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Como a locadora Movida planeja aumentar o número de carros elétricos e por assinatura

Movida ganhou terreno – foram R$ 819 milhões de lucro em 2021. O CEO conta como pretende reforçar os investimentos em tecnologia e sustentabilidade.

Por Juliana Américo | Fotos: Carlos Pedretti | Design: Juliana Krauss Atualizado em 8 abr 2022, 09h46 - Publicado em 8 abr 2022, 06h00

Há oito anos, o belo-horizontino Renato Franklin aceitou um desafio: deixou para trás um cargo recém-conquistado de gerente de compras na Suzano para assumir a cadeira de CEO da Movida. A locadora de veículos tinha sido comprada pela Simpar (antigo Grupo JSL) no ano anterior e, por mais que estivesse no mercado desde 2006, ainda era pequena. Na época, possuía 29 pontos de atendimento, 150 funcionários e 2.400 carros.

Corta para 2022. O administrador, agora com 41 anos, está à frente da segunda maior empresa do setor de locação: a participação de mercado da Movida saltou de 5% para 22% – em primeiro está a Localiza, que, após a fusão com a Unidas, controla 61% do segmento. Para crescer, o executivo investiu na digitalização dos serviços e liderou o IPO em 2017. No ano passado, a companhia registrou lucro de R$ 819,4 milhões – 250% a mais do que em 2020. Hoje conta com 187 mil carros, 278 pontos de atendimento e 4 mil funcionários.

Nesta entrevista, Renato Franklin fala sobre os planos da empresa para ampliar a oferta de carros por assinatura e eletrificar sua frota.

O lucro da Movida subiu 250% em 2021. Como você enxerga esse salto?
Todas as linhas de negócios cresceram no último ano, principalmente a de carros por assinatura. Esse é um produto que traz muita estabilidade, porque envolve contratos de longo prazo, com baixo custo de operação, alta previsibilidade de receita e forte geração de caixa. Com isso, estamos entrando em 2022 com uma empresa mais madura, que cresceu muito durante a pandemia, com processos operacionais mais robustos.

Quais foram os desafios durante a pandemia?
Desde o início da empresa, nós temos uma estratégia de investir no mundo digital e o período ajudou nisso. Hoje, a gente já consegue abrir um contrato direto do tablet, sem usar nenhum papel; também temos a opção de check-in por QR Code. Eu acho que ainda estamos longe do sonho da melhor experiência [possível], mas temos um diferencial, sim, no mercado. Durante a pandemia, a empresa também conseguiu reduzir os custos e ganhar eficiência operacional, o que a ajudou a sair dessa crise mais estável.

Você está na liderança da Movida há quase 8 anos. Qual foi o maior acerto na estratégia de crescimento, e o que pode ser melhorado?
Acho que tudo pode ser melhorado [risos]. O nosso maior acerto foi, sem dúvida nenhuma, fortalecer os valores da companhia. A gente tem uma pedra fundamental aqui: os nossos valores. E em primeiro lugar estão os clientes. Toda a equipe, até quem está lá nos escritórios, tem essa visão de que vai atender um cliente – nem que seja um “cliente interno”. No final, qualquer coisa que você faz é para atender alguém. Do ponto de vista do que pode ser melhorado, eu acho que acompanhar e estar à frente de todas as transformações pelas quais o mercado de locação passa. O jeito como alugamos carro não vai ser o mesmo daqui a cinco anos. Estamos sempre de olho nas tendências: investimos em modelos automáticos e da categoria premium; aumentamos o número de carros elétricos; trouxemos carros coloridos, que é algo pouco comum aqui no Brasil; criamos uma modalidade de aluguel para quem trabalha com delivery. Em fevereiro, a gente completou cinco anos do IPO e com uma valorização de 100% das ações. Superamos todas as métricas do plano de negócio que tinha sido desenhado lá em 2017 e aqueles que acreditaram na gente lá atrás estão ganhando dinheiro. Mas também temos consciência de que isso é só o começo. Há muito trabalho para fazer.

Como você avalia a fusão da Unidas e da Localiza e como a Movida está se preparando para essa mudança no mercado de locação?
O mercado de locação é muito fragmentado e com empresas de diversos tamanhos. Então tem muita concorrência e nós estamos preparados para todas elas. Quando você compara, a Localiza é grande, mas a diferença de tamanho entre as nossas empresas já foi maior. Lá no começo, quando a Movida tinha 2 mil carros, as outras já tinham quase 70 mil. 30 vezes mais. Se a fusão das duas fizer a companhia ficar duas vezes maior que a nossa, não tem problema. Já é menos do que era antes. A escala que temos hoje é suficiente para o nosso atual plano de negócio. Estamos num patamar que permite negociações de grande escala com todas as montadoras, atendemos todo o Brasil, estamos focados em pessoa física e temos domínio do digital.

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Como a alta no preço dos seminovos afeta a empresa?
Por um lado, é bem positivo. Como a gente tem muito carro, todo o nosso estoque subiu de preço e isso traz um ganho grande para a empresa. No último balanço já deu para ver um aumento de 35% no ticket médio dos seminovos vendidos. E esses números a gente deve continuar vendo nos próximos resultados, conforme vendermos os carros. Mas tem um desafio de consumo também. O número de vendas caiu 21% exatamente porque os preços subiram e esses veículos ficaram restritos para quem tem dinheiro sobrando.

