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Big techs comandam montanha-russa e deprimem o mercado

Mas a queda, por enquanto, foi só lá fora: Ibovespa se segura em Vale e Petrobras e recupera os 122 mil pontos

Por Guilherme Eler e Tássia Kastner Atualizado em 11 Maio 2021, 21h08 - Publicado em 11 Maio 2021, 20h21

“Com emoção ou sem emoção?”, perguntaram as big techs aos investidores. Não houve escolha: a terça-feira foi uma montanha-russa nas bolsas americanas – com respingos aqui no Brasil.

Refletindo o temor sobre uma improvável (mas possível) alta nas taxas de juros dos EUA no médio prazo, o índice Nasdaq, que concentra o maior número de ações em tecnologia, operou no negativo praticamente o dia todo. O índice chegou a cair 2,2% no ponto mais crítico do dia, ainda que depois investidores tenham voltado a respirar. O pregão terminou perto da estabilidade (-0,04%). No fim, o Nasdaq foi o mais emocionante, mas não o que mais sofreu. Para o Dow Jones, que teve seu pior dia desde fevereiro, a queda foi de 1,36%, e para o S&P 500, de 0,87%.

A resposta para o tombo das bolsas americanas, pelo segundo dia consecutivo, está no Fed, o Banco Central do país. Investidores se antecipam a uma alta nas taxas de juros para conter a inflação crescente nos EUA. O medo tem motivo. A alta global das commodities encarece alimentos e matérias-primas de outros setores, como da construção civil.

Além disso, analistas estão às voltas para entender o real nível de desemprego do país. Há dois dias, suspeita-se que o problema não é a falta de vagas, mas o dinheiro dos auxílios emergenciais de lá, que permite a boa parte da população desempregada não voltar tão cedo ao mercado de trabalho.

Isso significa que os preços podem subir, porque as pessoas continuarão a consumir. Ao mesmo tempo, a falta de mão de obra baixa a produção. Consumo + produção baixa = inflação. Todo brasileiro não tão jovem conhece de cor essa equação.  

Medo dos juros na gringa

Aí o responsável por controlar a inflação – nesse caso, o Fed – precisa puxar o cabresto. Como? Aumentando os juros. Isso torna os investimentos em títulos públicos americanos mais atrativos, e força uma espécie de migração da bolsa para a renda fixa. Daí a reação tão abrupta das bolsas americanas. 

Só que o Fed tem dito repetidas vezes que a alta da inflação é transitória e que, por isso, não irá subir os juros do patamar perto de zero tão cedo.  

Mesmo assim, investidores se posicionam na expectativa de que essas novidades  econômicas façam o órgão mudar suas previsões. Uma resposta mais enfática sobre esses rumores deverá vir na quarta-feira (12), após a divulgação de dados de inflação nos EUA.

E o que isso tem a ver com as big techs? Bem, as ações dessas empresas estão entre as que mais se valorizaram nos últimos muitos meses. Logo, são as primeiras a cair. O momento agora é das commodities, cujos preços sobem em uníssono com a inflação do dólar. Como a Apple não produz petróleo e o Google não faz minério de ferro, as big techs estão num momento de baixa.

E o Ibovespa, num de alta.  

Valeu, minério de ferro!

Por aqui, investidores brasileiros tiveram um dia igualmente emocionante. Não por coincidência, uma ação de tecnologia puxou a baixa: os papéis da Totvs, empresa de software de São Paulo, caíram 3,76%. Mas, diferentemente do que aconteceu lá fora, o índice conseguiu sustentar a alta ao se pendurar em uma gigante. A Vale, responsável por quase 13% da carteira do Ibov, cresceu 3,51% e ajudou o índice a fechar com alta de 0,87%, a 122.964 pontos. Foi suado, no pior momento do dia ele perdeu o patamar de 120 mil pontos.

Na segunda, as ações da companhia ignoraram a disparada do minério de ferro, mas hoje investidores correram atrás do prejuízo. Ironicamente isso aconteceu justamente no dia em que o metal interrompeu a sequência de três pregões de alta. Cedeu 0,71%, para US$ 228,93 a tonelada. Ótimo para os negócios da mineradora brasileira, que vende o ferro mais puro do mundo. A Gerdau, empresa de aço, pegou carona no bom momento do minério e também figurou entre as maiores altas: 3,49% de aumento.

A Petrobras também teve seu papel no dia positivo do Ibovespa. As ações ações preferenciais (com preferência por dividendos) da companhia subiram 1,82%, enquanto as ordinárias (que dão poder de voto em assembleias), cresceram 1,32%. 

Eis um dia para agradecer às commodities. Até amanhã.

MAIORES ALTAS

Eletrobras (ELET3) +6,54%

Eneva  +4,85%

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Eletrobras (ELET6) +4,54%

Gerdau +3,49%

Vale +3,51%

MAIORES QUEDAS

Totvs -3,69%

Locamerica -2,13%

RaiaDrogasil -2,04%

Ultrapar -2,11%

PetroRio -1,68%

Ibovespa:  +0,87%, a 122.964 pontos

Dólar: -0,18%, a R$ 5,2227

Nova York

Dow Jones: -1,36%, a 34.270,35 pontos

S&P 500: -0,87%, a 4.152,11 pontos

Nasdaq: -0,09%, a 13.389,43 pontos

Petróleo

WTI: +0,20%, a  US$ 65,41

Brent: +0,34%, a US$ 68,55

Minério

Queda de 0,71%, a US$ 228,93 no porto de Qingdao, China.

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