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Fed (ou parte dele) quis subir juro em 0,50 p.p. mês passado

Ata da reunião mostra que guerra demoveu BC e movimento agressivo. A partir de maio, Fed correrá prejuízo e deve tirar US$ 95 bi por mês da economia.

Por Tássia Kastner 6 abr 2022, 17h36

No meio do caminho da alta de juros dos EUA havia (e ainda há) uma guerra. E foi a invasão da Ucrânia que parece ter barrado o Fed (o banco central dos EUA) de subir a taxa de juros em 0,50 ponto percentual já na reunião de março.

No encontro do mês passado, uma parte dos membros do Fed disse que preferiria um aumento maior que os 0,25 p.p aprovados. Já era uma decisão impactante o bastante, dado que esse foi o primeiro aumento de juros por lá desde 2018. Nesta quarta, o BC dos EUA liberou a ata da reunião, com os detalhes que embasaram a decisão e as pistas do que deve ocorrer nas próximas. 

O lance é que faz tempo, até demais, que a inflação dos EUA corre muito acima da meta de 2% ao ano – está em 7,9% e continua subindo. Daí a necessidade de agir de maneira mais abrupta. O desemprego caiu a 3,6%, patamar de pleno emprego. É tão baixo que os salários continuam subindo (5% em 12 meses), o que retroalimenta a inflação.

Do outro lado da mesa ficaram os integrantes que consideraram o fator “Ucrânia” arriscado demais para cravar uma alta tão grande de juros por lá.

O problema é que em uma coisa todos concordaram: a guerra tinha um potencial maior de elevar a inflação do que de desacelerar a economia. A crise por lá causou um aumento nos preços dos combustíveis e interrupção no fornecimento de produtos, como fertilizantes. Esse combo eleva os preços de quase todos os produtos, inclusive comida.

O cenário é tão atípico que a ata do Fed, que geralmente funciona mais como espelho retrovisor, hoje serviu como farol para guiar o caminho à frente.

E aí a coisa apertou. O Fed pode ter sido cauteloso em março, mas deixou pré-contratada uma postura bem mais agressiva a partir da próxima reunião, que ocorre em maio.

A primeira medida é aquela que já estava no cenário-base dos investidores, desde que o próprio presidente do Fed, Jerome Powell, falou sobre o tema: o próximo aumento de juros pode ser de 0,50 ponto nos juros, o que levaria a taxa americana para a faixa de 0,75% a 1% ao ano. E aumentos subsequentes tendem a ser na mesma magnitude.

O segundo recado da ata foi o processo de enxugamento de dinheiro da economia. Durante a crise da Covid, o BC americano comprou títulos de dívida de quem estivesse disposto a vender. Isso colocou mais dinheiro em circulação e deixou o Fed com um cofre de US$ 9 trilhões em ativos (essas dívidas). Agora, o plano é vender de novo esses papéis no mercado e colocar os dólares no cofre.

Pela primeira vez, o Fed disse qual vai ser o tamanho do dreno. O plano é enxugar US$ 95 bilhões por mês da economia. Por mais que o mercado financeiro diga que já esperava esse montante, a verdade é que essa ação é muito mais rápida que qualquer retirada de estímulos da última década. Ali por 2017 e 2019, o Fed tirou US$ 50 bi por mês – e as bolsas, é bom lembrar, sofreram.

Nesta quarta não foi diferente. O S&P 500 caiu 0,97%, enquanto o Nasdaq tombou 2,22% – ele reúne as empresas tech, mais dependentes de dinheiro barato para financiar o crescimento.

O Brasil não escapou da maré negativa. O Ibovespa caiu -0,55%, e o dólar subiu a R$ 4,72, uma indicação que o mercado financeiro espera que a ação do Fed diminua a entrada da moeda americana por aqui. Agora é esperar a poeira baixar – e ver quem sobreviverá quando o dinheiro rarear. Até amanhã.

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Maiores altas

Eletrobras (ELET6) 3,91%

Eletrobras (ELET3) 3,73%

3R Petroleum (RRRP3) 2,88%

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Suzano (SUZB3) 1,90%

Vale (VALE3) 1,51%

Maiores baixas

CVC (CVCB3) -8,62%

Natura (NTCO3) -7,29%

Banco Inter (BIDI11) -8,50%

Méliuz (CASH3) -8,33%

Locaweb (LWSA3)  -7,93%

Ibovespa: -0,55%, a 118.228 pontos

Nova York

Dow Jones: -0,42%, a 34.497 pontos

S&P 500: -0,97%, 4.481 pontos

Nasdaq: -2,22%, a 13.889 pontos

Dólar: 1,19%, a R$ 4,7147

Petróleo

Brent: -5,22%, a US$ 101,07

WTI: -5,62%, a US$ 96,23

Minério de ferro: 2,32%, a US$ 145,85 por tonelada no porto de Qingdao, na China.

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