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Camila Antunes

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Mãe, pedagoga, especialista em inteligência emocional, parentalidade e felicidade. Top Voice do Linkedin e fundadora da consultoria Filhos no Currículo.

Liderança e maternidade: o que se aprende ao criar um filho?

Ser mãe de crianças pequenas é o treinamento mais intenso para desenvolver as skills de um líder. Saiba por quê.

Por Camila Antunes
Atualizado em 19 dez 2024, 17h18 - Publicado em 7 dez 2024, 08h00
Mulher sentada de costas na cama segurando um bebê.
 (Justin Paget/Getty Images)
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Há nove anos, recebi a maior promoção da minha vida. Tornei-me líder de alguém que confiava em mim para tudo: sua segurança, suas emoções, seu futuro. Não fiz MBA, não estudei para isso e não estava pronta. O cargo mais desafiador que já tive começou com o choro de uma menina nos meus braços, no dia 19 de novembro de 2015.

Desde aquele momento, tudo mudou. A maternidade me fez ver a vida de um outro ponto de vista. Com ela, vieram os medos, as dúvidas e a certeza de que, para liderar uma vida, eu precisaria primeiro aprender a liderar a minha.

De fato, não há cargo mais transformador do que criar um filho. Você não pode se desligar, pedir demissão. Na sua frente está alguém que observa cada gesto, cada palavra e cada silêncio.

Essa pequena pessoa é sua colaboradora mais exigente, curiosa, atenta e pronta para copiar não só o que você faz, mas o que não faz e tudo aquilo a que reage. Você se torna influenciador da sua maior audiência e, ao mesmo tempo, um aprendiz que ensina enquanto aprende. Ter alguém que depende de você – num primeiro momento e literalmente, 24 horas sem descanso, e que confia a você sua própria sobrevivência – não é tarefa simples.

Simon Sinek, autor britânico especializado em liderança, diz que “ser pai ou mãe é o mais próximo que chegaremos de ser líderes”. Concordo plenamente. A maternidade é uma escola intensiva para liderar.

E é por isso que parentalidade e liderança têm muitas coisas em comum. A começar, pelos objetivos: 

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  1. Desenvolver e apoiar o crescimento de pessoas: tanto pais quanto líderes têm a responsabilidade de ajudar pessoas a se desenvolver. Isso envolve acreditar nas habilidades deles, fornecer recursos e apoiá-los para superar desafios.
  2. Construir relacionamentos: ambos precisam estabelecer conexões fortes e confiáveis. Isso exige escuta ativa, empatia e expectativas claras.
  3. Liderar pelo exemplo: é preciso ser para educar. As ações têm mais força que as palavras quando o assunto é exercer a parentalidade e/ou liderar.
  4. Delegar: delegar tarefas é essencial tanto na liderança quanto na maternidade. Encorajar a autonomia dos filhos é tão importante quanto confiar no time no trabalho.
  5. Transferir experiências: os cuidados e o suporte emocional que desenvolvemos com nossos filhos podem ser aplicados no ambiente corporativo. Isso se traduz em comportamentos de liderança mais humanos, empáticos e acolhedores.

Incompetência Inconsciente

E não é só isso. Ao ser promovido a um cargo de liderança, novos desafios são impostos. No mercado corporativo, espera-se que você tenha as competências para assumir aquela vaga: você se candidata a partir de um perfil e da descrição de competências e, ao longo do tempo, desenvolve habilidades, bate metas e cresce. Até chegar a próxima promoção e, com ela, novos desafios.

Na maternidade, o processo é parecido, e ainda mais intenso. Não há manual nem período de treinamento. Nunca nada está totalmente resolvido, mas tudo segue sendo cuidado. Assim que você atravessa uma fase, outra surge, convidando-a a continuar crescendo.

Toda vez que enfrentamos um novo desafio – seja um cargo no trabalho ou uma fase nova da vida dos filhos – recomeçamos um ciclo de aprendizagem. Ele acontece da seguinte forma:

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Primeiro não sabemos o que não sabemos. Não temos consciência do que precisamos aprender e não temos competência para o novo cargo. Chamada de Incompetência Inconsciente. Quando um filho chega e chora é exatamente essa sensação. Por que ele está chorando? O que, como líder, é preciso fazer?

Depois toma-se consciência da competência a ser desenvolvida. Percebe-se então a necessidade de estudar, de ser aprendiz, de buscar conhecimento, treinamento, pessoas. Nesse estágio, ainda não temos a competência, mas já temos a consciência e chamamos de incompetência consciente.

Com prática, começamos a lidar melhor com os desafios. Ainda exige esforço, mas os resultados aparecem. E aqui estamos competentes e conscientes até que temos aquela sensação de entrar no piloto automático, e as habilidades se tornam naturais. 

E o que acontece? Uma nova fase, um novo desafio, pelo qual retomamos ao estágio 1 de um ciclo de aprendizagem. Porque ser mãe – assim como ser líder – é um aprendizado sem fim.

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A cada etapa, novas competências são exigidas e o ciclo recomeça.

Você aprende novas habilidades

Por isso, é justamente no exercício da parentalidade e das diferentes fases que vivemos no cotidiano com nossos filhos é que podemos aprender novas habilidades de vida, como também profissionais. É no dia a dia, nas tarefas, no erro, no acerto, na conversa no fim do dia, no trânsito de levar filho na escola, na hora de dormir e até com a briga de irmão, que temos as maiores oportunidades para nos treinarmos enquanto líderes.

E essas lições não ficam só em casa – elas são aplicáveis a qualquer ambiente profissional. Como exemplo, cito o que vivo diariamente por aqui com meus filhos no currículo:

  • Escuta ativa e empatia: uma vez, minha filha chegou da escola chateada. Em vez de oferecer soluções, perguntei: “Como você se sentiu?” Liderar é isso: ouvir, não para responder, mas para compreender.
  • Gestão de crises: o caos das manhãs em casa – mochilas esquecidas, prazos apertados, choros inesperados – me ensinou a priorizar e manter a calma. No trabalho, isso se traduz em clareza sob pressão.
  • Inspiração pelo exemplo: quando minha filha me viu concentrada escrevendo, perguntei o que ela achava que eu estava fazendo. “Ajudando as pessoas a acreditarem nelas mesmas?”, ela disse. Dias depois, me mostrou um desenho para “ajudar as amigas”. Crianças seguem exemplos, não discursos. No trabalho, é exatamente igual.
  • Desenvolvimento de pessoas: ensinar meus filhos a resolver pequenos problemas sozinhos é o mesmo que treinar uma equipe para assumir responsabilidades. É criar confiança, um passo de cada vez.
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Por isso, se o mercado de trabalho busca líderes empáticos, resilientes, estratégicos e ágeis, não deveria expulsar mães e, sim, olhar para elas como quem contrata talentos com as competências mais exigidas atualmente. Criar filhos é o treinamento mais intenso para o desenvolvimento de habilidades.

Se você é mãe, reconheça o valor da sua experiência. Você não está apenas criando filhos – está também se capacitando enquanto desenvolve pessoas. É nesse processo que está se tornando uma líder mais completa. Não duvide de você.

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