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O que faz um meteorologista em uma grande empresa

Usinas hidrelétricas ou mineradoras não podem ficar só na previsão do tempo do jornal para operar. Entenda o mercado de quem prevê o tempo.

Por Tiago Cordeiro | Fotos: Germano Lüders | Design: Brenna Oriá Atualizado em 8 abr 2022, 09h44 - Publicado em 8 abr 2022, 05h10

Quais tecidos comprar para a coleção outono-inverno de uma marca? Em que momento iniciar o plantio, com a melhor chance de que haverá chuva na dose certa para as plantas? Quais são os lugares ideais para instalar uma usina de energia eólica?

A meteorologista Graziella Gonçalves brinca dizendo que é uma especialista em responder à pergunta: “será que vai chover?” Mas, claro, a função de profissionais como ela vai bem além disso.

No varejo, é bom saber se o próximo verão será quente o bastante para ampliar a demanda por aparelhos de ar condicionado. No agronegócio, se o clima vai bombar a próxima safra, ou colocá-la a perder.

Outro usuário dos serviços de meteorologia é o setor de mineração. Monitora-se, por exemplo, o risco de chuvas fora da curva sobre barragens de detritos – um trabalho essencial para a tomada de medidas preventivas. Hoje também é possível saber com uma hora de antecedência se uma área estará sujeita a raios – um inimigo natural do trabalho ao ar livre.

E quem não pode mesmo viver sem um prognóstico apurado de meteorologia é o setor de energia hidrelétrica. O balanço dessas companhias, afinal, depende do regime de chuvas. E uma seca prolongada o bastante pode minar o negócio. É o chamado “risco hidrológico”. Se ele for grande demais, uma operadora de usinas terá de se precaver comprando energia de outros produtores para cumprir seus contratos de fornecimento. O quanto antes ela souber disso, melhor.

E não dá pra fazer esse tipo de previsão olhando a previsão do tempo no Jornal Nacional. É preciso um serviço sob medida – prestado por empresas especializadas ou por áreas internas das empresas.

Entre as possibilidades de trabalho que meteorologia abre, Graziella fez um pouco de tudo. Atuou em consultoria, onde prestou assessoramento principalmente para o agronegócio. Trabalhou no Climatempo, elaborando os relatórios de previsão do tempo que a imprensa usa. E agora é funcionária da CTG Brasil, uma elétrica especializada na produção de energia limpa, onde avalia cenários de risco hidrológico.

Ela não se imaginava na profissão. “Eu achava que seria engenheira”, conta. “Queria alguma coisa na área de Exatas e que tivesse aplicações práticas. E gostava muito de informática. Mas não passei no primeiro vestibular, para engenharia da computação e, no cursinho, ouvi falar pela primeira vez em meteorologia.”

De fato, é uma área para os apaixonados por Exatas. “Na chegada ao curso, você já encontra uma carga muito forte de cálculo. Depois, encara dois anos de física pura.” Muita gente desiste: na turma de Graziella, formaram-se apenas seis alunos, dos mais de 30 que iniciaram o curso.

Durante a faculdade a pesquisa é a atividade que revela jovens talentos para qualquer setor de atuação: “Contamos com laboratórios para as mais diversas áreas, como o de Instrumentação Meteorológica, Modelagem de Tempo e Clima, Sensoriamento Remoto da Atmosfera, Física da Atmosfera, Hidrometeorologia, Agrometeorologia, Previsão do Tempo e Meteorologia Ambiental”, diz Paulo Kuhn, diretor da Faculdade de Meteorologia do Instituto de Geociências da Universidade Federal do Pará.

Poliglota digital

Graziella cursou Meteorologia e Ciências Atmosféricas na USP. Atualmente, existem apenas 11 cursos de graduação na área reconhecidos pelo Ministério da Educação, todos realizados por universidades públicas. O foco é sempre na formação de profissionais capazes de obter dados de fontes variadas, como imagens de satélites, radares e estações meteorológicas, analisá-los e codificá-los de acordo com as demandas de cada mercado.

Elaborar laudos técnicos é parte da rotina, especialmente para quem se dedica às áreas de ensino e pesquisa. Mas a capacidade de informar diferentes públicos leigos também conta. “Em geral, quem escreve os textos lidos pelos apresentadores de TV são meteorologistas”, diz Graziella. “É preciso saber comunicar as conclusões técnicas aos públicos mais variados, incluindo gestores de empresas.”

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A atividade é complexa. O profissional da área trabalha com modelagem de clima, rodando cenários de curto, médio e longo prazo, a depender da demanda do cliente – com uma dificuldade adicional: no longo, a margem de erro aumenta progressivamente.

Na CTG, por exemplo, Graziella coleta dados e os transforma em simulações projetadas sobre mapas indicando a incidência de chuvas sobre as 17 usinas hidrelétricas da empresa.

Aliás, num cenário de mudanças climáticas, a carreira tende a se valorizar na direção do nicho de previsões a respeito do impacto sobre regiões específicas – algo que demanda trabalho contínuo. Também é possível trabalhar com desenvolvimento e construção de equipamentos meteorológicos.

“O meteorologista deve ser um profissional apto a perceber as mudanças ao seu redor, estar atualizado, ser dinâmico e estar integrado à sociedade”, resume Paulo. “Além dos conteúdos assimilados nas aulas teóricas e práticas, você utiliza diferentes linguagens de programação. O meteorologista é um poliglota digital.”

Um dia na vida

Atividades-chave: Fornecer previsões do tempo sob demanda, no curto, no médio e no longo prazo, de acordo com as prioridades de cada cliente.

Quem contrata: Consultorias, empresas privadas e universidades.

Principal característica: A profissão é dinâmica – pode atender a mercados variados.

Principais competências: Talento para matemática, física e programação; facilidade para traduzir conceitos ásperos em linguagem coloquial para comunicar-se de forma adequada com gestores de diversas áreas e setores.

O que fazer para atuar na área: Graduação em uma das 11 universidades credenciadas pelo Ministério da Educação.

Salário médio*: R$ 5,6 mil
Salário alto*: R$ 12 mil

*Fonte: Novo CAGED, eSocial e Empregador Web

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