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Ações de Embraer, CVC e Gol voam na esteira da vacinação nos EUA

Mesmo com o Brasil passando por seu pior momento na pandemia, empresas mais sensíveis à covid foram as três maiores altas da semana. Agradeçam ao sr. Biden.   

Por Alexandre Versignassi 12 mar 2021, 18h26

Joe Biden foi assertivo ontem. “Se colaborarmos, há uma bela chance de que, no dia 4 de julho, sua família e seus amigos possas estar juntos no quintal para um churrasco no Dia da Independência”, ele disse. Depois de um logo e penoso ano, esse será um Dia da Independência realmente especial. Vamos comemorar nossa “independência do vírus”. 

Com o ritmo de vacinação chegando a mais de 2 milhões por dia, e subindo, a administração Biden prevê que, até o dia 1 de maio, todos os americanos que puderem ser vacinados (aqueles acima de 18 anos) terão recebido suas duas doses (ou uma, nos casos de quem receber o imunizante da Jansen, a farmacêutica da Johnson & Johnson). 

Não foi um discurso utópico. O fato é que o número de mortes por dia já caiu 60% desde o pico, em janeiro, quando o país chegou a registrar 4 mil mortes por dia. Agora a taxa está em pouco menos de 1.500. Não se trata de um número baixo. Só o Brasil apresenta mais óbitos por dia – já que desde quarta feira, elas romperam a marca de 2 mil por dia por aqui. 

Mesmo assim, ao menos até agora, os EUA sofreram ainda mais com a covid. Foram 543 mil mortos. Isso dá 162 mortes para cada cem mil habitantes. Um índice 25% maior que o do Brasil, de 129 mortes/100 mil habitantes. No total de mortos, nosso país ocupa a segunda posição, com 273 mil. 

A diferença é que a tendência aqui é de alta e, como todos sabem, falta muito para pensarmos numa data final para a imunização. Os EUA já imunizaram mais de 30 milhões de pessoas com duas doses. O Brasil, 3,3 milhões (outros 6 milhões que tomaram a primeira ainda esperam pela segunda), e só teremos doses o bastante para um programa de imunização maciço, com mais de um milhão de vacinados por dia, nos próximos meses.    

Mesmo assim, algumas das ações brasileiras que mais perderam com a Covid viveram um boom nesta semana. O mercado financeiro, afinal, não trabalha com a realidade do presente, mas com expectativas para o futuro. E os bons resultados nos EUA dão mais esperança de que, mais hora menos hora, o jogo vai virar por aqui também. Com isso, as três maiores altas da semana foram justamente: 

  1. CVC: 12,82%
  2. Embraer: 12,09%
  3. Gol: 11,78%

A Embraer, claro, responde naturalmente a qualquer melhora nos EUA, já que se trata do maior mercado para a fabricante de aviões. A empresa de São José dos Campos, na verdade, acumula a maior alta no ano entre as companhias listadas no Ibovespa: XX%. Boa parte dessa alta tem a ver com outra notícia: as conversas com o Grupo Lufthansa sobre uma encomenda de grande porte, provavelmente para substituir boa parte dos seus 43 aviões da Embraer da geração antiga (a E1) por modelos E2, mais econômicos. 

A alta recente, porém, parece ter sido impulsionada pela melhora do clima nos EUA. Tanto que a Boeing, outra fabricante de aviões que obviamente ganha muito com a eventual volta da normalidade por lá, subiu na mesma toada: XX% na semana, puxada pelos rumores de que a empresa está para fechar um acordo de venda de mais 100 737-MAX para a Southwest, a maior aérea low cost dos Estados Unidos.   

A CVC, por outro lado, tem uma relação menos direta com as melhoras nos EUA (eles não vivem só de pacotes para a Disney, afinal). A alta dela tem a ver mesmo com a expectativa de que a pandemia também arrefeça rapidamente por aqui conforme o programa de vacinação vá desenrolando. 

Vale o mesmo para a Gol. Você não precisa comprar uma bola de cristal no Mercado Livre para saber que o turismo viverá um boom no dia em que a pandemia fizer parte do passado. 

Mixed feelings

O S&P 500, principal índice das bolsas americanas, chegou a subir 16% entre terça e quinta, na esteira das boas notícias sanitárias. E renovou seu recorde histórico, roçando na marca de 4.000 pontos. Nesta sexta, porém, o índice ficou mais tímido. O clima voltou a ser aquele que dominou a maior parte de 2021: receio de que os juros nos EUA eventualmente subam, para financiar o novo programa de estímulos, de US$ 1,9 trilhões.

Os juros de curto prazo seguem próximos de zero. Os de longo, porém, voltaram a cruzar a linha vermelha dos 1,6% ao ano – que tinham causado preocupação no início de março. Uma alta nos juros dos títulos de longo prazo (com vencimento em dez anos) torna o investimento em bolsa menos atraente. O risco de aplicar em títulos tende a zero, afinal. E, se uma multidão de pessoas e de fundos “sacar” da bolsa para colocar no porto seguro dos títulos públicos americanos, teremos uma queda forte nas bolsas do mundo todo. Logo, investidores tentam sair da bolsa enquanto os preços ainda estão altos – e esse movimento, por si só, dá uma derrubada nas ações. 

Por essas, o S&P 500 ficou basicamente no zero a zero, estável em 0,10%. E o Nasdaq Composite, índice das empresas de tecnologia, mais infladas que o resto do mercado caiu 0,59%. 

O Ibovespa também fechou em baixa, tragado em parte pela baixa no minério de ferro. Queda de 0,72%, e com a Embraer liderando o ranking de maiores altas desta sexta – um pequeno sinal de que, sim, amanhã há de ser outro dia. 

Bom final de semana. 

MAIORES ALTAS 

Embraer:  4,59%  

Multiplan: 3,99%

Ezetec: 3,48%

Vivo: 3,17%

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Lojas Renner: 2,62%

MAIORES BAIXAS

B2W: – 4,67%

Via Varejo: – 4,22%

Lojas Americanas: – 3,43%

B3: – 2,72%

Vale: – 2,44%

Ibovespa: -0,72%, a 114.160 pontos

S&P 500: 0,10%, a 3.778 pontos

Nasdaq: – 0,59%, a 13.319 pontos

Dow Jones: 0,90%, a 30.778 pontos

Dólar: -0,30%, a R$ 5,55

Petróleo

Brent: -0,59%, a US$ 69,22

WTI: -0,62%, a US$ 65,61

Minério de ferro

3,08%, a US$ 165,44 a tonelada no porto de Qingdao

 

  

   

      

 

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