Dólar abaixo de R$ 5,40, dá pra acreditar?

A expectativa pela vitória de Joe Biden nos EUA garantiu uma semana inteira de festa nos mercados. O Ibov subiu 7,4%.

Depois de uma semana inteira comemorando a alta do Ibovespa, pá! Você piscou e o dólar tá de novo abaixo dos R$ 5,40. Mas não tava até ontem ou anteontem acima de R$ 5,70? Estava. É isso que Galvão Bueno chama de teste para cardíacos. O mercado financeiro chama mesmo é de volatilidade.

Mas o resumo é que, na semana, a queda foi de 6,1%, o que levou a moeda americana ao menor patamar contra o real desde 18 de setembro. Considerando só a baixa de hoje, foi a maior baixa diária desde agosto.

O que aconteceu? Bem. A mesmíssima coisa que anda pegando nas bolsas. Otimismo desenfreado, depois de um pessimismo extremo. E tudo tem ligação com o ainda indefinido resultado da eleição americana. 

É que o cenário que indica a vitória do democrata Joe Biden deixou todo mundo mais confiante. E aí quando sobra otimismo em Nova York, a gente também ganha com isso. Confiança e otimismo, no mercado financeiro, são sinônimos de dinheiro estrangeiro pingando aqui no Brasil.

Nesta sexta, o Ibovespa teve uma leve alta e coroou quatro pregões de valorização (só não teve o quinto porque segunda foi feriado aqui). Resultado: ganho semanal de 7,43% e a oitava festa dos 100 mil pontos — sim, cada vez que o Ibov perde e depois retoma essa marca simbólica, o mercado comemora.

A festa brasileira (no dólar e na bolsa) foi 100% patrocinada por Wall Street. Lá o S&P 500 acumulou ganhos de 7,3%. O Dow Jones subiu um pouco menos, mas nada desprezíveis 6,9%, enquanto a Nasdaq acumulou ganho ainda maior. 9%. É pra sextar se sentindo rico, minha gente. É a melhor semana das bolsas desde abril. Claro, não custa lembrar que essa melhor semana veio depois de uma pior semana. E era a pior desde março, quando oficialmente entramos na pandemia de coronavírus.

Mas por que mesmo os investidores andam tão felizes com Joe Biden? Para começar, o democrata já demonstrou ser mais gastador que Donald Trump. E tem aqueles US$ 2,2 trilhões em uma negociação emperrada há semanas lá no congresso americano. Você deve lembrar as quedas que as bolsas de Nova York sofreram na disputa entre Donald Trump e Nancy Pelosi pela aprovação desse dinheiro. Pois é, a expectativa é que com a mudança no executivo, a aprovação seja simples. 

“Mas poderia acabar com o orçamento público e o mercado financeiro não gosta disso.” Verdade. Só que o mercado não dá ponto sem nó. Investidores contam com o Senado recheado de republicanos conservadores para conter os gastos e também o aumento de impostos sobre as empresas. Olhando assim, até parece que o cenário foi desenhado pelos economistas. 

Tem também a história das big techs. Semana passada uma liquidação, essa uma volta às compras. E aí, olhando pelo retrovisor, as explicações para isso já mudaram bastante.

Agora, dizem que o mercado errou na semana passada. Apostava numa onda azul, que elegeria um senado de maioria democrata. E aí, com senado, câmara e presidência no controle do mesmo partido, essas companhias passariam a ser alvo de ataque porque são muito grandes.

Tinha gente que dizia que a queda era medo de uma reeleição do Trump mesmo, porque ele andava irritado com a atuação de algumas empresas e os disclaimers de que suas postagens são fake news.

Depois, a onda azul, no comecinho da semana, já era positiva para todo mundo. Maioria para fazer o país crescer. Por fim, quando ficou claro que o senado continuaria controlado pelos republicanos, a notícia se tornou igualmente positiva. É que aí os democratas não teriam mais poder de bulir com as big techs. E de novo, subir impostos.

UAU. É muita mudança de opinião. Mas é disso que se alimenta a compra e venda de ações minha gente.

Não custa lembrar que, se a gente olhar duas sextas-feiras atrás, até dá para dizer que estamos praticamente no zero a zero. Andou, andou e voltou pro mesmo ponto. O que importa é que o investidor saiu para o final de semana vendo o copo meio cheio. 

Você deveria fazer o mesmo. =)

 

MAIORES ALTAS 

Hypera: 6,02%

Brasken: 5,40%

Iguatemi Shopping: 5,10%

Petro Rio: 5,10%

IRB: 4,97%

 

MAIORES BAIXAS 

Rumo: -3,27%

Suzano: -2,73%

Fleury: -2,17%

B2W: -2,08%

WEG: -2,04%

 

Dólar: -2,74%, cotado a R$ 5,39

 

Petróleo 

Brent: -3,61%, a US$ 39,45 o barril

WTI: -4,25%, a US$ 37,14 o barril

 

Fechamento Nova York (do dia)

Dow Jones: -0,24% (28.323,40)

S&P 500: -0,03% (3.509,44)

Nasdaq: +0,04% (11.895,23)

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