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Abertura de mercado: China começa a agir para evitar uma crise generalizada

Governo chinês injeta US$ 17 bilhões no sistema financeiro. Bolsas da Ásia fecham em alta, e os índices futuros dos EUA seguem pelo mesmo caminho.

Por Juliana Américo, Alexandre Versignassi Atualizado em 23 set 2021, 17h45 - Publicado em 23 set 2021, 08h27

Bom dia!

O governo da China deu um aperto na Evergrande. Ordenou a construtora a terminar seus prédios inacabados e a pagar os juros de suas debêntures – que remuneram via cupom. Nesta quinta, vencem US$ 83 milhões em cupons. A empresa, porém, tem 30 dias para fazer o pagamento. 

Mesmo assim, Pequim já avisou aos governos locais que a Evergrande vai quebrar mesmo. Não se sabe se o governo vai dar alguma ajuda direta aos credores da companhia, para evitar uma crise de confiança na economia. Mas a parte indireta ele está fazendo. 

O medo de que o caso Evergrande criasse uma quebradeira generalizada já estava fazendo com que os bancos chineses cobrassem mais caro pelo dinheiro que emprestam uns para os outros – aquilo que, no Brasil, a gente chama de “taxa DI”. O Banco Central Chinês, então, entrou forte na ciranda de empréstimos interbancários, injetando dinheiro novo a juros menores, e recomprando títulos que estavam em poder dos bancos. Só em recompras foram US$ 17 bilhões ontem – o maior nível desde janeiro.

É a mesma coisa que o Banco Central dos EUA faz por lá (a um ritmo de US$ 120 bilhões por mês). E parece mesmo ter acalmado o mercado: Hong Kong fechou em alta de 1,20%.

O mercado global, diga-se, está viciado nesse tipo de calmante. Hoje, é a dose dele que determina o humor das bolsas. Tanto que, ontem, os mercados fecharam em alta depois de Jerome Powell dizer que vai manter as recompras nos EUA intactas até novembro, e que o desmame será gradual, ao longo de 2022. 

Por aqui, o Copom fez o que disse que iria fazer, e aumentou a Selic em mais um ponto percentual, para 6,25%, de modo a conter a inflação (juro alto drena dinheiro do mercado, e com menos dinheiro circulando a inflação freia – é assim que funciona em qualquer país). A novidade é que o BC já avisou que sobe mais 1 pp na próxima reunião do Comitê de Política Monetária. Então está resolvido: em outubro, salvo uma queda de asteroide da Baía da Guanabara, teremos Selic a 7,25%.

A boa notícia é que a determinação do BC em conter a inflação deu mais confiança para o mercado. Quem sinaliza isso é o “DI futuro” – as apostas que fazem para qual será a taxa que os bancos cobram uns dos outros nos próximos anos (uma taxa que anda de mãos dadas com Selic). 

Ontem, essas previsões pararam de subir, depois de meses de altas ininterruptas. O DI para janeiro de 2024 caiu 0,045 pp,a 9,46%. O para janeiro de 2030, 0,095 pp, a 10,54%. Isso é importante porque quem determina os juros de um financiamento imobiliário, por exemplo, não é a Selic atual, mas o DI futuro. Ele também manda nos juros dos títulos prefixados. Ou seja: a tendência é que essas taxas comecem a baixar. 

Isso, claro, se tudo der certo e a inflação cair de fato. Para que isso realmente aconteça, porém, o governo precisa colaborar mantendo os gastos públicos sob controle. Por enquanto, a esperança é a de que isso aconteça, dada a aparente harmonia entre Guedes e o Congresso na elaboração dos gastos para 2022. O atual governo, porém, tem um chefe que não preza exatamente pela harmonia. 

Até amanhã.

humorômetro: o dia começou com tendência de alta

Futuros S&P 500: +0,56%

Futuros Nasdaq: +0,61%

Futuros Dow: +0,47%

*às 7h30

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Europa

Índice europeu (EuroStoxx 50): +1,13%

Bolsa de Londres (FTSE 100): +0,27%

Bolsa de Frankfurt (Dax): +1,05%

Bolsa de Paris (CAC): +0,91%

*às 7h30

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Fechamento na Ásia

Índice chinês CSI 300 (Xangai e Shenzhen): +0,65%

Bolsa de Tóquio (Nikkei): Não teve pregão hoje, porque é é feriado no Japão

Hong Kong (Hang Seng): +1,20%

Commodities

Brent: -0,34%, a US$ 75,93

Minério de ferro: estável em US$ 108,70

*às 8h20

Agenda

09h30 O Ministério de Trabalho dos EUA divulga o número de pedidos de seguro-desemprego da semana passada.

market facts

Jetsons

A Gol vai lançar uma malha de “carros voadores”. A empresa fechou um acordo para arrendar 250 aeronaves elétricas de pouso e decolagem vertical (eVTOL, na sigla em inglês). O modelo VA-X4 é da britânica Vertical Aerospace e permite transportar até quatro passageiros (além de um piloto), tem alcance de 160 km e velocidade máxima de 320 km/h. O “carro voador” funciona como um helicóptero, mas promete ser mais barato, ecológico e silencioso. A Gol afirma que pretende começar as operações até 2025, caso a aeronave receba as certificações necessárias para voar nos céus brasileiros. 

Briga de gigantes

Ontem, o Facebook viu suas ações caírem 3,99%, e jogou a culpa no colo da Apple. Em abril do ano passado, a empresa de Steve Jobs lançou uma atualização de privacidade que exige a permissão dos usuários de iOS para serem rastreados. Basicamente, quando você navega pela internet, os sites vão coletando os seus dados. Para o Facebook, esses dados são ouro: as informações são usadas para venda de publicidade online. Acontece que ontem, o vice-presidente de marketing de produtos da rede social, Graham Mudd, admitiu que as atualizações de privacidade estão prejudicando os negócios. Ficou mais difícil para o Facebook calcular o alcance das campanhas publicitárias, que agora estão 15% menos bem-sucedidas. E isso pode impactar nos resultados do terceiro trimestre.

Vale a pena ler:

Movimento dos sem pix

O sistema bancário brasileiro está cada vez mais digitalizado, a ponto das cédulas de dinheiro começarem a se tornar item de colecionador. A circulação do papel-moeda diminuiu 5% desde que o Pix foi lançado, em novembro do ano passado. Claro que a pandemia acelerou o uso de ferramentas digitais e mudou a forma como as pessoas lidam com os bancos. Até estamos com menos agências bancárias: o número caiu de 21 mil unidades em agosto de 2019, para 18,4 mil no mesmo período deste ano. 

O problema é que esse movimento esbarra em alguns obstáculos. Entre eles estão o alto número de trabalhadores informais, negócios em periferias que não trabalham com maquininhas, cidades que não possuem agências e os brasileiros que ainda estão desbancarizados. Leia o texto completo aqui, na Piauí

Lojas físicas da Amazon

O celular virou o novo shopping. Mas nunca vai faltar quem faça questão de ir às lojas para conhecer e experimentar o produto antes de levar – principalmente quando se tratam de roupas. É pensando nisso que a Amazon planeja abrir nos EUA lojas físicas de departamento. 

Mas a empresa não quer criar uma loja tradicional. Os clientes poderão escolher as roupas pelo celular e os atendentes já separam e colocam nos provadores. Leia aqui no Wall Street Journal (em inglês).

 

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