Quer ser um “superworker”?
Aproveite a IA para aumentar sua produtividade, performance, inovação e resultado. Assim você já pode começar seu reskilling autodirigido (não precisa esperar o RH).

Para quem acompanha os temas de transformação do mundo do trabalho, em especial da perspectiva do RH, o consultor americano Josh Bersin é uma referência. Ele tem uma competência admirável de gerar sentido enquanto as transformações acontecem, trazendo conceitos e diagramas que se tornam artefatos úteis para tomada de decisão no dia a dia. Os “legos” visuais do Bersin são incontornáveis nos processos de planejamento de educação corporativa, por exemplo.
Recomendo que você dê uma olhada na vastidão de conteúdo que ele publica de forma aberta no seu site. Afinal, a chegada massiva da IA generativa fez com que os “temas de RH” deixassem de ser apenas de interesse de quem atua diretamente com isso, passando a ser relevantes a qualquer pessoa interessada em entender como podemos passar melhor por essa imensa transição em curso. (Se você está me lendo, aposto que é o seu caso).
No dia 16 de janeiro bateu na minha caixa de entrada o tradicional e-mail anual do Bersin de previsões para o RH, com o instigante assunto “a ascensão do supertrabalhador” (the rise of the superworker). Após uma certa rejeição interna a esse nome apelativo em tempos em que buscamos mais saúde mental no trabalho, fui compreender o que efetivamente é um supertrabalhador.
“É um indivíduo que aproveita o poder da IA para aumentar a produtividade, performance, inovação e resultado. Empresas que abraçam essa evolução são “organizações de supertrabalhadores” e estão preparadas para superar o desempenho da concorrência em qualquer nível.”
The Rise of the Superworker Infographic, The Josh Bersin Company (tradução livre)
Tenho acompanhado o esforço de organizações de diversos segmentos em redesenhar seus modelos para incorporar a IA nos processos de negócio e internos. Mas é essencial ressaltar que, enquanto isso, nós não podemos e nem devemos ficar parados esperando o novo “job description”. É fundamental que, com toda a atenção à segurança de dados e às implicações éticas, comecemos a experimentar o uso da IA como uma inteligência aumentada naquilo que está ao nosso alcance fazer.
O infográfico do supertrabalhador, do Bersin, dá algumas pistas. Ele traz uma matriz que cria quatro categorias, cruzando as variáveis de qualificação (altamente qualificados ou pouco qualificados) e as variáveis de trabalho já existente e trabalho redesenhado. Vamos olhar para o já existente.
Para os trabalhadores pouco qualificados, o benefício está no ganho de eficiência e produtividade. Se você dedica parte de seu dia a tarefas repetitivas, vale investigar como essa parceria com a IA pode se dar antes que seu empregador chegue com a notícia. Esse processo exploratório, em si, torna-se um importante meio de autodesenvolvimento, que será útil na sua carreira esteja onde você estiver. Porque as novidades que mudam os empregos não vão parar com a IA.
Para os trabalhadores qualificados, a ideia é de parceria com a IA, aumentando o resultado, promovendo o reskilling e a valorização do profissional no mercado. Aqui é que avalio que podemos aumentar o grau de investimento de energia, transformando os desafios do dia a dia em laboratórios criativos de novas formas de trabalhar junto com a IA (sem medo da repetição: com atenção para a segurança de informação e a ética!).
Bersin vai até aqui. Mas, como sempre, eu estou interessada no “como”. E tenho duas abordagens para sugerir para você, uma mais estruturada e outra mais livre. Ambas podem ser feitas individualmente ou em parceria. Só não vale colocar etapas dificultadoras entre você e seu IA-Lab!
Abordagem estruturada
Na abordagem estruturada, sugiro começar com dois passos simples: mapeie as suas atividades core; questione-se como você poderia entregar mais valor com a IA generativa, fazendo melhor ou além do que você já faz. Para chegar a resultados realmente relevantes, neste exercício fuja das atividades de suporte e da pergunta “como fazer mais rápido”, pois elas levarão a mais eficiência, mas não a saltos qualitativos.
Abordagem mais livre
Na abordagem desestruturada, que é a que eu uso no meu dia a dia, a dica é turbinar a metacognição e ter atenção aos pensamentos que nos atravessam quando estamos em meio ao processo criativo. Exemplos reais das últimas duas semanas, desde que conheci a ideia de “superworker”:
“Pena que eu não consigo dar feedback em tempo real aos textos dos meus alunos…” Será que não consigo mesmo? Estou treinando a IA com a inteligência do meu curso de escrita para ver qual qualidade é possível alcançar de forma automatizada.
A chegada massiva da IA generativa fez com que os “temas de RH” deixassem de ser apenas de interesse de quem atua diretamente com isso, passando a ser relevantes a qualquer pessoa interessada em entender como podemos passar melhor por essa imensa transição em curso.
“Seria tão bom se alguém conseguisse me ajudar agora com a criação de dados sintéticos para um exercício de desenvolvimento do pensamento analítico.” Se você tiver tempo para fazer um bom prompt, esse “alguém” estará disponível para fazer quantas versões você quiser.
“Eu adoraria saber os furos na argumentação e conhecer ideias divergentes aos meus textos, pena que ninguém está disponível para ler com essa profundidade.” Basta direcionar o pedido de comentários para a IA de forma clara e estruturada.
Comece agora mesmo
Não, eu não acho que estamos “atrasados”, pois essa ansiedade excessiva nos paralisa. Acho que o melhor dia para começar é hoje. Sim, você precisa: continuar lendo e se informando sobre IA; ter atenção na segurança de dados; estar alerta às implicações éticas; e, considerando tudo isso, é hora de colocar a mão na massa, de forma intencional e entusiasmada!
Perceba quais ideias e possibilidades você está descartando no seu processo de trabalho e traga a IA generativa para te ajudar. Nem sempre vai funcionar, mas você sempre vai aprender. Pronto: acabamos de criar o reskilling autodirigido!