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Faria Lima ainda quer saber como governo vai pagar o Auxílio Brasil de R$ 400

Bolsa chegou a subir 1%, mas terminou com uma altinha de 0,10% após o anúncio do Bolsa Família turbo.

Por Juliana Américo, Tássia Kastner 20 out 2021, 18h33
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A alta de 0,10% do Ibovespa nesta quarta pode até deixar uma ilusão de que a Faria Lima se acalmou com o anúncio do Bolsa Família turbo, agora sob o nome de Auxílio Brasil. Olhe para os juros futuros, o indicador de quanto o mercado financeiro cobrará para financiar o governo (e o programa, em última instância) para saber que o elefante continua na sala.

Depois de causar um estrago gigante na Faria Lima, hoje o ministro João Roma confirmou que o pagamento vai subir para R$ 400 a partir do próximo mês — mas só até o final de 2022, que calha de ser ano eleitoral. 

Primeiro, vamos entender a ginástica. O Bolsa Família hoje paga uma média de R$ 190 aos beneficiários. O valor sofreria um reajuste de 20%, o que daria um pagamento mensal de R$ 230. Isso passou a ser chamado pelo governo de benefício permanente, transformando o Bolsa Família em Lord Voldemort sob Bolsonaro.

Só que R$ 230 é pouco para as ambições políticas do presidente, cuja popularidade está na lama com a disparada da inflação e a mortandade de brasileiros causada por uma gestão incompetente durante a pandemia. Por isso, o governo vai criar um pagamento extra de modo a garantir que ninguém receba menos de R$ 400 até o fim de 2022, quando se encerra o mandato.

Essa separação é importante do ponto de vista fiscal, porque permite ao governo caçar dinheiro de lugares diferentes, isso enquanto jura de pé junto que não vai usar crédito suplementar (um jeito bonito de dizer que não vai se endividar mais para pagar o Bolsa Família turbo) para pagar o benefício. Emitir dívida nova significaria sepultar o teto de gastos, o motivo do surto da Faria Lima ontem.

Por enquanto, Roma afirmou que o governo pretende colocar na PEC dos Precatórios a despesa do bônus suplementar. Esse é um outro drible no teto de gastos do governo, mas já plenamente digerido por investidores. O relatório da PEC, que seria votado hoje, foi adiado justamente para as alterações do Auxílio Brasil.

De boas. Mas, sem garantias, é impossível acreditar que emitir nova dívida seja uma carta fora do baralho. Daí que a Faria Lima chegou a comemorar o anúncio com uma alta de mais de 1%, mas logo tirou a euforia de campo. O dia de hoje foi aquele típico exame para atestar a saúde do coração. Hoje, em menos de meia hora, os investidores viram o Ibovespa cair 0,45% e depois subir outros 0,49%. Fechou a 110.786 pontos. 

E o problema está longe de acabar. Logo após o fechamento do mercado, o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que negociaria com o Congresso uma flexibilização no teto para os pagamentos do novo auxílio — ou seja, talvez não seja via precatórios, mesmo. O que quer dizer que o problema fiscal continuará a atormentar investidores. Até amanhã.

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Maiores altas

Banco Inter (BIDI11): 7,73%
Banco Inter (BIDI4): 5,82%
Locaweb (LWSA3): 5,62%
B3 (B3SA3): 4,95%
Bradesco (BBDC3): 3,69%

Maiores baixas

Getnet (GETT11): -12,09%
Petz (PETZ3): -4,51%
Méliuz (CASH3): -3,84%
Gol (GOLL4): -3,72%
Usiminas (USIM5): -3,72%

Ibovespa: 0,10%, aos 110.786 pontos

Em NY:

S&P 500: 0,37%, aos 4.536 pontos
Nasdaq: -0,05%, aos 15.121 pontos
Dow Jones: 0,43%, aos 35.609 pontos

Dólar: -0,59%, a R$ 5,5608

Petróleo

Brent: 0,87%, a US$ 85,82
WTI: 1,19%, a US$ 83,42

Minério de ferro: 0,02%, a US$ 124,07 no porto de Qingdao (China)

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