, o número de casos se reduz e também a pressão sobre o sistema de saúde. Aí a atividade econômica começa a se recuperar. Um ano depois de pijamas e moletons, agora os americanos estão voltando a comprar roupas “de verdade”, segundo uma reportagem do Washington Post. Um sinal de que eles esperam em breve ter um motivo para usá-las. Resta saber quando nós poderemos fazer o mesmo por aqui. Bom final de semana.

Maiores altas

Pão de Açúcar: +13,24%

Sul América +8,71%

PetroRio +6,50%

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CVC: +6,85%

BR Malls: +6,10%

Maiores quedas

CSN: -3,86%

Assaí: -2,61%

Eletrobras: -1,72%

Vale: -1,44%

Suzano: -1,73%

Dólar

-1,51%, a R$ 5,4853

Petróleo

Brent: 1,98%, a US$ 64,53

WTI: 2,33%, a US$ 61,40

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