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Sofia Esteves Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO

Fundadora e presidente do conselho do Grupo Cia. de Talentos, professora e pesquisadora de gestão de pessoas
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O que você planeja fazer aos 100 anos de idade?

Confira uma outra visão que pode mudar sua resposta.

Por Sofia Esteves
Atualizado em 4 dez 2023, 13h38 - Publicado em 1 dez 2023, 15h27

Quero compartilhar uma rotina de trabalho que, talvez, mude a sua resposta para a pergunta do título. Então, preste atenção.

Lá na cidade de Fukushima, no Japão, toda noite uma mulher assiste ao noticiário para manter-se atualizada e puxar assunto com os clientes no dia seguinte. Antes de dormir, ela limpa o rosto espirrando água nele 20 vezes e passa uma variedade de loções na pele. Ela entende do assunto, afinal trabalha como consultora de beleza para a marca de cosméticos Pola. 

De manhã, antes de sair para o trabalho, ela faz a maquiagem cuidadosamente. Aí, é partir para as visitas aos clientes, apresentando produtos e dando conselhos de skincare. A profissional mantém essa rotina há décadas, que também inclui os treinamentos corporativos sobre os lançamentos e os cursos de atualização dos quais sempre participa. 

Talvez, essa descrição toda não tenha gerado nenhum impacto em você. Parece um dia comum, até pacato para aquele corre-corre acelerado de algumas profissões. 

Mas e se eu disser que essa é a rotina de uma mulher de 100 anos? Desde os 39 anos, Tomoko Horino trabalha na empresa japonesa Pola e, este ano, entrou para o Guinness World Records como a consultora de beleza mais velha do mundo. 

Sim, a consultora que, além disso tudo, sempre bate suas metas de venda, tem 100 anos de vida. Uma idade que, normalmente, é associada a outro estilo de vida, algo totalmente distante de palavras como “profissão”, “trabalho” e “carreira”.

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Enquanto alguns podem ficar chocados com o fato de uma mulher de 100 anos trabalhar fora em vez de descansar em casa, eu olho para essa história como uma oportunidade de repensarmos o roteiro das nossas vidas. Não que todo mundo deva continuar no mercado “para sempre” — há aqueles que desejam mesmo sair dessa rotina. Mas e se algumas pessoas quiserem continuar? E se você quiser seguir os passos de Horino?

De acordo com os dados do último Censo, feito pelo IBGE, o número de idosos cresceu 57,4% entre 2010 e 2022. A cada 100 brasileiros, 11 já têm mais de 65 anos. 

Para além das discussões sobre previdência privada e etarismo no mercado de trabalho — ambas importantes —, o envelhecimento da população também nos convida a repensarmos os nossos próprios planos. Por isso, eu pergunto novamente: o que você planeja fazer quando tiver mais idade? 

Mais ainda: será que você, de fato, quer deixar de exercer uma atividade, ter uma profissão ou se aventurar em outros projetos? Precisamos parar de sonhar e de ter desejos relacionados à carreira depois de certa idade?

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Para Horino, a resposta é “não”. Vi várias notícias sobre a ganhadora do Guinness e, em praticamente todas, me chamou a atenção um depoimento. 

Segundo a consultora de beleza, o seu desejo é “continuar trabalhando enquanto a vida permitir”. Ela não faz isso necessariamente porque precisa do dinheiro, mas porque gosta de, nas palavras dela, “ajudar as pessoas a ficarem bonitas e se tornarem mais felizes”. 

Trabalhar é uma forma de ganhar dinheiro, pagar as contas e adquirir bens, mas pode ser também uma rotina que traz significado à nossa vida — independentemente da idade. Horino é uma prova disso.

 

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