Como conciliar maternidade e carreira, segundo as maiores executivas do país

No recém lançado Minha Mãe é um Sucesso, Maria Alicia Peralta compila reflexões de 21 profissionais (e de seus filhos). Confira um trecho da obra.

Por Sofia Kercher
27 mar 2025, 15h00
Ilustração de Filha e filho torcendo pela mãe com capa de super-herói.
 (Malte Mueller/Getty Images)
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O que faz uma boa mãe? E uma boa profissional? É possível ser as duas coisas, ou estas posições automaticamente se anulam quando colocadas sobre a mesma pessoa?

É tentando responder (e desmistificar) estas questões que nasce o livro Minha Mãe é um Sucesso. A obra, organizada por Maria Alicia Peralta, hoje diretora jurídica da Sabesp, traz relatos de 21 mulheres de sucesso do mundo corporativo.  A ideia é que cada uma reflita sobre o impacto da maternidade em suas carreiras: as escolhas, sacrifícios e desafios que passaram buscando achar um equilíbrio entre estas funções.

Mas as reflexões das mulheres não são as únicas que compoem a obra. O livro traz também reflexões de seus filhos — com sua visão sobre a vida profissional de suas mães, e como elas influenciaram suas próprias trajetórias profissionais (e vida).  Spoiler: os sentimentos de culpa e insuficiência raramente se comprovam na prática.

Entre as participantes, estão Josie Jardim, diretora jurídica da Amazon Brasil; Catia Porto, vice-presidente da Vale; e Márcia Silveira, Head de Diversidade e Inclusão na L’Oréal Brasil. O prefácio do livro é assinado pela CEO da Magazine Luiza, Luiza Trajano, e seu filho, Frederico — trecho que você confere a seguir.

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(Arte / Imagem: Reprodução/Você S/A)
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Pg. 11 e 12- Prefácio

Luiza Helena Trajano

Franca, 18 de março de 1996

Meu Filho querido,

É muito bom para nós, pais, quando sentimos e presenciamos a evolução e os ciclos dos filhos. Principalmente quando esses ciclos são conquistados com determinação, esforço e, acima de tudo, com muito amor.

Hoje você está iniciando mais uma etapa de sua vida, e gostaria de deixar registrada a minha satisfação. E, como mãe, não poderiam faltar algumas orientações:

  • Acredite em você mesmo e na sua fé, no Absoluto.
  • Procure não mitificar coisas e nem pessoas.
  • Tenha sempre uma atitude de troca: dar e receber.
  • Não abra mão por nada da sua ética, moral e crença na evolução do homem.
  • Saiba que tem uma missão. Descubra-a e lute por ela.
  • Tenha tempo para tudo. Por isso, se organize, crie ritmo e rotina.
  • Tenha paixão pelo que faz, pois só assim fará melhor e mais fácil.
  • Seja sempre você mesmo. Nunca omita a verdade. A transparência é importantíssima neste momento.
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Que as forças Divinas estejam sempre com você, dando-lhe SABEDORIA, AUTORIDADE e JUSTIÇA.

Beijos,

Luiza Helena

Frederico Trajano

Era o início da minha carreira – me formei aos 21 anos, ainda muito jovem – e a carta da minha mãe foi um norte para mim, uma bússola para o início da minha jornada profissional. 

Ela elogiou o que eu havia conquistado até ali e, ao mesmo tempo, me ofereceu conselhos práticos para o futuro. Apesar de me lembrar de que eu traço meu próprio caminho, ela me deu algumas direções para me ajudar a não me desviar do rumo certo.

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Existem alguns marcos na nossa vida que se destacam, como entrar na faculdade, formar-se, casar e ver o nascimento dos filhos – no meu caso, de três filhos. São momentos especiais que nos deixam felizes por termos alcançado esses objetivos e, em paralelo, nos fazem pensar sobre o futuro.

