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Armando Lourenzo Doutor e mestre em administração pela FEA/USP e diretor da Universidade Corporativa da consultoria EY

A vaidade é um dos piores males corporativos?

Como líder, você deve tomar muito cuidado para não cair na tentação do poder.

Por Armando Lourenzo Atualizado em 28 jul 2021, 15h31 - Publicado em 28 jul 2021, 15h30

A principal habilidade para garantir o sucesso no início de sua trajetória como líder – e que será crucial para sua perenidade na liderança – é a inteligência emocional. Para quaisquer que sejam seus desafios, sua área de atuação ou sua empresa, você terá de desenvolver duas capacidades básicas: o autocontrole e a empatia. Ter autocontrole é, antes de tudo, entender nossas emoções. E ter empatia é entender as emoções das outras pessoas. Em ambos os casos, temos de aprender a lidar com elas.

Quando falo de empatia, penso que o mantra “Trato as pessoas como eu gostaria de ser tratado” deveria ser substituído por “Vou tratar as pessoas como elas gostariam de serem tratadas”. Parece um detalhe, mas não é. Devemos nos colocar no lugar dos outros para entender o que estão sentindo e, assim, agir de modo a levar em conta suas emoções.

Em cargos de liderança isso é muito importante. A falta de autocontrole pode levar a uma situação de clima organizacional ruim, reduzindo o engajamento e resultando em baixa produtividade, até mesmo na incapacidade de gerar novos investimentos.

A não observação da competência de inteligência emocional pode levar a desligamentos de líderes e liderados. Se esta capacidade fosse exercitada em sua plenitude, a quantidade de pessoas que precisariam procurar empregos com frequência seria muito menor.

Como líder, você deve tomar muito cuidado para não cair na tentação do poder e, assim, prejudicar muitas pessoas, incluindo seus colaboradores e sua própria carreira.

São Tomás de Aquino sugeriu que há dois tipos de política: a do poder do amor e a do amor pelo poder. Isso me faz pensar que podem existir chefes com esses dois tipos de perfis. De um lado, aqueles que amam a carreira, o ofício, o conhecimento e, por isso, almejam cargos de liderança para compartilhar o que sabem com cada vez mais pessoas; do outro, aqueles que, simplesmente, amam o poder. Estes últimos se deslumbram com o novo cargo e não entendem a importância do time para os próprios resultados.

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Há uma questão em particular que tem me acompanhado durante toda a minha vida profissional: será que alguns chefes não têm apenas amor pelo poder? Será que estas pessoas algum dia conseguirão ser líderes?

É claro que podemos ter paixão e amor pelo poder, mas, se esse amor vier pelos motivos corretos – pelo respeito ao ofício e pela vontade de compartilhar sucesso, por exemplo –, o cotidiano deixa de ter o peso do trabalho comum e se transforma em uma atividade com propósito, prazer e significado.

Neste processo, uma questão importante é não confundir amor com adoração, que pode cegar e fazer com que pessoas em posições de liderança deixem de agir com a razão, pelo simples fato de desejarem fazer algo importante no conceito delas ou por um capricho individual.

Talvez um dos piores fatores que causam prejuízos ao ambiente corporativo seja a vaidade. Com ela, as decisões são unilaterais, autoritárias e têm sentido apenas para quem decide, mesmo quando o líder acha que está fazendo o bem para todos – na visão dele, é claro.

Quantas vezes você já foi afetado por uma decisão inconsequente e que não parecia ter um motivo racional? Provavelmente, a justificativa da decisão foi um “porque sim”.

Entendo que algumas decisões são tomadas pelo líder por diferentes motivos, o que é absolutamente compreensível. Mas é preciso tomar muito cuidado para que isso não aconteça apenas em razão de se “amar o poder”. Acredito que o “poder do amor” deva ser levado em conta e é um bom ponto de partida para reflexões dos líderes.

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