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Condotechs: conheça as oportunidades de negócios para condomínios

Mercadinhos autônomos, lavanderias, portaria remota, apps de gerenciamento: o prédios residenciais se tornam cenário para novos negócios, que atraem tanto startups como grandes empresas. 

Por Juliana Américo | Ilustração: Júlia Quaresma | Design: Brenna Oriá | Edição: Alexandre Versignassi 10 jun 2022, 13h58

Mais de 68 milhões de brasileiros moram em condomínios, segundo uma estimativa da Abrassp, a Associação Brasileira de Síndicos. Estamos falando em um terço da população do país.

Foi de olho nas necessidades desse público que começaram a surgir startups apelidadas de “condotechs”, ou seja, voltadas a levar tecnologia para dentro dos conjuntos de prédios ou de casas. Isso engloba sistemas de gerenciamento financeiro, automação de portaria, serviços de economia compartilhada e de consumo. “O segmento de condomínios sempre foi muito conservador. Mas a pandemia ajudou a acelerar a transformação digital e hoje a gente já vê até moradores indicando soluções nas reuniões dos prédios”, afirma Cora Souza, consultora de negócios do Sebrae-SP.

Mais do que um segmento promissor, os condomínios também são ambientes ideais para quem quer fazer testes controlados. É muito mais fácil entender como um serviço ou produto será aceito pelo público, ou se existem pontos a melhorar, quando ele está em um lugar fechado, do que sair dando a cara a tapa no mercado. 

Tanto que grandes empresas estão investindo no setor. É o caso da Unilever: em 2019, a empresa lançou a Omo Lavanderia – uma lavanderia coletiva para prédios residenciais. Com os apartamentos cada vez menores, não são raros os imóveis que já não têm área de serviço.

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Júlia Quaresma/VOCÊ S/A

No caso do serviço da Omo, tudo é controlado via aplicativo: você reserva as máquinas de lavar e já determina o tipo de roupa (se é colorida, delicada, muito suja). O próprio equipamento libera a quantia certa de sabão e amaciante, sem que o morador precise levar os produtos de casa. O ciclo de lavagem custa em torno de R$ 10, e o pagamento é feito pelo app. 

O serviço é contratado direto pelo condomínio. Nesse caso, dependendo do número de moradores e da quantidade de máquinas, a Unilever fornece a lavanderia sem custos para o prédio – desde que seja disponibilizado um espaço para a instalação, além de água, energia e internet. E a empresa fica responsável pela manutenção e reabastecimento dos produtos de limpeza. 

Deu certo no condomínio, por que não ir para a rua? Em março do ano passado, a Unilever lançou três modelos de franquias para lavanderias: a self-service, na qual o próprio cliente cuida da lavagem; a express, que tem uma equipe para prestar o serviço; e a especializada, que tem serviços de higienização mais complexos, como de peças de couro ou tecidos delicados. Em um ano, já foram abertas 160 unidades das franquias. 

A onda dos mercadinhos autônomos

Quarta-feira à noite. O jogo Palmeiras x Corinthians vai começar daqui a dez minutos e você percebe que está faltando o item mais importante para acompanhar o clássico: uma cervejinha. Pegar o carro para procurar um supermercado aberto está fora de cogitação. E pedir por aplicativo pode demorar – ou, pesadelo dos pesadelos: vir quente. 

Pensando na comodidade de quem não está a fim de sair de casa, Gustavo Almeida criou a Take, uma startup de vending machines de cerveja em condomínios. O equipamento nada mais é do que uma geladeira com capacidade para 300 garrafas ou latas, que pode ser instalada em qualquer área comum do prédio. 

Ela conta com um sistema de inteligência artificial que escaneia todos os produtos lá dentro para saber exatamente o que o cliente pegou. Funciona assim: o morador baixa o aplicativo e se cadastra – a empresa usa dados de CPF para garantir que o comprador seja maior de idade. Na hora que for comprar uma bebida, basta escanear o QR Code da vending machine para liberar a porta. Aí é só escolher quais e quantas cervejas vai levar. Assim que a porta é fechada, a tecnologia de reconhecimento de imagem identifica os produtos retirados e debita automaticamente do cartão de crédito cadastrado no app.