Para mim, a carta da Luiza reflete esses dois aspectos. Primeiramente, expressa a felicidade de ver essa fase da minha vida concluída com sucesso. Foi uma trajetória em uma faculdade muito boa, em que conquistei cada ciclo e superei etapas importantes. Ao mesmo tempo, traz várias sugestões para o futuro, pois naquele momento eu estava na transição entre o mundo dos estudos e o do trabalho, entre aprender e colocar em prática. 

Ela gosta de dar conselhos profissionais, de ajudar as pessoas, e esse momento de troca entre mãe e filho foi muito especial.

Ela sempre diz que prefere tocar na banda a vê-la passar. E o fato de ser mulher acrescenta um componente atípico a essa trajetória de muito sucesso. Mas, para mim, tudo isso sempre foi muito natural. Eu nasci e cresci cercado por mulheres fortes. Tanto minha mãe quanto minha tia Luiza sempre foram protagonistas de suas carreiras e, muitas vezes, as principais provedoras.

Reconheço que vivo em uma bolha de protagonismo feminino. Ainda assim, percebo o quanto outros líderes têm dificuldade em aceitar uma liderança feminina, ou o quanto essa realidade poderia ser diferente em outros lugares quando vejo conselhos ou diretorias compostas quase exclusivamente por homens. Recentemente, o Magalu recebeu um prêmio por ter mais de 30% de mulheres no conselho de administração. É algo raro: apenas 6% das empresas de capital aberto no Brasil atingem esse número.

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Para as mulheres que estão buscando seu norte, eu diria que não existe uma fórmula. Se uma mulher quiser trabalhar e, ao mesmo tempo, cuidar da família, isso é absolutamente possível. Foi o meu caso, por exemplo.

Minha mãe sempre trabalhou muito, e minhas irmãs e eu somos felizes, bem-sucedidos e realizados. Já minha avó, por outro lado, abriu mão de trabalhar para cuidar da filha, e minha mãe é uma pessoa feliz, realizada e muito bem-sucedida profissionalmente. Minha esposa também optou por não trabalhar, e nossos filhos estão muito bem encaminhados. Luiza sempre diz que não existe fórmula para criar filhos, uma receita pronta.

O importante é escolher a trajetória que faz mais sentido para você, sem carregar a culpa por essa decisão. Minha mãe nunca se sentiu culpada por trabalhar, e acredito que o mais importante é confiar na própria escolha e buscar ser feliz.

Reconheço que vivo em uma bolha de protagonismo feminino. Ainda assim, percebo o quanto outros líderes têm dificuldade em aceitar uma liderança feminina, ou o quanto essa realidade poderia ser diferente em outros lugares quando vejo conselhos ou diretorias compostas quase exclusivamente por homens.

Hoje, mais do que nunca, tenho uma grande admiração pelo protagonismo que a minha mãe assumiu, mesmo antes de se tornar presidente da companhia. Ela sempre exerceu uma liderança muito forte, com uma autoridade natural, não apenas pelo cargo que ocupava. Se pensarmos bem, ela não era filha da dona da empresa; o que conquistou foi pelo seu trabalho, pelas suas realizações e pela energia que coloca em tudo.

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Os eventos que mais me marcaram foram aqueles em que ela reunia o time em uma sala e magnetizava a todos com essa energia. No Mulheres do Brasil, por exemplo, evento que reúne milhares de mulheres para tratar de temas como equidade de gênero, empreendedorismo feminino e combate à violência contra a mulher, ela exerce uma liderança carismática que é comum entre líderes políticos, mas rara no mundo corporativo.

Não diria que esse carisma influenciou diretamente o meu estilo, porque cada um tem sua personalidade, sua maneira de exercer liderança, mas, sem dúvida, é uma característica dela que eu sempre admirei e que me impressiona até hoje.

Vejo com muito orgulho o sucesso que minha mãe alcançou ao conseguir transcender o setor empresarial e se tornar uma referência nacional.

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(Arte / Imagem: Reprodução/VOCÊ S/A)
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