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Carlos Pedretti/VOCÊ S/A

Os carros por assinatura são uma tendência no Brasil?
Por aqui, essa é uma modalidade ainda nova, mas com muito potencial. Em média, 2 milhões de carros são vendidos anualmente no Brasil e 1 milhão deles vai para pessoa física. Em outros países, uns 50% disso seria leasing [aluguel que permite a compra do bem ao final do contrato]. O carro por assinatura é um leasing melhorado. Não tem tanta burocracia, permite mais flexibilidade, não tem todos os custos que um carro particular exige, a gente consegue conectar mais serviços de comodidade para o cliente. Apesar de ser pouco conhecido por aqui, a gente percebe que a resposta dos usuários está sendo muito boa. Então, imagina: se conseguirmos chegar nesses 50%, estamos falando de um mercado de 500 mil veículos. Tem muita oportunidade.

Quais são outras tendências do setor?
Uma que está se fortalecendo aqui no Brasil é a de eletrificação dos carros. Os elétricos estão chegando, não só porque são mais sustentáveis e as montadoras precisam diminuir as emissões de carbono, mas porque quem experimenta um carro elétrico não quer voltar para o de combustão. Eles são mais confortáveis, a manutenção é mais simples, a durabilidade é maior, você não tem que trocar óleo; para abastecer é só conectar em uma tomada. Tem gente que diz gostar do barulho do motor, de trocar de marcha. Mas eu brinco dizendo que isso é igual o iPhone e o BlackBerry. Quando o iPhone foi lançado, as pessoas diziam que gostavam do teclado. Gostavam mais ou menos, porque depois que você experimenta o mais moderno, nunca mais vai querer o antigo. É questão de a tecnologia ficar acessível. E o aluguel permite isso. Quando o veículo é compartilhado, o custo é rateado entre os usuários. A Movida está investindo nessa área. A gente já tem uma frota, ainda pequena, de 700 elétricos, e criamos um hub de carregamento rápido na Marginal Tietê, em São Paulo, para motoristas de aplicativo e de entregas que passam o dia na rua poderem abastecer.

E vocês percebem um interesse maior dos consumidores nos carros elétricos?
Bastante. A curiosidade e a vontade de experimentar são muito grandes. Percebemos uma outra mudança no perfil do consumidor. Antigamente, o pessoal procurava muito pelos modelos 1.0. Agora, os SUVs estão no topo das preferências dos clientes. O home office permitiu que as viagens de final de semana ficassem mais longas, então, as pessoas estão querendo carros maiores, mais confortáveis, com espaço na porta-mala.

Quais são os investimentos da Movida em sustentabilidade?
A gente trabalha com uma agenda climática muito forte. Afinal, o mercado de aluguel de carro impacta diretamente na emissão de gás carbônico. A Movida foi a primeira locadora de capital aberto a receber o certificado de Empresa B [empresas com modelo de negócio que visa ao desenvolvimento socioambiental]. Também fomos a primeira a fazer parte do ISE [Índice de Sustentabilidade Empresarial da B3]. No ano passado, fomos a única do setor a ser convidada para a COP 26 (Conferência das Nações Unidas para as Mudanças Climáticas), onde apresentamos o nosso projeto Carbon Free, de neutralizar as emissões até 2030, aumentar a frota de elétricos e ajudar no reflorestamento do corredor de biodiversidade do Rio Araguaia, no Pará e Tocantins. E claro que isso traz ganhos para a companhia, como a atração e retenção de profissionais, conquista de novos clientes e investimentos.

E os investimentos em tecnologia?
A gente foi uma das primeiras a aceitar Pix e a ter o serviço do Sem Parar já ativado para o cliente. Nosso e-commerce também evoluiu bastante e temos parcerias com marketplaces também. O check-in por QR Code e os contratos digitais agilizam muito o atendimento. Antes, você precisava entrar na loja, imprimir o contrato; agora não, o atendente faz tudo ali no pátio mesmo, do lado do carro, e sem papel ou impressora. Melhorou muito a experiência do cliente e do colaborador. E você não precisa de um superinvestimento. Essas soluções são pequenas do ponto de vista de tecnologia e inovação, mas fazem muito sucesso, porque são fáceis de usar.

Quais são os planos da empresa para 2022?
Neste ano, o foco é em crescimento orgânico. Nosso Capex [capital destinado a investimentos] para 2022 é entre R$ 5 bilhões e R$ 6 bilhões; além disso, temos um plano de abrir 100 novas lojas nos próximos anos. No ano passado, a gente adquiriu a CS Frotas e a Marbor Frotas Corporativas, que ajudaram a aumentar o número de veículos, mas não temos nada nessa parte de aquisição de outras empresas mapeado. Pode acontecer, mas só não é o foco e não é isso que move o ponteiro. A Movida faz uma aquisição quando enxerga um time bom, com pessoas diferenciadas, que podem somar aqui dentro.

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