A empresa foi fundada em dezembro de 2019, mas a operação começou para valer no segundo semestre de 2020. De lá para cá, já são 2.500 vending machines em condomínios de todos os estados brasileiros – no ano passado, a empresa faturou R$ 16 milhões. “Para escalar, a gente optou pelo modelo de licenciamento”, diz Gustavo. “O condomínio, ou até mesmo um morador, compra a licença da nossa plataforma tecnológica, que custa R$ 70 mil, e leva cinco geladeiras que podem ficar em diferentes locais do condomínio – salão de festa, churrasqueira, piscina…”

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O licenciado é quem fica responsável pelo reabastecimento dos produtos. O sistema mostra quais bebidas estão sendo mais consumidas e qual o estoque delas. Ele pode cadastrar e vender qualquer cerveja, mas a Take tem uma parceria comercial com a Ambev, que oferece preços mais em conta para as suas marcas. 

A startup já fechou novas parcerias – com a Heineken, Coca-Cola, Pepsico e Red Bull – não só para aumentar as opções de produtos, mas também para diversificar os tipos de geladeiras. A Take estuda lançar vending machines de comidas congeladas, sorvetes e carnes para churrasco. O objetivo é fechar 2022 com 8 mil pontos de venda. Para 2023, o plano é ter 20 mil geladeiras não só em condomínios, mas também em hotéis, clubes e academias. 

Outra que segue essa ideia de compras autônomas é a Onii. A empresa monta lojas de conveniência sem funcionários, nas quais o morador escolhe os produtos, escaneia pelo app e paga. Tudo sem sair do condomínio.

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Essas lojas podem ser montadas em um contêiner, na parte externa do condomínio, ou em alguma uma sala vaga. Funciona como um minimercado mesmo, com direito a freezer e prateleiras abertas com salgadinhos, chocolates e cia.

“A gente consegue acompanhar o que a pessoa compra, quantas vezes ela acessa a loja e podemos sugerir coisas novas, além de receber feedback. Por exemplo, já recebemos pedidos de comida vegana, alimentação pet… Vamos montando a loja de acordo com o perfil dos moradores”, afirma Victor Bermudes, CEO da Onii. 

A primeira unidade foi inaugurada em novembro de 2019, em um condomínio de São Carlos (SP) com 240 moradores. Hoje, são 360 unidades. Para expandir, a empresa fez uma parceria com construtoras, como Cyrela e MRV, além da empresa de coworking WeWork. Dessa forma, a loja já é construída junto com o prédio. Mas também existe a opção de licenciamento, a partir de R$ 20 mil. 

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A startup faturou R$ 3 milhões no ano passado. A previsão para 2022 é fechar o ano em R$ 10 milhões e passar a atender outros mercados – estão testando uma vending machine de livros para aeroportos, por exemplo. 

Portaria segura 

Outro negócio que vem crescendo é o de portarias remotas – área na qual a Porter Group atua. “Eu tinha uma empresa de alarme monitorado e percebi que os prédios tinham esse problema de controle na portaria. Então, em 2012, comecei a desenvolver uma solução para monitorar todo o processo”, relembra Fábio Beal.

A plataforma gerencia o acesso das pessoas ao prédio através de um aplicativo que gera um QR Code para liberar automaticamente a entrada de condôminos. Além disso, o morador pode enviar o código para algum visitante que esteja chegando, sem que ele precise ficar esperando na rua até alguém permitir a entrada. O morador então recebe uma notificação informando que o convidado já passou pela portaria. 

Quem chega sem QR Code pode acionar pelo interfone uma central com operadores que fazem o trabalho tradicional: ligar para o morador e confirmar se ele está esperando alguém. Isso não significa o fim do porteiro. Tem condomínios que optam por combinar o sistema de QR Code com uma portaria convencional. Além disso, a ferramenta também tem um sistema de automação para agilizar tarefas como acender as luzes de áreas comuns, monitorar o nível de caixa d’água e liberar a abertura do acesso da área das lixeiras, que costumam ser responsabilidade do porteiro ou do zelador.

