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Após testar os 130k pontos, Ibovespa vira o jogo e fecha o dia em queda de 0,35%

China empurra a VALE3 (+1,01%), mas não é o bastante para segurar o Ibov em alta. S&P 500 e Nasdaq fecham no azul.

Por Sofia Kercher 24 jan 2024, 18h45 | Atualizado em 16 dez 2024, 15h24
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 (Kauan Machado/Fotos: Getty Images/Unsplash/VOCÊ S/A)
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Para aqueles que também estão com saudades do Brasileirão, pensemos em termos futebolísticos. O Ibov abriu a partida bem, impulsionado pela alta dos papéis da Vale (+1,01%) e um exterior surfando nos resultados positivos de empresas tech (ambos fatores que entenderemos melhor em instantes).

No meio do 1º tempo — cerca de 12h, para sermos mais específicos — o jogo virou. Dados fortes sobre o setor de manufatura e serviços nos EUA reacenderam preocupações em relação aos cortes de juros no país, e o índice, gradativamente, começou a perder força. 

Por volta das 15h30, virou de vez. E aí, não teve estratégia que salvasse. Chegamos ao final da partida perdendo 0,35% — aos 127.815 pontos. 

O Ibov foi na contramão dos principais times índices americanos, apesar de eles também terem perdido forças ao longo do dia. O S&P 500, que abriu em alta de 0,57%, fechou estável (0,08%). A Nasdaq, com alta forte na abertura (0,87%), ganhou meros 0,36%. 

Vamos entender melhor o que aconteceu, por lá e por aqui. 

EUA

Como citamos ali em cima, dados sobre o setor de manufatura e serviços dos Estados Unidos, o famigerado PMI, saíram nesta quarta. O indicador aumentou para 52,3 este mês, o nível mais alto desde junho passado. Em dezembro, o dado foi de 50,9. Acima de 50, o PMI indica crescimento. Abaixo de 50, retração. 

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A alta amargou os ganhos por aqui e por lá porque o Fed precisa de sinais de esfriamento da economia para começar a cortar a taxa de juros, atualmente em 5,5% no ano (nível elevadíssimo para a economia norte-americana). 

Em dezembro, só 12% dos investidores apostavam na manutenção desse patamar na reunião do Fed de março. A teoria começou a perder força no começo do ano e, atualmente, a maioria acha que vai permanecer do jeito que está por mais um tempo (58,4%).

Na terra do Tio Sam, o setor tech veio ao resgate, impedindo os índices de fecharem o dia no campo negativo. Não dá pra dizer o mesmo para o Ibov porque, como sabemos, as ações de tecnologia não fazem nem cosquinha nos investidores brasileiros. 

A boa de hoje foi cortesia da Netflix e da ASML, empresa de semicondutores alemã. No caso da primeira, o que chamou a atenção dos investidores foram os novos assinantes do streaming: no último trimestre de 2023, foram 13,1 milhões deles, muito acima dos 8,9 milhões previstos por analistas. A empresa divulgou as informações ontem, pós-fechamento em NYC. Hoje, as ações subiram 6,03%. 

Em relação à ASML, a companhia divulgou um recorde de pedidos no 4º trimestre, e lucro líquido (2,05 bilhões de euros) bem acima das expectativas (1,86 bi). No fechamento, os papeis avançaram 7,37%. 

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Nenhuma das duas empresas é suuuuper relevante dentro dos índices norte-americanos — então geralmente não conseguem puxar os índices sozinhas. Mas os ótimos resultados vêm justamente quando as apostas para o setor tech estão altíssimas, em especial com a explosão do interesse por inteligência artificial. As boas notícias, então, foram recebidas com mais festa do que o usual, na vibe lado meio cheio do copo: se os juros vão ficar altos, é porque as empresas continuam lucrando, então tudo certo.

VALE3

Depois de sete pregões no vermelho e perdas acumuladas de 6,6%, os papeis da Vale tiveram um respiro nos últimos dois pregões. Ontem, a alta foi de 2,06%. Hoje, 1,01%.  

Nesta quarta, o minério subiu 1,77% na bolsa de Dalian, decolando com o anúncio de Pequim de um corte no compulsório bancário. A mudança injetará cerca de 1 trilhão de yuans (US$ 141 bilhões) no país. 

Claro, isso são projeções para um futuro-razoavelmente-distante. A decisão é bastante indireta mesmo para a economia chinesa, já que primeiro o compulsório cai, depois os bancos tentam emprestar o dinheiro e quem sabe o crédito vira mais consumo e um crescimento na China  – e aí sim mais demanda por produtos brasileiros. 

Ou seja: pode demorar um tempinho para as medidas de estímulo à economia chinesa se converterem em mais lucro para Vale e outras mineradoras/siderúrgicas brasileiras. Mas isso pouco importa para o mercado financeiro, uma das instituições mais ansiosas da contemporaneidade – e que vive de antecipar o futuro. Bastou a mera possibilidade da grana para empolgar investidores. Vide as bolsas asiáticas nesta quarta: o índice chinês CSI 300 avançou 1,40%. O Hang Seng, de Hong Kong, saltou 3,56%

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Se o Ibovespa não caiu mais, foi uma cortesia da Vale, que ocupa 13% da composição do índice. 

Trocando em miúdos: expansão da economia chinesa = mais demanda por minério de ferro = aumento nos preços da commodity. Isso faria com que a receita da companhia crescesse organicamente, sem precisar gastar mais na operação. A.k.a margem de lucro maior. A.k.a golaço para ela.

Isso justo antes de uma efeméride trágica: amanhã (25) completam-se cinco anos desde o rompimento da barragem de Brumadinho, tragédia que matou 270 pessoas no interior de Minas Gerais. No primeiro pregão após o desastre, VALE3 caiu 24% — isso no dia 28, dado que 25 é feriado em São Paulo e a B3 não operou. A empresa perdeu R$ 60 bi de valor de mercado no dia (saiu de R$ 296 bi para R$ 226 bi). 

A ação bateu no fundo do poço dia 7 de fevereiro de 2019, quando chegou a ser negociada a R$ 38,90. Desde então, os papeis subiram quase 80%. 

Por sinal, vale lembrar. Amanhã é feriado em São Paulo, mas a B3, como boa paulistana, só pensa em trabalho. A bolsa abre normalmente. Então, nós também estaremos aqui para contar como foi o dia no mercado. Até amanhã 😉

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MAIORES ALTAS

Usiminas (USIM5): 3,82%

Marfrig (MRFG3): 2,99%

Alpargatas (ALPA4): 2,52%

CSN Mineração (CMIN3): 2,44%

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Gerdau (GGBR4): 2,31%

 

MAIORES BAIXAS

Natura (NTCO3): -5,38%

Casas Bahia (BHIA3): -4,50%

Yduqs (YDUQ3): -3,72%

RaiaDrogasil (RADL3): -3,53%

Arezzo (ARZZ3): -3,46%

Ibovespa: -0,35%, a 127.815,70 pontos

Em Nova York

S&P 500:  0,08%, aos 4.868 pontos

Nasdaq: 0,36%, aos 15.481 pontos

Dow Jones: -0,26%, aos 37.806 pontos

Dólar: – 0,47%, a R$ 4,9321

Petróleo

Brent: 0,65%, a US$ 79,63

WTI: 0,96%, a US$ 75,09

Minério de ferro: 1,77%, a US$ 138,22 por tonelada na bolsa de Dalian (China)

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