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Sofia Esteves Fundadora e presidente do conselho do Grupo Cia. de Talentos, professora e pesquisadora de gestão de pessoas

7 dicas para evitar que o estresse tome conta da sua carreira

Burnout é estresse crônico de trabalho que não foi administrado com sucesso. E durante a pandemia, os diagnósticos da doença subiram em 21%.

Por Sofia Esteves 25 fev 2022, 10h27

Há quase cinco anos, precisei lidar com um burnout, como já compartilhei em algumas reportagens e no meu LinkedIn. Naquela época, os casos não eram tão numerosos — muito provavelmente porque as pessoas ainda não estavam tão familiarizadas com essa condição e porque os tempos eram outros. Afinal, segundo o Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da USP, houve uma alta de 21% nesse diagnóstico em relação à média antes da pandemia

Naquela época, o quadro também não era tão discutido nas empresas, o que vem mudando e deve ganhar uma dimensão ainda maior com a classificação do burnout como doença ocupacional. De acordo com a nova resolução da Organização Mundial de Saúde (OMS), a condição passa a ser considerada como “estresse crônico de trabalho que não foi administrado com sucesso”. Atenção para o trecho “não foi administrado com sucesso”.

Pode parecer um detalhe, mas você reparou que a definição não associa a doença ao estresse diretamente, mas à “gestão” dele — no caso, à má gestão? Isso porque, veja bem, o estresse faz parte da vida e achar que dá para viver sem ele chega a ser ingênuo. Porém, isso não quer dizer que precisamos nos conformar com a ideia de uma existência totalmente sugada por isso. Existem formas de lidar com situações estressantes, que, inevitavelmente, surgem.

Depois daquele meu episódio de burnout, acabei ampliando a minha visão sobre o cuidado com a saúde mental e incorporando hábitos para evitar novos episódios de estresse crônico. E, hoje, quero compartilhar algumas reflexões que podem ajudar a prevenir um quadro desses.

  1. Saiba que o burnout também pode aparecer quando tudo parece bem
    Às vezes, as pessoas acham que uma doença assim só dá sinais quando o mundo a sua volta está ruim. Um momento difícil com muita pressão por resultados, horas e horas trabalhando, muito cansaço, medo da perda de emprego… Mas a minha experiência me ensinou o contrário.Eu tive burnout em um momento bom profissionalmente. Estava trabalhando com algo que gostava e, justamente por isso, não percebia o excesso de horas, de dedicação, de funções. Então, aqui fica um alerta: todo excesso leva ao burnout, seja um excesso de trabalho que você está percebendo como algo totalmente negativo, seja um excesso que parece positivo, como um desafio. A coisa não precisa ser visivelmente ruim, você pode estar adorando o que faz e, ainda assim, passar por um burnout.
  2. Procure ajuda profissional
    Muitos me perguntam como saber se estão com burnout e, bem, não tem outra forma: para ter um diagnóstico confiável, você deve procurar profissionais de saúde especializados, como um psiquiatra ou um neurologista. Sei que ainda existe um estigma e, por isso, tem quem adie ao máximo essa ida ao médico, mas quero dizer aqui que não há motivo nenhum para sentir vergonha. Todos nós estamos sujeitos a esse tipo de doença e demorar para procurar ajuda pode só agravar o quadro.
  3. Aprenda a dizer não
    Já falei sobre esse assunto em outro artigo, mas é sempre bom reforçar a importância de um “não” bem colocado. Isso não significa negar ajuda, ser grosseiro ou adotar uma postura egoísta, mas reconhecer os limites e saber até onde você pode ir. Aprender a se posicionar e a diferenciar o urgente do importante faz parte da construção de uma rotina mais saudável. Muito do nosso estresse acaba se relacionando com o fato de o “não” ainda ser tão mal-visto e tão condenado, mesmo ele sendo importante na dinâmica do trabalho — e até da vida.
  4. Não tente ser onipotente
    A dica acima tem a ver com essa: ao ficar mais confortável com o “não”, você também consegue delegar com mais facilidade. Para isso, é importante saber avaliar se determinada atividade precisa, de fato, ser executada por você ou se é possível contar com uma ajuda ou mesmo passá-la para alguém. Às vezes, sem perceber, acabamos caindo no mito da onipotência, de achar que podemos fazer tudo, que damos conta sozinhos, e acabamos não compartilhando funções, atividades, projetos e demandas. Só que todos nós temos um limite e não enxergá-lo também leva ao esgotamento.
  5. Saiba desconectar a mente
    É muito importante ter períodos de pausa — e não estou falando apenas do descanso do fim de semana ou das férias, mas de se condicionar e criar uma rotina com esses “respiros”. Sempre que possível, entre uma reunião e outra, faça um intervalo. Tome um café com você mesmo, reserve mais tempo para si e tente desacelerar. Principalmente de noite! Uma boa noite de sono pode soar como conselho de pessoas antigas, mas, confie em mim, esse repouso é fundamental para recuperar nosso corpo e mente.
  6. Tenha uma dieta equilibrada de consumo de conteúdo
    É importante estar bem informado, mas também é importante aprender a lidar com notícias ruins. Consumir tipos variados de conteúdos pode ajudar a não entrar em um poço sem fundo de desgraças, o que, às vezes, serve como gatilho para a piora do estado emocional e mental. Pense em balancear a sua dieta diária de conteúdos, até para conseguir ampliar o seu repertório!
  7. Lembre-se de que a responsabilidade também é da empresa
    Ainda que essas reflexões puxem a responsabilidade da gestão do estresse para si, é importante reforçar que as organizações também precisam participar dessa jornada de cuidado. Criar ambientes de trabalho saudáveis é uma responsabilidade compartilhada entre profissional e empresa. Por isso, se você é líder, preste atenção nos colaboradores. Se perceber que alguém está precisando de apoio, converse para entender de que forma você pode ajudar.
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