Chorei no trabalho. E agora?
Existem choros e choros. Saiba como identificar o seu – e o que fazer em seguida.

ue atire a primeira pedra quem nunca colocou as glândulas lacrimais para trabalhar durante o expediente. Há poucas coisas tão humanas quanto chorar – e poucas coisas tão difíceis quanto segurar o choro.
Mas, como bem coloca a psicóloga de carreira Andréa Krug, existem choros e choros. Pode ser a lembrança de algo que lhe emocionou, ou um mero destempero com um colega ou situação. Mas as lágrimas também podem ser um sintoma de algo mais grave, como estresse e burnout. Vamos abordar cada uma delas a seguir.
Em casos pontuais
Viu algo que lhe fez lembrar sua avó? Um projeto que você tinha investido muita energia foi cancelado? O café da máquina acabou (em um dia que já tinha começado com o pé esquerdo)? Se as lágrimas vierem, a psicóloga reitera: não há problema. O melhor a se fazer é… chorar. Ponto.
“Claro, você vai ter que lidar com as pessoas perguntando o que lhe aconteceu. Mas essa pode ser uma ótima forma de alívio emocional”, argumenta Krug. Já dizia Freud, afinal: a cura vem pela fala.
A profissional reitera que o ambiente corporativo não é mais alérgico ao sal das lágrimas. Há espaço para vulnerabilidade entre aqueles que você têm mais intimidade – e esse acolhimento pode te ajudar a se acalmar e seguir o expediente em frente sentindo-se melhor.
Chorar de raiva
Aqui, adentramos terreno mais arenoso. Quando algo no outro – seja seu chefe, seus pares ou seus subordinados – lhe desperta um sentimento de descontrole, o ideal não é se manter perto de ninguém. Andréa recomenda que se saia de cena imediatamente.
Vá ao banheiro, jogue uma água no rosto, faça um exercício de respiração. É possível seguir o método 4-7-8, que consiste em inspirar por 4 segundos, segurar o ar por 7 e expirar por 8, repetindo isso três vezes. Só volte ao espaço comum do escritório quando o destempero tiver sido controlado.
Já dizia Freud: a cura vem pela fala.
“Não é que você não pode expor aquela vulnerabilidade. Mas é bom que você esteja com as emoções controladas para poder endereçá-las”, aconselha a psicóloga. Nunca é aconselhável lidar com as situações com as emoções à flor da pele – especialmente no local do seu ganha-pão.
Depois que você se acalmou e entendeu suas emoções (isso não precisa acontecer no mesmo momento, nem no mesmo dia, vale dizer) é legal marcar uma conversa com quem lhe causou esse sentimento para explicar o que aconteceu e resolver a situação.
“Se você não está pronto para falar sobre aquilo, evite uma conversa a todo custo. Vá para casa, compense as horas depois. Antes de falar sobre o que aconteceu, é preciso entender de onde aquelas emoções estão vindo”, finaliza.
Estresse e burnout
Se o choro anda cada vez mais frequente, aleatório e imprevisível, cuidado: pode ser um sintoma de algo mais grave que anda te acometendo. Lágrimas desenfreadas podem ser consequência de índices elevados de estresse – ou de alguém que está na borda do precipício do burnout.
Não tem segredo: é preciso procurar um psicólogo ou psiquiatra. O RH da sua empresa (especialmente com as mudanças recentes na legislação, das quais você pode ler mais aqui) deve estar preparado para te acolher e te ajudar nessa busca por ajuda, mas buscar colegas de trabalho e pessoas próximas também pode ser um caminho.
Acima de tudo, é importante saber que ignorar esse sintoma não dará com que o burnout vá embora – ao contrário. É preciso entender que somos todos humanos. Não existem emoções boas e ruins, certas e erradas, adequadas ou não. Mas existem formas adequadas de lidar com elas: seja com água no rosto ou com uma consulta ao psicólogo. Fica a seu critério.