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Habemus vacina e um dia de otimismo no Ibovespa

Economia desacelerou em novembro e varejo encolheu em dezembro. Fora a questão de saúde, isso também faz crescer a expectativa por mais pessoas imunizadas.

Por Tássia Kastner 18 jan 2021, 19h31

Finalmente. Habemus vacina. A notícia que a maioria da população brasileira – incluindo a Faria Lima – esperava com fervor e comemorou durante o domingo. Nesta segunda, não deu outra: o Ibovespa subiu. 

A questão da vacina é de saúde pública. Estamos carecas de saber que mais de 200 mil brasileiros morreram de covid e que a média diária de novas vítimas voltou a faixa de mil pessoas por dia. A tragédia persiste, e isso depois de uma semana terrível, marcada por brasileiros morrendo sufocados em Manaus, sem oxigênio.

Por isso, a aprovação da Anvisa para duas vacinas no Brasil, a Coronavac e a de Oxford, foi um alívio. Por enquanto é só isso mesmo.

Foram produzidas 6 milhões de doses da Coronavac pelo Instituto Butantan. E a distribuição do imunizante para além das fronteiras paulistas já mostrou como o processo será complicado. Voos atrasaram e parte das injeções que poderiam ter sido aplicadas hoje ficaram para amanhã (ou depois). Além disso, por enquanto, há matéria-prima para produzir vacinas até o fim do mês, isso no Butantan. A Fiocruz ainda não tem material para começar a produção local da vacina desenvolvida no consórcio de Oxford. 

O que torna a notícia positiva é que pelo menos começamos. O Brasil está muito atrás de grandes países em seu programa de imunização, que deram as primeiras agulhadas em seus grupos de risco ainda em dezembro. E se já é gravíssimo, do ponto de vista de saúde, deve trazer danos econômicos ainda maiores.

Nesta segunda, o Banco Central divulgou o indicador de atividade econômica (o IBC-BR). O indicador mostra uma desaceleração da economia em novembro. Ele subiu 0,59% em novembro, ante 0,8% em outubro e mais de 1% em setembro. Apesar disso, o indicador foi considerado bom pelo mercado financeiro. É que ele veio ligeiramente acima das projeções.

Por outro lado, um indicador da Cielo mostrou que as vendas no varejo caíram quase 10% em dezembro, no pior mês desde 2014. O dado oficial do IBGE só será conhecido em fevereiro.

Uma das explicações é a redução do auxílio emergencial desde setembro, que caiu de R$ 600 para R$ 300. As pessoas perderam o poder de consumo, mas o mercado de trabalho ainda não reage da mesma maneira para compensar.

E essa é a péssima notícia para a economia do lado de cá, em 2021. Estamos em janeiro, não há mais auxílio e a pandemia se acelerou. Depois da virada do ano é que voltamos a contar mais de mil mortos por dia. Em São Paulo, bate-se recorde de novos infectados.

Quando os casos e mortes aumentam, governos ao redor do globo adotam medidas que limitam a circulação de pessoas – e fecham atividades não essenciais. Por aqui, alguns prefeitos e governadores até tentam o mesmo (desde o final do ano passado, diga-se), mas sofrem resistência de comerciantes, que querem continuar com as portas abertas.

O ponto é que, quando o comércio fecha e as pessoas precisam ficar em casa, governos do mundo todo injetam mais dinheiro na economia para compensar. De um lado com auxílio emergencial, para que as pessoas tenham renda para comer, do outro apoio às empresas para que não quebrem.

Em 2020, o governo brasileiro adotou medidas como essas. Em 2021, a Faria Lima diz que não há mais dinheiro para repetir a dose (o governo não tem nem o Orçamento regular de 2021, sem o cenário pandêmico, aprovado). A pressão, inclusive, é para que não sejam adotadas tais medidas. E é por isso que, no fim, todas as apostas estão na vacina. 

O Ibovespa terminou o dia em alta de 0,74%, a 121.241 pontos. NO começo do dia chegou a subir mais de 1%, mas foi perdendo força ao longo da tarde. Das 81 ações do índice, 42 caíram, o que mostra que o dia não foi exatamente positivo.

Faltou também a referência americana. Hoje as bolsas de Nova York não abriram devido ao feriado de Martin Luther King. Europa teve um dia de ações no positivo, mas o petróleo caiu. Parte foi pela alta do dólar ante as principais moedas, mas isso tem mais a ver com o baixo volume de negócios com o feriado do que com fundamentos. A outra parte da queda é atribuída ao aumento no número de casos de covid pelo mundo e a antecipação de medidas de isolamento para conter a pandemia. 

Mas se há uma notícia que possa ser considerada realmente positiva, ela veio da China. O país asiático registrou crescimento de 6,5% (em termos anualizados) do PIB no quarto trimestre de 2020. Parece mais do mesmo, dado o ritmo chinês de crescimento. Isso superou as expectativas do mercado financeiro. No ano, a alta foi de 2,3%, o pior desempenho em 44 anos. Parece uma tragédia, mas há o copo meio cheio. A China deve ser um dos raríssimos países cuja economia não terá encolhido no trágico 2020.

A despeito de dados pouco confiáveis do governo chinês, o fato é que eles conseguiram conter e isolar cada novo foco da doença, evitando uma segunda onda. E isso, também ajudou o Brasil.

A recuperação chinesa elevou a demanda e o preço do minério de ferro, o que tem mantido a Vale e as siderúrgicas brasileiras nas alturas. Uma pista do que se deve fazer enquanto a vacina não chega à maioria da população brasileira.

Amanhã nos mercados

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Não há divulgação de indicadores econômicos relevantes. 

Em audiência no Congresso dos Estados Unidos, Janet Yellen, indicada para o Tesouro americano, deve defender apoio fiscal robusto. Joe Biden, que toma posse na quarta, anunciou pacote fiscal com mais US$ 1,9 trilhão para apoiar a economia durante a pandemia.

MAIORES ALTAS

WEG 7,02%

Natura +5,16%

BTG Pactual +3,97%

Notredame Intermédica +3,66%

Hapvida +3,64%

MAIORES BAIXAS

Equatorial -2,14%

PetroRio -1,94%

Sabesp -1,79%

BRF -1,78%

Cemig -1,64%

Petróleo 

Brent: -0,63%, a US$ 54,75

Dólar

+0,01%, a R$ 5,3047

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