Pequenos delitos, grandes impactos: o que fraudes cotidianas dizem sobre a integridade nas empresas

Cometer pequenas fraudes dentro da empresa pode parecer, bem, pequeno. Mas quando acumuladas, podem gerar grandes prejuízos à reputação.

Por Alessandra Costa, em colaboração especial com a Você S/A*
22 dez 2024, 12h00
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Apesar do PDI ser popular, são raras as empresas que oferecem esse serviço de maneira genuína (Thomas Barwick/Getty Images)
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O recente caso de mau uso do cartão corporativo, que resultou na demissão de um executivo de alto escalão, reacende um tema crucial para as organizações: até que ponto pequenos delitos cometidos por colaboradores podem corroer a ética e os resultados de uma empresa? Embora os números possam parecer inofensivos em um primeiro momento, a soma dessas ações pode causar impactos significativos no clima organizacional e na saúde financeira das companhias.

Dados do PIR (Potencial de Integridade Resiliente), metodologia utilizada pela S2 Consultoria no desenvolvimento de testes de integridade que avaliam o perfil ético e as soft skills de profissionais de qualquer área, mostram que cerca de um terço (33%) dos profissionais admitiriam desviar bens ou recursos da empresa. Além disso, 15% dos colaboradores reconhecem já terem se apropriado indevidamente de recursos organizacionais. Esses números são alarmantes, principalmente considerando que a frequência de casos de apropriação indevida – como manipulação de despesas ou desvio de recursos – chega a representar 60% dos incidentes de fraude no ambiente corporativo.

É fácil subestimar o impacto de pequenas ações. Contudo, quando acumuladas, elas podem gerar grandes prejuízos financeiros e reputacionais. Entre os casos curiosos que já analisamos, lembro de um profissional que viajava a trabalho semanalmente e utilizava o serviço de lavanderia do hotel. O que começou com o reembolso de camisas e calças, previsto pela política da empresa, evoluiu para cobranças de lençóis e toalhas pessoais da casa do colaborador, trazidas de sua residência. A justificativa? “É injusto comprometer meu tempo livre lavando roupas depois de trabalhar a semana inteira.” Esse raciocínio ilustra como a racionalização de comportamentos inadequados é comum e pode normalizar pequenas fraudes.

Outro exemplo recorrente é o arredondamento de notas fiscais de refeições ou a substituição de comprovantes. O colaborador gasta menos do que o valor diário permitido para alimentação, mas ajusta o reembolso ao limite máximo, sob a alegação de que “é um direito” seu. Ou ainda, notas de despesas legítimas, mas não permitidas pela política da empresa – como bebidas alcoólicas em eventos – são alteradas para “se adequarem” às regras.

Esses casos, que podem parecer triviais, demonstram que muitas vezes os colaboradores não percebem a gravidade de suas ações, racionalizando-as com argumentos que os tornam aceitáveis em sua perspectiva. No entanto, quando a integridade é negligenciada, a organização enfrenta consequências que vão além das perdas financeiras: o impacto no clima corporativo, na confiança e na reputação da empresa é inevitável.

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A solução começa pela criação de uma cultura organizacional sólida, que combine transparência, código de conduta claro e programas internos de reporte que previnam e tratem comportamentos inadequados. Treinamentos e comunicação constante são fundamentais para reforçar que não existe espaço para relativizar a ética.

No fim das contas, pequenos delitos não são tão pequenos assim. Quando tolerados, eles podem abrir espaço para comportamentos mais graves, fragilizando toda a estrutura ética da organização. Para que isso não ocorra, é essencial que as empresas estabeleçam padrões claros de integridade e tratem com seriedade todas as ações que violem esses princípios. Afinal, no mundo corporativo, pequenos gestos podem ter grandes repercussões – para o bem ou para o mal.

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Alessandra Costa é psicóloga e sócia da S2 Consultoria.

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