Outra solução que a Porter Group oferece, e que ganhou força durante a pandemia, foi a dos armários inteligentes. Eles instalam armários com fechadura eletrônica perto da entrada do prédio. Se o condomínio tiver portaria remota, o morador deixa avisado que vai receber uma encomenda. A central libera a abertura para o entregador, e verifica se ele fechou direitinho a porta. Então avisam o morador que a entrega está no locker, e aí o QR Code pessoal que ele usa para entrar no condomínio vai servir como chave. Se o prédio tiver zelador, mais fácil ainda: ele mesmo deixa o pacote no armário e libera a abertura só para o morador que fez a encomenda.

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Júlia Quaresma/VOCÊ S/A

O valor da contratação depende do tamanho do condomínio e dos serviços contratados, podendo chegar até R$ 15 mil mensais. A empresa fechou o ano passado com faturamento de R$ 50 milhões e 1.500 condomínios utilizando o seu sistema. O plano, para os próximos três anos, é chegar a 10 mil condomínios.

Controle na palma da mão

Não é fácil ser síndico. Você fica responsável não só pela manutenção da estrutura física do condomínio, afinal, mas também pela “estrutura social”, entre os moradores. 

A startup eCondos atua justamente na organização disso tudo. Através do seu aplicativo, síndico, zelador e porteiro têm acesso a ferramentas para controle de manutenção e limpeza, livro de ocorrências, multas, reserva do salão de festa, controle de câmeras, assembleias virtuais com votações online, além de controle de encomendas e visitantes. 

“A ideia era criar um sistema que trouxesse praticidade e transparência, além de ajudar a reduzir custos dos condomínios em atividades do dia a dia. Por exemplo, a solução de controle de limpeza mapeia as áreas que já foram limpas, e há quanto tempo. Com isso, a redução de custos com equipamentos e produtos cai entre 35% e 40%”, afirma Ricardo Paiva, CEO e cofundador da empresa.

A eCondos também facilita a comunicação dentro do condomínio. O app tem uma área para avisos e alertas, que notifica os moradores sobre o que está acontecendo – algo mais preciso do que os avisos de elevador, que às vezes passam despercebidos. E eles também oferecem um sistema de controle de entrada via QR Code. Outra ferramenta é a de classificados, nos quais moradores podem anunciar produtos que estão vendendo ou trocando. Um jeito mais eficaz de perguntar se a vizinha tem uma xícara de açúcar para emprestar. 

A empresa começou em 2016 e já está presente em 400 condomínios, sendo que o app tem 150 mil usuários. Agora a eCondos estuda lançar seu serviço em outros países da América Latina. Uma amostra de que o mercado de condomínios não é apenas promissor – não tem fronteiras. Como disse o romancista russo Liev Tolstói: “Fale de sua aldeia, e estará falando do mundo”. 

ENTRANDO NO MUNDO DAS CONDOTECHS

Negociação

Prepare-se para gastar saliva. Vender serviços para condomínios não é fácil e envolve convencer as caóticas assembleias dos moradores, nas quais o barulho do vizinho do 117 pode se tornar um assunto mais importante do que o produto que você está oferecendo. O processo de decisão costuma demorar. 

Tecnologia

Os condomínios estão fazendo um upgrade tecnológico. O que não falta são oportunidades para automatização e controle de processos. Além disso, os próprios moradores estão interessados em fazer tudo pelo celular, como reservar o salão de festas ou liberar o acesso de um visitante.

Precificação

Não adianta enfiar a faca nos preços. Condomínios trabalham com orçamentos limitados e ainda precisam lidar com moradores inadimplentes. Tenha algumas funcionalidades gratuitas ou planos mais baratos para conquistar os clientes. Com o tempo, eles tendem a contratar serviços mais robustos. 

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